Apoiado pelo grupo de empresário “2050”, Carlos Eduardo Cardoso, assim como Pedro Trengrouse e Pedro Abad, participou de uma sabatina com tricolores de Brasília, organizada pela “Sempre Flu”. Por lá, ele abordou diversos temas de gestão, transcritos no post do colunista Cezar Motta.

Confira na íntegra:

O candidato à presidência do Fluminense pelo grupo Flu 2050, Cacá Cardoso, tem como prioridade absoluta devolver ao Fluminense a condição de protagonista e gigante no futebol e no esporte brasileiro olímpico em geral. Para isso, seu projeto inclui a profissionalização da gestão e a instituição de um modelo de governança moderna no clube, o aumento da base de torcedores, a construção de um estádio de porte médio, a participação igualitária na administração do Maracanã e a revitalização do estádio das Laranjeiras, com provável aproveitamento em partidas oficiais das divisões de base.

Cacá Cardoso não aceita o apequenamento progressivo do Fluminense, a perda da importância do clube, como vem acontecendo desde os anos 90. “O Fluminense não pode mais entrar em campeonatos brasileiros pensando apenas em não cair, ficar em meio de tabela ou apenas com esperanças de conseguir uma vaga na Libertadores. Tem que entrar para ganhar, para ser campeão”, disse. Segundo ele, com um futebol forte, o restante dos esportes também se fortalecerá. A candidatura foi lançada no dia 14 de março e, no próximo dia 19, segunda-feira, vai apresentar, no Edifício Argentina, na Praia de Botafogo, todos os membros do grupo e o seu programa de governo em um grande evento.

Carlos Eduardo Pontes Lopes Cardoso tem 51 anos, é advogado criminalista formado pela UERJ, filho de pais sócios e torcedores do Flu. Frequentou as Laranjeiras durante toda a vida, foi atleta do clube, começou a colaborar com o Fluminense como subdiretor e depois diretor de Interesses Legais na segunda metade dos anos 80. Foi subdiretor jurídico da CBF ao lado de Carlos Eugênio Lopes, o Carlô, e vice jurídico da gestão Peter Siemsen até o ano passado, quando saiu por discordar de aspectos da gestão. Cacá Cardoso conversou nesta terça-feira, dia 13 de setembro, com 23 tricolores de Brasília, durante quase três horas, no auditório do Curso Professor Filemon. Eis os principais pontos da conversa:

FUTEBOL – Será o carro-chefe da gestão, porque é a razão de ser do clube, e a meta é resgatar o Fluminense vencedor e protagonista. O clube terá que entrar em qualquer torneio para vencer. O nome do grupo de apoio, Flu 2050, refere-se a uma projeção de futuro, o clube que todos querem deixar para filhos e netos. Segundo o candidato, o Flu tem o mesmo modelo obsoleto de governança do século passado. Ele quer criar um conselho gestor moderno, como o das grandes empresas, que será reunido semanalmente para avaliações. O projeto é descentralizador, com pessoas experientes cuidando de cada área, inclusive no futebol. Nesse caso, será contratado um CEO, um executivo profissional, que trabalhará abaixo do vice-presidente e que não terá o perfil do boleiro, do gerente de futebol que prolifera hoje no mercado. Será alguém com maior qualificação, mas que conheça futebol, auxiliado por um diretor. Esse executivo deverá ter um perfil empresarial, e estabelecerá metas e objetivos dentro de um orçamento, com contratações pontuais e certeiras para os setores deficientes do time. Cacá Cardoso não quer alguém como Rodrigo Caetano e outros profissionais da mesma formação e estilo. Recorda-se da comemoração do título de 2012, ainda no vestiário, quando Caetano chegou junto do presidente e recomendou a renovação imediata do contrato de Diguinho, alegando que o grupo estava “fechado”, e que era um pedido dos jogadores. Para Cardoso, naquele momento Rodrigo Caetano representava os interesses dos jogadores, e não do clube. As mudanças estatutárias necessárias serão efetuadas nos primeiros três meses de sua eventual gestão.

Cacá Cardoso quer integrar ainda mais Xerém com o CT profissional, investigar a fundo quais os problemas da transição da base para os profissionais. Idealiza um modelo como o do Barcelona, em que os jogadores de Xerém tenham o mesmo estilo e esquema de jogo dos profissionais. Quando algum jogador titular for vendido, o clube já terá uma peça de reposição pronta, feita em casa, e com pleno conhecimento do papel que irá desempenhar no time principal. Xerém deverá ser o berço da cultura Fluminense, os jovens aprenderão sobre o clube, sua grandeza. Um dos principais compromissos da gestão do futebol será com a transparência absoluta, com canais de comunicação com os sócios e a torcida.

