Ângela Maria (nome fictício) não vem tendo um mês tranquilo. Acostumada com os problemas financeiros em torno de um grande clube de futebol, ela não imaginou que a crise se estenderia também, de forma tão maciça, para quem recebe de um a quatro salários mínimos. Sem o dinheiro da passagem, recorre aos amigos e vizinhos para poder chegar em Laranjeiras. O que antes era casual, agora virou rotina entre funcionários de todos departamentos do Fluminense (social, futebol e esportes olímpicos).

Com atraso no pagamento desde maio, os funcionários são orientados a não darem entrevistas para evitarem expor a instituição. Temendo represálias, muitos evitam falar até ao telefone para manterem o emprego. Os seguranças, por exemplo, além do atraso salarial, não recebem a compensação individual prevista por jogo. E isso ocorreu nas últimas 12 partidas do Time de Guerreiros.

Na segunda-feira (02/07), a Sanatto, empresa de Duque de Caxias que presta serviços de limpeza ao clube, ameaçou não liberar a ida de seus funcionários para a sede do Tricolor. Entretanto, recuou com a promessa de que o pagamento sairia. Nesta terça-feira, pelo menos com os terceirizados, a dívida foi quitada, ao passo que os funcionários do Fluminense seguem esperando a sua vez. A notícia de que a Sanatto havia sido paga antes deles gerou uma pequena revolta entre os que mais precisam do salário para manter as contas em dia.

O NETFLU apurou que a promessa da diretoria é resolver as pendências financeiras até esta quarta-feira (04/07). No passado, durante a gestão Peter Siemsen, era “normal” que empregados com salários acima de R$ 5 mil tivessem atrasos constantes, dando prioridade a quem recebesse menos do que esse montante. Atualmente, todos sofrem com o momento financeiro do clube, enquanto seus boletos acumulam dia após dia. Procurada, a assessoria institucional do Fluminense admitiu o cenário de atrasos, prometendo resolvê-lo o quanto antes.

– O clube confirma que há pendências e informa que está mobilizado para regularizar a situação no menor prazo possível – destacou.