Composto por 11 vice-presidentes (VPs), além da presença de Pedro Abad, mandatário do Fluminense, o clube das Laranjeiras vive uma crise política intensa. Dos 11 dirigentes logo abaixo de Abad, cinco, ligados ao Unido e Forte, renunciaram seus cargos na última semana, como o NETFLU divulgou em primeira mão. Mas qual é o histórico dessas figuras importantes para o clube?

O site número 1 da torcida tricolor traçou um perfil dos 11 homens (agora seis, temporariamente), que fazem parte do Conselho Diretor.

VICE-PRESIDENTE GERAL: Cacá Cardoso (renunciou) 

De acordo com o estatuto do Fluminense, a principal função do vice-presidente geral é substituir o presidente em seus impedimentos eventuais ou ocasionais. Além disso, ele deve coordenar tudo o que se relacione com o patrimônio e a conservação dos bens do Fluminense, mantendo sub sua supervisão a Diretoria de Patrimônio. Quem ocupava esse cargo até a última quinta-feira era Cacá Cardoso, que foi vice-presidente jurídico na gestão Peter Siemsen.

Cacá é “afilhado” político de Carlos Eugênio Lopes, o Carlô do departamento jurídico da CBF, há décadas, de acordo com algumas pessoas ligadas à diretoria atual do Fluminense. Tem uma carreira consolidada na área jurídica e concorreu à presidência nas últimas eleições até se aliar, faltando 48 horas para a votação, com Pedro Abad, consolidando a coalizão “Unido e Forte”.

VICE-PRESIDENTE DE FUTEBOL: Fabiano Camargo 

As principais funções da pasta são coordenar as atividades relacionadas com o futebol e o futsal em todas as suas divisões e modalidades, bem como gerenciar os contratos, franquias e transações de qualquer natureza comercial concernentes ao futebol do Fluminense. Ele também precisa administrar o complexo esportivo do Vale das Laranjeiras, em Xerém e indicar o Diretor Médico para a sua área de gestão, conforme informações do estatuto.  Fabiano Camargo foi o escolhido.

Dentista de formação e profissão, Fabiano não possui nenhuma experiência específica na área. Filiado à Flusócio, foi convidado para o cargo em caráter de urgência, após a queda de Fernando Veiga. Goza da confiança do presidente Pedro Abad.

VICE-PRESIDENTE DE INTERESSES LEGAIS: Miguel Pachá (renunciou)

Tendo como única atribuição, segundo o estatuto, no trato dos assuntos jurídicos relacionados ao clube, o dono desta pasta precisa ter, necessariamente, experiência no setor. E era o caso de Miguel Pachá, que renunciou junto com outros vices na última quinta-feira. Advogado conhecido, ele chegou ao Fluminense junto com uma “leva de notáveis” introduzida por Cacá Cardoso, após a saída de Bruno Curi. Ligado ao “Unido e Forte”, recebeu críticas na condução de alguns assuntos por parte da base de apoio da gestão, a Flusócio.

VICE-PRESIDENTE DE MARKETING: Idel Halfen (renunciou)

Dentre as principais tarefas, conforme o estatuto, o detentor desta pasta precisa coordenar as atividades relacionadas com a publicidade e o marketing do clube, em todas as
suas áreas, inclusive o futebol. Além disso, precisa publicar o Boletim Oficial e a Revista do Fluminense. Por fim, também supervisiona o Flu-Memória. Idel Halfen ocupava este espaço.

Ex-Flusócio, Idel ocupou o cargo por quatro anos na gestão Peter Siemsen, entre idas e vindas. Bastante criticado por conta do resultado prático do marketing, chegou a ser contratado por cerca de dois meses pelo clube para assumir a diretoria do setor. Em seguida, deixou o cargo e só voltou para o clube na gestão Abad. Virou “VP” na cota do grupo Flu 2050, que pertence ao FUF (Fluminense Unido e Forte).

VICE-PRESIDENTE DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO: Rogério Felix

Cargo criado na gestão Peter Siensem, por isso não consta no estatuto. Rogério, que assumiu a pasta, foi um dos principais responsáveis pela articulação política de Pedro Abad. Uma das cabeças pensantes da Flusócio (não confundir com Danilo Felix, que também é um dos líderes do grupo), Rogério adota uma estratégia mais serena, longe dos holofotes, mas com extrema influência sobre Pedro Abad.

VICE-PRESIDENTE DE FINANÇAS: Diogo Bueno (renunciou)

O estatuto diz que o representante da pasta precisa gerir os assuntos econômico-financeiros, inclusive a aplicação das dotações orçamentárias e os créditos extraordinários do clube. Ainda é necessário assinar, com o presidente do clube, alguns documentos específicos da área de gestão. Diogo Bueno, filho de Júlio Bueno, que foi um dos líderes da Vanguarda Tricolor, era o nome do setor.

Tendo renunciado junto com outros vice-presidentes, ele tinha suporte do “Unido e Forte”, ventilado, inclusive, para suceder Abad, embora nunca tenha falado abertamente sobre pretensões presidenciais. Foi vice de Cacá pelo Flu 2050 até que o grupo se uniu com a Flusócio, faltando dois dias para as últimas eleições. Diogo foi o cabeça da polêmica dispensa dos oito jogadores no fim de 2017, pedindo que a ação fosse exercida antes da última rodada do Brasileirão, com o aval do departamento jurídico. Abad, porém, só tomou a iniciativa no final do mês do último ano.

