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Dez anos depois, Fluminense dá o “troco” no Atlético-MG; Relembre o caso Fred em 2016

PV Vasconcellos

Ídolo tricolor, camisa 9 deixou o clube após sete anos e acertou com o Galo em situação semelhante a de Hulk no presente

Tal qual a bola de futebol, a terra é redonda e gira rapidamente. Após anunciar oficialmente a contratação do atacante Hulk, ex-Atlético-MG, com contrato até o fim de 2027, o Fluminense deu o “troco” no clube de Belo Horizonte exatamente dez anos depois. Em 2016, o Atlético se aproveitou de um imbróglio semelhante envolvendo Fred, ídolo tricolor, e o clube verde, branco e grená para fechar com o camisa 9 e tirá-lo de Laranjeiras. Hoje, em 2026 e diante de situação até parecida em alguns aspectos, é o Fluminense quem “rouba” o ídolo atleticano que estava no clube desde 2021. Relembre o caso:

Despedida

Em 2016, após divergências com o treinador da época, Levir Culpi, e com a própria diretoria do Fluminense comandada pelo presidente Peter Siemsen, Fred acabou deixando o Tricolor após sete anos. Aproveitando-se da situação, o Atlético-MG fechou a contratação do camisa 9, que ainda jogaria no Cruzeiro pouco tempo depois antes de retornar ao Fluminense em 2020 para se aposentar.

Em entrevista na época, Fred, visivelmente emocionado, afirmou que não queria ser um “peso financeiro” para o Fluminense, que tinha perdido o patrocínio da Unimed há pouco mais de um ano e não estava conseguindo arcar com os salários mais altos do elenco.

Foto: Mailson Santana/FFC

– Não queria ser um peso para o Flu. Hoje posso ainda não ser, mas as circunstâncias levam a isso… Questões financeiras, algumas outras coisas. Tivemos várias conversas e senti que a melhor alternativa seria uma saída minha. Chegou a hora de sair da minha casa. Construir uma outra família e torcer de longe para o Fluminense – disse Fred em 2016, com a voz embargada em alguns momentos da entrevista.

Revelação de Gum

Anos depois, a verdade veio à tona. Novas informações de bastidores deram conta que o ídolo tricolor passou por um processo de “fritura” no clube. Em sua volta às Laranjeiras para encerrar a carreira em 2020, Fred conversou com o zagueiro Gum, bicampeão brasileiro pelo Fluminense ao seu lado, em uma live especial. O ex-camisa 3 falou abertamente sobre a saída do companheiro e expôs alguns fatos que, na época, foram omitidos.

Atacante se abriu com Gum quando a diretoria resolveu vendê-lo (Foto: Reprodução)

– Eu fui um dos caras que guardei por muitos anos algo particular seu. Lembra lá em Chapecó, entrando no ônibus, uma semana antes de venderem você, você abriu seu coração com um amigo particular e falou: “Vou ter que ir embora, os caras querem me vender”. Me senti honrado por ter me falado, mas sofri porque sabia que você não queria sair. Poucas pessoas sabem disso. Tive que ter o mesmo sentimento de dor e guardar porque não poderia externar que seria ruim – disse Gum, complementando:

– Você aceitou sair para não causar um tumulto, preferiu deixar o Fluminense em paz do que causar tumulto, pois o Fluminense não ganharia nada com isso. Sofri muito, porque quando você saiu foi muito criticado por isso, mas eu não podia externar porque era algo particular seu. As pessoas precisam saber a verdade, você nunca quis sair – admitiu Gum.

(Foto: Mailson Santana – FFC)

Paralelo com Hulk

Dessa vez, foi Hulk, ídolo atleticano, a entrar em rota de colisão com a diretoria do clube mineiro. Desgastes com a SAF e atrasos salariais foram alguns dos fatores que levaram o atacante de 39 anos a querer buscar novos ares, além de um sentimento de desprestígio por parte do atleta com a tentativa do Atlético de “aposentá-lo” ao fim do ano contra sua vontade. O próprio Galo, embora não tenha admitido publicamente, também tinha interesse no divórcio por questões financeiras.

Em janeiro desse ano, já havia a vontade por parte da diretoria atleticana em negociar Hulk, mas a provável saída do ídolo mexeu com a torcida mineira e a repercussão fez os cartolas recuarem. Pouco mais de três meses depois, após uma declaração do jogador à imprensa no apito final da partida contra o Ceará, pela Copa do Brasil, a permanência acabou ficando insustentável.

Foto: Pedro Souza/ Atlético

– Estamos bem, estamos focados. Eu tenho pendências, sim (com o Galo), mas não vou expor ninguém. Quem sabe, pelas conversas que eu tive com quem manda, posso sair do Galo no meio ou no final do ano. Quem sabe, quando eu sair, eu não fale o que precisa ser falado – declarou Hulk.

O “super-herói da Marvel” agora chega ao Fluminense para reencontrar velhos conhecidos dos seus tempos de Galo, especialmente o lateral Guilherme Arana, o volante Otávio e o meia-atacante Savarino. Hulk só poderá estrear após a Copa do Mundo, na reabertura da janela para o segundo semestre. Até lá, seguirá treinando e se preparando para “esmagar” os adversários.

Paulo Vitor Vasconcellos é tricolor fanático, escritor e jornalista formado em 2016 pela Universidade Veiga de Almeida. Trabalhou, de 2015 a 2018, como redator de esportes e, posteriormente, de cinema no portal VAVEL Brasil, cobrindo o Fluminense e a Comic Con Experience 2016 e 2017. Autor do livro Olhos de Lázzuli, ficção e fantasia voltada especialmente para o público infanto-juvenil.

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