(Foto: Lucas Merçon - FFC)

Após mais uma derrota do Fluminense no Campeonato Brasileiro, dessa vez para o Grêmio, em Porto Alegre, o jornalista e colunista do site Uol Esportes, André Rocha, publicou um texto ironizando o Tricolor intitulado: “Por aonde anda o “tigrão” do Fla-Flu?”

A “alfinetada” faz referência à comemoração de John Kennedy, autor de dois gols naquele Fla-Flu. Nas palavras de André, o Flu enfrentou o Rubro-Negro com “a vontade de se mostrar no mesmo patamar”, porém, não conseguiu “manter a capacidade de competir em nível mais alto no cenário nacional“.

Leia o texto na íntegra:

“Um torcedor reclamou em rede social que os textos deste colunista eram repetitivos quando o tema era vitória dos rivais cariocas sobre o Flamengo na temporada. Sempre jogando a vida nos clássicos contra o time rubro-negro e depois não repetindo, nem de longe, o desempenho contra os outros times.

O problema é que o óbvio, o que salta aos olhos, precisa ser dito. Sem medo de ferir paixões. A impossibilidade atual de disputar em condições de igualdade os mesmos títulos fez das vitórias nos confrontos diretos verdadeiras conquistas sagradas. Em 2021, especialmente com Vasco e Fluminense.

A vitória por 3 a 1 no Carioca, único duelo na temporada, foi a grande atuação dos cruzmaltinos em um ano para esquecer. Espetáculo de Cano, Morato e Galarza, no time ainda comandado por Marcelo Cabo. No próprio estadual, na Copa do Brasil e na Série B, nada sequer parecido. Nem com Cabo, Diniz e, muito menos, com Lisca. Foi a simples e clara ‘força do ódio’.

A mesma que moveu o Fluminense nas últimas disputas. A vontade de se mostrar no mesmo patamar, à altura da história do clássico, pelo menos quando se encontram. Concentração máxima, intensidade muito acima da média. Aquela ‘raiva produtiva’. Quatro vitórias nos seis confrontos do ano. Só não venceu os da decisão que deram o tricampeonato carioca ao rival.

Mas foi o suficiente para uma festa desmedida, uma explosão de alegria e provocações. ‘Ganhar Fla-Flu é normal’. Mas manter a capacidade de competir em nível mais alto no cenário nacional…aí fica mais complicado.

Na sequência, derrotas para Santos e Ceará, vitória aos 96 minutos sobre o Sport no Maracanã e agora o revés fora de casa para o Grêmio. Apenas um gol marcado. A promessa John Kennedy, grande personagem dos 3 a 1 há 18 dias, não foi mais às redes. A possível vaga no G-6, aventada depois do triunfo sobre o Fla, se transformou em dificuldade para manter-se no G-9.

É claro que seria cobrar demais ao time de Marcão, dentro das possibilidades financeiras do clube, disputar o topo da tabela com equipes que ostentam orçamentos muito maiores. A questão é que o abismo no desempenho deveria incomodar mais.

A história mostra, no Rio de Janeiro e no mundo, que a motivação em um clássico é diferente. É cultural. E sempre quem está por baixo sabe da grande oportunidade de redenção e comunhão com o torcedor.

Mas o cenário carioca virou uma espécie de mundo paralelo. Como se o partida contra o Flamengo significasse um reencontro com a grandeza abalada por reveses, rebaixamentos, penúrias. 90 minutos de uma volta aos tempos de glória. Um sentimento legítimo, até saudável.

O problema é iludir o torcedor sendo o ‘tigrão’ no Fla-Flu e depois voltando à dura realidade que angustia. O Fluminense é tetracampeão brasileiro e não pode virar um zumbi que desperta quatro vezes no ano. Desculpe o incômodo“.