O projeto quer evitar as oscilações ano a ano, uma temporada disputando o G 4 e a seguinte brigando contra o rebaixamento. É preciso uma regularidade sempre em alto nível de competitividade e qualidade, como o grande time de 83/84/85. As contratações eram pontuais, para repor eventuais perdas ou suprir deficiências. Será preciso deixar claro para a torcida que todo início de projeto é de instabilidade e mudanças, e uma sequência de derrotas não poderá gerar demissões de técnicos ou contratações tresloucadas. O projeto é de longo prazo. Cacá Cardoso assume o compromisso de concluir as obras do centro de treinamento, caso o trabalho não esteja terminado até lá, e de aprimorar o que existe em Xerém. O Fluminense terá um código de conduta para seus profissionais, inclusive os jogadores – e, de novo, o Barcelona é o exemplo.

ESTÁDIO, MARACANÃ, LARANJEIRAS – Um estádio próprio de porte médio será fundamental como fonte de receita e para garantir o projeto sócio torcedor. O Flu terá que ter a sua casa para jogos não decisivos, com espaço para anunciantes, lojas etc. Cacá Cardoso explicou que o seu grupo já vem fazendo prospecção de terrenos no Rio de Janeiro. Para isso, conta com a experiência de Francisco Abenza Martinez, engenheiro e sócio-diretor da construtora AC Lobato, que já patrocinou o Fluminense e participou da construção de Xerém com o ex-presidente Silvio Kelly dos Santos, e de Luiz Ricardo Renha, vice-presidente nacional da gigante canadense Brookfield, construtora e incorporadora com ramificações em várias partes do planeta. Cacá Cardoso sabe que o atual presidente, Peter Siemsen, vem também negociando o início da construção de um estádio, e caso consiga, há o compromisso de dar sequência ao projeto. Para o projeto do estádio, Cacá Cardoso conta também com a colaboração do arquiteto Sérgio Magalhães e do empresário Luiz Antônio de Almeida Braga.

Quanto ao Maracanã, qualquer que seja o destino do estádio, o Fluminense terá obrigatoriamente que participar da gestão. O clube tem ainda em vigor um excelente contrato com o consórcio liderado pela Odebrecht, e não abrirá mão dos seus direitos. Deixar que o Flamengo administre sozinho será uma enorme derrota, que agravará o apequenamento do Fluminense. E a participação terá que ser em condições de igualdade, de preferência com a parceria de uma grande empresa com experiência de gestão de arenas, com o Flu tendo o direito de ocupar espaços para sua loja e o seu lado nas arquibancadas.

Nada disso significa que se abrirá mão do Estádio Manoel Schwartz, o velho e histórico estádio das Laranjeiras. Cacá Cardoso cita como exemplo o Botafogo e o América, que nunca mais voltaram a ser o que eram quando abriram mão de seus estádios e de suas sedes. Laranjeiras terá que ser um museu do futebol a céu aberto, revitalizado, utilizado pelas divisões de base para partidas oficiais, com reformas nas áreas em que isso for necessário, como banheiros, arquibancadas e acessos. O estádio é a própria história do futebol do Rio de Janeiro, berço da seleção brasileira e do profissionalismo.

MARKETING – Será uma das áreas estratégicas, com total profissionalização, a cargo de Idel Halfen, um especialista altamente qualificado e que já ocupou o cargo na gestão Peter Siemsen, mas saiu pelo total descaso com que o setor era tratado pela atual administração. O presidente centralizava tudo, não disponibilizava recursos e impedia novos projetos. Cacá diz que ficou impressionado ao acompanhar o Flu em uma das edições da Florida Cup e ver o verdadeiro exército de que dispunha o Corinthians no marketing. Dezenas de pessoas, distribuindo material, divulgando o clube e a marca, com alto nível de organização e profissionalismo. O Fluminense, ao contrário, tinha apenas dois representantes e uma estrutura amadora e esquálida, com pouquíssimo material.
O Corínthians, desde a gestão do vice de marketing Luís Paulo Rosenberg, criou um projeto de longo prazo, com metas ambiciosas, estabelecendo o que deveria ser o clube em cinco ou 10 anos. É preciso zelar pela comunicação institucional, mostrar à imprensa, à torcida e ao mercado o que é o Fluminense, quais os projetos, as ambições, o que o clube pretende ser a longo prazo. O setor tem sido gerido com grande amadorismo e passividade. Um exemplo foi a ausência de exploração da Taça Olímpica de 1949, de que o Fluminense é o único detentor no mundo, durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro. A única lembrança foi uma precaríssima camisa de jogo na partida contra o Santa Cruz no Arruda, pelo Campeonato Brasileiro, e com letras quase ilegíveis pela televisão – e sem qualquer explicação sobre a que se referia a tal Taça Olímpica. O marketing terá que ter mais recursos humanos e financeiros para atrair patrocínios, criar novos torcedores e fortalecer a marca Fluminense.

