(Foto: Lucas Merçon - FFC)

A mesma torcida que durante muitos jogos gritou “DINIZ, DINIZ!” a plenos pulmões, gritou “BURRO, BURRO!” após a catastrófica derrota para o CSA.

Em ambos os momentos esteve certa.

Porque enaltecer o futebol de posse de bola, propositivo e valente do Fluminense era irresistível para o torcedor que durante anos viu um Fluminense acovardado em jogos de maior peso. A torcida – e eu me incluo muito dentro disso – viu alento, viu esperança, viu futuro. Viu um time com poucos nomes de peso bater de frente em propósito contra equipes de muito maior investimento. O Flu era grande, tinha a bola, finalizava mais que o adversário.

Mas em regra perdia seus jogos.

O tempo dirá que Diniz foi um sopro de esperança no Fluminense. É de fato o que eu penso.

Mais Diniz não é maior que o clube, Anos-luz longe disso.

Como manter um treinador que impõe um trabalho diferente e cativante com o Fluminense descendo a escada com a bunda, como se tivesse sido empurrado lá de cima?

O “Burro, burro!” não foi pro Diniz. O “Burro” de uma arquibancada pode querer dizer “burro”, mas muitas vezes significa outra coisa. Como a torcida não tem como combinar o que vai gritar, entra o “Burro” como remédio para tudo.

Mas eu dizia que o “Burro” não foi pro Diniz. Foi um grito de socorro endereçado ao Mário. Grito de socorro que veio da perplexidade de 25 mil tricolores que nem em pesadelo acreditavam que iriam sair do Maracanã derrotado por um time que fez seu último gol fora em Brasileiros na década de 80.

O Fluminense tem 12 pontos. A campanha é pífia. É mais que isso, é aviltante. O Diniz cair nesse cenário é absolutamente natural. Não estamos falando de algo que possa ser relativizado. “Ah… caiu, mas recupera”, “o Fluminense pode cair agora, mas com esse método de jogo daqui a alguns anos seremos imbatíveis”.

Não rola, né? Cair é o cacete!

Eu honestamente não manteria o treinador, mesmo reconhecendo  que será quase impossível um clube sem recursos como o nosso contratar alguém tão capacitado.

Futebol não é ciência, não tem muita matemática. No mínimo o Diniz é um puta azarado. Como um presidente com a corda no pescoço pode olhar para os números do treinador ao longo da carreira e bancar o “fica!” com o time precisando desesperadamente de percentual de pontuação que o cara jamais conseguiu na vida?

Difícil.

Mas, porra, Mário… que momento péssimo! Que infelicidade!

O jogo contra o Corinthians está 0 x 0  e definimos em casa. Está aberto. Sul-Americana é a única competição pela qual podemos brigar. Passou dos paulistas o caminho abre e passamos a ter chances muito concretas.

Na segunda demite-se um treinador super querido pelo grupo para na quinta ir de Marcão no comando do time no jogo mais importante do ano até aqui. Com todo o respeito… Marcão?

Como a equipe vai reagir? Como jogaremos no caldeirão que é aquele estádio levantado com nosso dinheiro para um dos queridinhos da mídia?

Marcão?

Não foi razoável o momento. Seria se o clube já tivesse com a certeza de que teria um novo comandante para organizar um time em frangalhos. Segura o Diniz. Perdeu na quinta? Uma semana para buscar treinador . Mas dois dias? Francamente.

O aceno da direção do clube foi o de jogar o time à própria sorte.

Vão comprar o barulho de quem? Da torcida? Do Marcão, um cara que eles sabem que não ficara no comando? Do Celso Barros, que age como quem ainda pagasse os jogadores do próprio bolso, caprichando nas bravatas fora de hora?

Escrevo este texto às 10 horas da manhã de terça-feira. O jogo é depois de amanhã. Espero que dê tempo de chegar um bom treinador para tentar mexer com o grupo e transmitir grandeza para eles.

Do contrário, jogaremos fora um campeonato que nos levaria à Libertadores e nos daria um título ainda inédito.

Ao Diniz, meu muito obrigado. Que seja feliz em outro lugar e que seja mais flexível em suas posições.

Ao torcedor do Fluminense, meu abraço. Estamos mais perdidos que cocô na enxurrada e garanto que nenhum de nós sabe o que fazer para acreditar que tudo dará certo com essas opções de treinadores que se anunciam.

Bola pro mato que o jogo é de campeonato.

Haja mato.

Abraços tricolores!