Confira a íntegra da entrevista de Sandro Lima a portal

Confira a íntegra da entrevista de Sandro Lima a portal

Sandro Lima deixou o Fluminense após vazamento de sua relação com a Unimed (Foto: Photocamera)
Sandro Lima deixou o Fluminense após vazamento de sua relação com a Unimed (Foto: Photocamera)

Agora ex-vice de futebol do Fluminense, Sandro Lima abriu o jogo em entrevista ao portal Lancenet. O dirigente comentou sobre sua saída do clube, relação com a Unimed, com os demais diretores e Peter Siemsen no clube e muito mais.

Confira a íntegra:

Por que não comunicou à diretoria que fazia este trabalho de consultoria?

Era uma relação anterior da minha empresa com a Unimed e que não tinha relação com o futebol, inclusive anterior à eleição do Peter. Meu papel como vice sempre foi o de conciliar os interesses do Fluminense com os dos parceiros, entre eles a patrocinadora principal do futebol. E tenho convicção de que desempenhei este papel com dignidade.

Em que isto poderia prejudicar a relação da parceria?

Esta assessoria não traz nenhum efeito negativo sobre a parceria Unimed/Fluminense, como não trouxe ao longo destes anos.

Tem medo de que esta situação possa atrapalhar a parceria?

Acredito e espero que ela não sofra qualquer tipo de desgaste. A aqueles que apostam na saída da Unimed, não cravaria isso, como alguns já cravam, não deveriam.

Existe a possibilidade de a parceria ser rompida no fim do ano?

Parceria é boa quando há interesse dos parceiros em mantê-la. É notório que o resultado para ambos tem sido positivo e que no momento adequado sua continuidade será anunciada.

Este acontecimento causou mal-estar entre a Unimed e o Flu?

Nenhum. Volto a falar: a minha empresa assessora a Unimed-Rio desde 2010, o Peter não era o presidente e não passava pela minha cabeça ser o vice de futebol, o que só aconteceu em maio de 2011.

O que Celso Barros disse quando o contrato vazou?

Somente lamentou que um contrato que não diz respeito à parceria com o Fluminense tenha sido exposto da forma como foi. Mas a decisão que tomei foi particular e, assim como o presidente Peter, ele também a entendeu.

Como foi a conversa com Peter para decidir a renúncia?

Foi uma conversa respeitosa provocada por mim, a partir do momento em que acreditei que o contrato da minha empresa com a Unimed-Rio poderia provocar algum constrangimento na relação entre o clube e a patrocinadora. Tenho muito respeito pelas duas organizações, especialmente o Fluminense, e não passaria pela minha cabeça prejudicá-lo de alguma maneira.

Acredita que o Rodrigo Caetano fica muito isolado agora?

Pelo relacionamento e a sintonia que tínhamos no trabalho, talvez sim. Eu mesmo pedi para que ele continuasse o trabalho que nós iniciamos e conduzimos até aqui, no intuito de finalizar este ano com bons resultados.

Você era a pessoa responsável por manter contato com Conca. Como estão as conversas? Acha que ele vai voltar?

Até o momento em que estive na vice presidência era de interesse do clube manter o diálogo aberto com o jogador. O Conca é obviamente o maior apelo da torcida neste momento. Tenho certeza de que ele voltará a vestir a camisa do Fluminense.

Que erros cometeu e não cometeria novamente?

Sinceramente, considero minha passagem muito vitoriosa. Quando assumi, em 2011, todos achavam estranho e dizia que o Peter era maluco: “Vai colocar um cara do basquete no futebol?”, ninguém acreditava que eu duraria uma semana, até porque foi pós-saída de Muricy, pós-eliminação de Libertadores e com uma crise instalada no Futebol. Com a chegada do Abel, as coisas deram uma acalmada no começo, porém, com a falta de resultados, já me pediam a saída dele. Conseguimos segurar e fazer um segundo turno maravilhoso, ficando com o título simbólico. O ano de 2012 foi inesquecível, a única coisa que me chateou foi não ter conseguido o recorde de pontuação. E 2013, mesmo com alguns equívocos, até pelo momento financeiro difícil do clube, faria tudo igual novamente.

O que espera do Fluminense para o resto da temporada? Fica alguma mágoa com a saída desta forma?