VICE-PRESIDENTE COMERCIAL – Ronaldo Barcelos 

Pasta criada na gestão Pedro Abad para auxiliar o marketing na busca por parceiros e patrocinadores. Quem fica responsável por ela é Ronaldo Barcelos, um dos maiores doadores do centro de treinamentos e, ainda, apoiador de Mário Bittencourt nas eleições de 2016.

Ronaldo ficou rico trabalhando no mercado financeiro há alguns anos. Pertencente ao Grupo Base Tricolor, do qual Pedro Antônio, ex-vice de projetos especiais, participava até as vésperas das eleições de 2016, Ronaldo trabalha com poucas companhias. Geralmente tenta por si só os contatos com possíveis patrocinadores e parceiros, como vem sendo nos últimos tempos com as empresas que estampam a camisa do Fluminense por período curto de tempo.

Pagou do bolso uma campanha publicitária para o sócio futebol. A “Abrace o Flu”.
Achou que, com aquilo, conseguiria fazer 90 mil novos sócios em poucos meses, mas o cenário não se apresentou da forma que desejava.

VICE-PRESIDENTE ADMINISTRATIVO – José Mello 

Segundo o estatuto, cabe ao responsável pela pasta administrar o clube em seus diversos setores, especialmente os serviços de secretaria, expediente e compras. Ainda tem a responsabilidade de supervisionar os serviços gerais do Fluminense. José Mello, considerado da “velha guarda”, ocupa este espaço.

O cargo é quase vitalício. Há muitos anos tomando conta da pasta, Mello foi indicado pelo grupo Democracia Tricolor.

VICE-PRESIDENTE DE GOVERNANÇA – Sandor Hagen (renunciou)

Pasta criada na gestão Pedro Abad, por isso não consta no estatuto do clube. O responsável pelo setor era o executivo de destaque no mercado, Sandro Hagen, que fez carreira na Coca Cola. Seria um dos notáveis que, supostamente, agiria somente como um técnico, sem viés político. Muitas das regras de governança que sugeriu foram ignoradas pelo presidente Abad, segundo informações. Entrou no cargo através da composição Fluminense Unido e Forte.

VICE-PRESIDENTE DE ESPORTES OLÍMPICOS – Márcio Trindade 

O estatuto do Fluminense diz que é de responsabilidade da pasta coordenar as atividades relacionadas à educação física e aos demais esportes, excetuando-se o futebol. Quem cuida desse espaço é Márcio Trindade. O cargo caiu em seu colo depois que Ricardinho e Sandro Lima (Sandrão) se afastaram, ainda na gestão Peter Siemsen.

Especula-se que seu desejo seja o de se tornar CEO do Fluminense. Durante as eleições, teria ficado frustrado com o fato de Pedro Abad ter absorvido Cacá como vice-geral, já que pleiteava a pasta. O grande feito, para alguns, está na conquista do fundo milionário do Comitê Brasileiro de Clubes, que ajudou na manutenção dos esportes olímpicos do clube.

Apoiador de Abad, possui função considerada estratégica já que, em tese, tem maior influência sobre os votos de atletas olímpicos, que costumam fazer a diferença nas eleições do Fluminense.

VICE-PRESIDENTE SOCIAL, CULTURAL E CÍVICO – Marcus Vinícius Bittencourt 

Conforme explícito no estatuto, a função do dono desta pasta é a coordenar as atividades relacionadas com os eventos sociais, culturais, cívicos, artísticos e de
entretenimento para os sócios. Além disso, ele também fica encarregado de fiscalizar os bares e restaurantes do clube. Presidente do Conselho Deliberativo no segundo mandato de Peter Siemsen, Marcus Vinícius Bittencourt foi o nome escolhido.

Sua presença política no Fluminense é antiga. Ele foi candidato a VP geral nas duas candidaturas próprias da Tricolor de Coração, em 2004 e 2007. Reside muito próximo ao clube e respira as Laranjeiras. É importante frisar que ele entrou no cargo depois que o primeiro VP indicado pela Vanguarda jamais apareceu no clube. Abad vetou, em seguida, a indicação de Marcus Furtado, também da Vanguarda.

TESOUREIRO – Claudio Pires Barçante 

Embora não faça parte do quadro de vices, tem responsabilidade similar ou mais importante. De acordo com o estatuto do Fluminense, o responsável pelo cargo precisa dirigir os trabalhos da Tesouraria e os serviços de arrecadação e guarda das receitas. Também precisa efetuar o pagamento das despesas autorizadas. Outras incumbências associadas à pasta são: assinar, com o presidente do Tricolor, os documentos  específicos sinalizados no estatuto e providenciar os balancetes, demonstrativos de receitas e despesas do Fluminense. Por fim, tem de manter sob controle administrativo a situação do quadro social, estando apto a informar sobre os sócios licenciados, desligados, adimplentes e inadimplentes. Cláudio Barçante é o nome para a pasta.

O cargo, considerado de extrema confiança e estratégico, é da Flusócio desde 2010, no primeiro mandato de Peter. Barçante é figura conhecida nas Laranjeiras e defensor ferrenho das premissas do grupo, tal qual era de Peter enquanto o mesmo fora presidente do Fluminense.