Uma polêmica em torno da Assembleia Geral convocada no dia 27 de agosto, visando mudança do estatuto do Fluminense, para, segundo o clube, adequá-lo às regras do Profut, Código Civil e Lei Pelé, tomou conta dos bastidores do Tricolor. Com 592 votos a favor do sim (97,85%), num total de 605 votos, sócios aprovaram as alterações, que incluíam, dentre outras coisas, o artigo 150, parágrafo terceiro. Esse artigo, em especial, evitava a elegibilidade de Pedro Antônio, mesmo se uma nova Assembleia Geral fosse convocada, pois só o resultado só valeria no ano seguinte às eleições.

O polêmico artigo 150, parágrafo terceiro, adicionado ao estatuto tricolor, na última Assembleia Geral (Foto: Reprodução Fluminense F.C)
O polêmico artigo 150, parágrafo terceiro, adicionado ao estatuto tricolor, na última Assembleia Geral (Foto: Reprodução Fluminense F.C)

Cabe ressaltar que o estatuto já vedava uma candidatura, caso não houvesse associação há pelo menos cinco anos. Fontes ligadas ao dirigente e, também, ao grupo Base Tricolor, que apoia o encarregado pelo CT, confirmaram que o vice-presidente de projetos especiais não gostou da ação, sobretudo porque já havia declarado desistência na mudança estatutária, dada a repercussão negativa na época. Para pessoas próximas, havia um medo de uma “reviravolta” nos últimos instantes. A atitude, porém, pode atrapalhar a Flusócio, principal grupo político do Tricolor, quanto ao apoio, tido quase como certo, de Pedro Antônio.

– Existia essa preocupação da Flusócio de que o Pedro (Antônio) tentasse se candidatar ainda, mas é uma pena. Ele é o cara que mais fez pelo clube, na minha opinião. Espero que não desmotive a seguir numa vice-presidência, seja quem for o próximo mandatário. Foi um tiro no pé – sentenciou um empresário ligado ao grupo do vice de projetos especiais, que não quis se identificar.

Entretanto, oficialmente, o clube nega que a manobra tenha sido para podar os anseios do dirigente mais popular do Flu na atualidade, embora membros da situação tenham sido flagrados, por sócios, comemorando o resultado da Assembleia, no “Bar do Tênis”, nas Laranjeiras. Enquanto Pedro Antônio prefere não se manifestar acerca do tema, o vice-presidente jurídico do clube, Bruno Curi, ressaltou que a adição do artigo 150, parágrafo terceiro, não foi para atingir ninguém em especial, mas sim para o clube estar em concordância com o artigo 56 B, inciso 4, da Lei Pelé.

– Esse assunto foi esclarecido no conselho deliberativo. Foi simplesmente para obedecer o que a lei obriga. A Lei Pelé tem uma regra expressa sobre isso. Então, o estatuto precisa ter práticas de gestão que proíbam vantagens pessoais em processos decisórios. Tem que ter práticas de gestão necessárias descritas, não adianta só dizer. A gente pegou um dispositivo da constituição da república. Não há nada em caráter pessoal. Felizmente, esse é um capítulo já superado. Não foi para atingir o Pedro Antônio – disse com exclusividade ao portal número 1 da torcida tricolor.

Uma vitória na eleição ao cargo máximo do Fluminense passa quase que, necessariamente, por um apoio do milionário, responsável direto pela construção do espaço que sediará as atividades do futebol profissional a partir de outubro. Quem tiver a sombra do dirigente larga na frente, vide enquete publicada pelo NETFLU, com 1932 participações, onde 70% dos torcedores disseram que votariam em quem o encarregado pelo CT apoiasse. Sobre a questão do estatuto, Pedro Antônio havia conversado com o NETFLU, há cerca de cinco meses, dizendo o que pensava.

– Primeira coisa é o seguinte. O estatuto, que vem a ser modificado, só é alterado mediante a proposta do presidente do clube ou reunião de conselheiros. Mesmo que seja qualquer mudança estatutária por qualquer razão, passa por uma assembleia geral, porque no Flu tudo é democrático. O que eu mais escuto referente aos políticos é a necessidade de reforma do estatuto, inclusive o conselheiro deliberativo tem uma comissão encarregada a mudar algumas coisas no estatuto. Entre querer e mudar tem um processo. Não existe medida provisória no Flu. Aliás, durante 110 anos o Fluminense teve uma regra. Nos últimos três anos tem uma regra diferente. Não vou tomar nenhuma iniciativa específica sobre o assunto, até porque não faço parte nem do conselho. É só uma opinião pessoal. Agora, se o povo, conselheiro, pensar um dia mudar para ter mais candidatos, é outra história. Nem tenho tempo para isso. Penso em outras coisas. No momento, estou mais preocupado em fazer o CT.

Em publicação no site oficial, o Fluminense ressaltou que, com as alterações ocorridas, o clube poderá trabalhar com projetos de incentivo à formação de atletas olímpicos, paralímpicos e também nas divisões de base. Além disso, poderá se estruturar ainda mais para garantir um futuro de vitórias.