Tenho certeza que faremos um grande segundo turno, esses jogadores tem um brio enorme e são campeões… Espero muito uma vaga na Libertadores até porque tem um turno inteiro para se jogar e o elenco já entendeu o modo de trabalhar do Luxemburgo.
Sobre minha saída, foi uma saída provocada por circunstâncias externas e sem qualquer relação com o trabalho que eu desenvolvi no clube. Obviamente sair por essa razão não muito agradável, mas saio de uma forma tranquila sabendo que deixei o melhor de mim em prol Fluminense. Essa foi a minha melhor resposta como tricolor de coração.

Sendo o homem de confiança do Celso Barros, acha que a parceria e o clube podem se afastar? VocÊ era realmente o elo da parceria, atualmente?

Minha relação com o presidente da Unimed-Rio é profissional, seja como diretor de minha empresa ou como dirigente do Fluminense. Minha função estatutária no clube exigia que eu exercesse o papel de elo entre o clube e seus parceiros no futebol. Sendo a Unimed-Rio a patrocinadora principal, é evidente que eu era uma das pessoas do clube a manter esse contato, assim como o diretor executivo de futebol o Rodrigo Caetano e o próprio presidente Peter.

Como é a relação do Celso com Peter e em que sua saída pode atrapalhar?

A relação deles é respeitosa, cada um com suas responsabilidades e opiniões, e acredito que o eventual impacto de minha saída será administrado com tranqüilidade por eles.

Como fica o departamento de futebol sem o vice de futebol?

Pelo que soube o presidente acumulará a função até decidir por outra eventual solução.

No início, quando o Rodrigo chegou, muito se comentava que a relação de vocês poderia não ser boa. Como era a relação no início e no fim da parceria?

Conheci o Rodrigo em um café da manha oferecido por um amigo em comum da gente, e isso ocorreu antes de eu aceitar o convite feito pelo Peter para assumir o futebol, até então, eu não tinha aceitado, ali perguntei pra ele se havia o interesse dele em trabalhar no Fluminense e na mesma hora ele disse não, tenho contrato com o Vasco que acaba no final de 2011. Quando seu contrato acabou liguei para ele e disse que gostaria de entregar uma proposta do Fluminense. Junto com o Peter e o Celso conversamos e acertamos sua contratação. Desde sua chegada a sintonia foi a melhor possível, juntos fizemos um ano histórico para o Fluminense (2012).

Como avalia a gestão do Fluminense? Quais as maiores qualidades e defeitos?

Peter deu uma nova cara para o Fluminense. Tivemos vários avanços, no futebol, Xerém foi remodelado principalmente estruturalmente que era uma vergonha aquilo lá antes, hoje a metade do elenco profissional tem formação lá e a fábrica não para. Tem muito garoto bom pra subir ainda… No profissional, reduzimos os custos e os excessos a estrutura em laranjeiras foi melhorada e otimizada. O Peter esta deixando o Fluminense pronto para o futuro e acredito que nos próximos três anos de gestão dele seja concluído um trabalho muito bem feito que começou em 2011.

Como era sua relação com Peter e Caetano?

No dia-dia eu ficava mais próximo do Caetano devido ao futebol, mas o Peter sempre passava no departamento para nos atualizarmos de tudo e vice e versa. São dois grandes amigos que fiz no futebol.

Por que o Fluminense fracassou nesta temporada?

Viemos de um 2012 inesquecível, por isso mesmo, a expectativa pra essa temporada era muito grande principalmente com a Libertadores. Então conseguimos manter o elenco que foi campeão estadual e brasileiro. Um feito muito difícil de ser conquistado. Muitos foram os problemas que aconteceram simultaneamente e passamos a gerenciar estes problemas, como por exemplo: as penhoras da Receita Federal que inviabilizaram o pagamento do prêmio do Brasileiro dos atletas, que estão até agora sem receber. Esta asfixia financeira, somado com as seguidas lesões que aconteceram ao longo da temporada foram situações que fugiram do nosso controle. Infelizmente os resultados não vieram, mas mesmo assim disputamos final de turno de Estadual, semifinal de outro turno e quinto colocado da Libertadores, após a competição intercontinental teríamos que realizar vendas de atletas devido a dificuldade financeira que o clube atravessa, e também pelo o investimento realizado nos últimos anos na contratação de atletas por parte do clube e patrocinador. Com isso, realizamos a subida de jogadores da Base, como forma de preencher as lacunas do elenco, seguindo a linha da filosofia que implantamos que era de aproveitar a base e fazer a transição para o futuro do Fluminense.