RELAÇÕES COM A FERJ E COM A CBF – Cacá Cardoso fez um histórico da briga do Fluminense com a Federação de Futebol do Rio, que começou em 1986 quando assumiu Eduardo Viana, o Caixa d’Água, e logo fez uma aliança com Eurico Miranda, então vice-presidente de futebol do Vasco. O objetivo deles era uma polarização do futebol no Rio de Janeiro com o Flamengo, relegando a um plano secundário o Fluminense e o Botafogo. Durante os anos 90, as administrações catastróficas do Flu ajudaram Eurico e Caixa d’Água em seus objetivos, e até mesmo a marca Fla-Flu praticamente desapareceu.
A promessa do candidato é buscar sempre o diálogo, mas com firmeza e sem abrir mão dos interesses e os direitos do Fluminense.

COTAS DE TEVÊ, FORNECEDOR DE MATERIAL E PATROCÍNIO MASTER – Cacá Cardoso sabe que terá que buscar a TV Globo para renegociar valores do contrato para transmissão em tevê aberta e em canais fechados. Não sabe exatamente quais os termos dos contratos recém-assinados para tevê por assinatura e para transmissão do Campeonato Carioca, mas teme que possam ser desvantajosos. O que vem sendo chamado de “luvas”, por exemplo, não está claro se são adiantamentos a serem abatidos nos pagamentos mensais, o que poderia comprometer as futuras gestões. Uma preocupação é com a abismal diferença entre o que o Fluminense vai receber a partir do ano que vem e o que será pago a Corinthians e Flamengo. Mais ou menos o triplo, o que tornará o futebol brasileiro injusto e desigual. As providências imediatas que podem ser tomadas são o fortalecimento da Primeira Liga, com cotas de televisão equilibradas, a busca pela união dos outros clubes prejudicados e uma gestão altamente profissional, com aproveitamento máximo dos recursos disponíveis. Algo como faz o Borussia Dortmund, que financeiramente não está à altura do Bayern de Munique, mas encontrou um estilo próprio de gestão, com apoio da torcida e de um estádio vibrante.

Quanto ao contrato com a Dryworld, que não vem cumprindo suas obrigações contratuais, Cacá lamenta o erro da troca intempestiva de fornecedor de material esportivo. Trocou-se um gigante tradicional e sólido por uma empresa absolutamente desconhecida. Não sabe ainda o que poderá ser feito, mas as saídas seriam judiciais, para uma rescisão unilateral, se a situação não for solucionada, e a busca de um novo fornecedor.
Sobre o patrocinador máster na camisa, Cacá teme que uma situação desesperadora resulte em medidas desesperadas. As anunciadas (e não confirmadas) negociações com a Caixa Econômica e com a gigante chinesa de telefonia Huawei não podem ser por valores inferiores ao da marca Fluminense. Mas há o risco de que a necessidade urgente de recursos leve a uma assinatura prolongada por quantia abaixo do ideal. O candidato não conhece a real situação financeira do clube, mas sabe que o presidente Peter Siemsen conta com a venda de um jogador para fechar as contas até o final do ano.

ERROS E ACERTOS DA ATUAL GESTÃO – Cacá Cardoso não se define exatamente como um candidato de oposição, mas uma terceira via, que tentará pacificar o clube e unificar as correntes. Reconhece grandes virtudes na atual gestão: o equacionamento das dívidas trabalhista e fiscal, que estão sendo abatidas em prestações mensais, a construção do CT, a revitalização de Xerém e a mudança de patamar do clube na passagem para o próximo presidente. Siemsen recebeu o clube com três anos de atraso nos impostos, período em que não foi pago sequer um tostão dos tributos que recaem sobre o clube. A dívida era absurda, e foi necessário um empréstimo de emergência junto à CBF. O Ato Trabalhista, relativo a dívidas com ex-funcionários e jogadores, foi reativado e restabeleceu a credibilidade para o clube, que se livrou da penhora de receitas e da renda dos jogos.

Um dos problemas do Profut, que abrange as dívidas fiscais, é que, no primeiro ano, as prestações são suaves e fáceis de administrar, mas vão crescendo ano a ano, o que exigirá grande responsabilidade financeira. E atrasar prestações do Profut seria um desastre, que resultaria em rebaixamento automático a partir de 2018 e a volta das penhoras nas rendas, perda da Certidão Negativa de Débito e das verbas oficiais de apoio para esportes olímpicos. Cacá Cardoso pretende manter o que de bom foi realizado pela atual gestão e levar o clube a um salto de qualidade em governança e administração.

A gestão do futebol foi o ponto mais fraco. O atual presidente não tinha um planejamento de futebol para depois da saída da Unimed, e o resultado foram improvisações, contratações absurdas de técnicos e jogadores, desperdício de dinheiro, erros sucessivos, um eterno apagar de incêndios, altos e baixos nos resultados em campo pela falta de organização. O Fluminense não pode ser um time de meio de tabela, nem viver ameaçado de rebaixamento.

Todo o grupo de Cacá Cardoso, o quem é quem, e seus projetos estão em www.facebook/Flu2050.