Quase lá

 
 
 

Diante de vinte mil torcedores, o Fluminense deu um importante passo para chegar nas oitavas de final da Copa do Brasil.

A vitória sobre o Santa Cruz pelo clássico placar de 2 x 0, no entanto, não me parece refletir de forma fiel o que foi o jogo.

O primeiro tempo foi um massacre do Fluminense. Fazia tempo que não via algo assim. Voltei do Maracanã e peguei os números da partida. 80% de posse de bola e oito finalizações no gol contra nenhuma do adversário.

O time pressionou desde o primeiro minuto (González perdeu um gol feito com segundos de jogo) e só não fez quatro ou cinco gols por obra do acaso. Jogou para isso.

Na segunda etapa seguiu o amplo domínio, mas aparentemente tirou o pé do acelerador. E aqui vai uma observação: em jogos de mata-mata não dá para fazer isso. Sim, é bem verdade que o Fluminense é favorito destacado para vencer também o jogo de volta lá no Arruda. A diferença técnica dos times é evidente, estamos quase lá.  Mas o futebol, não raro, prega peças em times superiores. É um gol contra no início do jogo, uma expulsão desnecessária, uma arbitragem ruim, a pressão da (ótima) torcida adversária… Está com condições de matar o confronto? Em casa? Amigo, corre para matar. Um 3×0 ontem seria a certeza da classificação. O 2 x 0 nos dá uma ampla vantagem, mas ainda está tudo em aberto. Faltou gana, tesão ao time no segundo tempo para enterrar um adversário que ainda respira.

Pedro voltou bem. Achei seguro, confiante, tentando participar, a despeito da natural falta de ritmo de jogo. Fará muita diferença nesse time que ontem escancarou a rotação dos jogadores quando temos a bola. Diniz abre os zagueiros, que passam a receber bolas como laterais, espeta os atacantes, abrindo o time (e por consequência o aversário) e tanto Gilberto quanto Caio Henrique ganham espaço para jogar por dentro. O primeiro gol, inclusive, saiu assim. Esse sistema pede um jogador do último toque. E Pedro pode ser esse homem, se conseguir resistir à sanha dilapidatória de Abad e seus asseclas.

Pro Brasileiro precisamos do Pedro, mas precisamos, sobretudo, de elenco.  Não podemos fazer um time imaginando uma linha ofensiva com apenas três jogadores capazes de serem titulares. Aí entra o fator Everaldo. Esse rapaz não pode sair. É praticamente um crime deixar isso acontecer.

Vejam, o Fluminense tem DIREITO a adquiri-lo. É contratual, basta chegar com o valor combinado, valor esse que o clube já tem. O jogador não pode escolher aonde vai jogar se seus direitos estão ligados ao clube. Ah… Mas o jogador quer ganhar mais no Corinthians, tem medo dos atrasos do Fluminense e outros blablablás… De fato ele não é obrigado a assinar novo contrato com o Flu, mas o Fluminense o adquire e o revende por um valor obviamente maior do que o que usará para comprá-lo. E nesse meio tempo, com uma nova diretoria, se Deus quiser melhor que essa que temos, a chance do jogador querer continuar jogando aumenta. Ninguém gosta de ficar parado, desvalorizando.

Everaldo era um Zé Ninguém antes de aportar em Laranjeiras. Jogava num time de várzea de São Paulo.Flu tem que bancar sua posição de clube grande nessa história e peitar quem quer que seja.

A saída desse jogador será um grande baque no elenco do clube. Everaldo é um único 1 x 1 que temos no elenco. É evidente que tem pontos fracos. Chuta mal, nem sempre escolhe as melhores jogadas, mas, numa boa, é de longe nosso atacante mais perigoso e o único capaz de furar defesas fechadas.

O pai do cara dá entrevistas dizendo que já foi, a imprensa noticia todo dia seu acerto com o clube paulista. Tem cheiro de saída concretizada, acho que ninguém discorda. Principalmente porque no Flu ninguém desmente nada, ninguém esclarece nada. É a casa da Mãe Joana.

Mas ainda estamos com a caneta. Ainda dá tempo de costurar um acordo (ou de fincar os pés e manter o jogador preso ao clube) para que Everaldo prossiga conosco. Quase um mês para resolver uma questão que não pode ser impossível para um clube como o Fluminense, mesmo tendo por trás uma diretoria que já mostrou que é capaz de superar todos os prognósticos positivos que ainda insistimos em fazer.

Bom jogo, boa vitória. Vamos para Recife ligados e voltaremos com a vaga.

Fica, Everaldo!

Abraços tricolores

CURTA

– Quer dizer que as eleições ocorrem apenas em junho? Eu não consigo compreender o Abad. É tudo muito esquisito. Já era para ter saído. Essa foi a vontade dos sócios, por larga margem.

– Não consigo avaliar o jogo de ontem do Leo Artur. Aparentemente trata-se de um jogador habilidoso, com potencial. Tomara!

– Tomara também que Ganso, Gonzalez, Airton e Luciano não tenham nada mais sério. Nossa escassez de bons jogadores não comporta lesões dos principais nomes do elenco.