Entrevista de Vanderlei Luxemburgo na íntegra a jornal

Entrevista de Vanderlei Luxemburgo na íntegra a jornal

vanderleiSua relação com o Fred é boa?

É. Quando ele estava no América-MG, tentei levá-lo para o Santos. E chegamos perto…

Conversou com o Abel depois que assumiu?

Não, mas pedi ao filho dele (Fábio) o telefone. Vou ligar.

Sentiu-se rejeitado pela torcida do Fluminense?

Isso é coisa do futebol. O cara que é tricolor não quer um rubro-negro no seu clube, mas muda de ideia quando olha o currículo. Joguei no Botafogo, mas era flamenguista. O Abel jogou no Vasco, mas era tricolor. Joel Santana é vascaíno. E quer alguém mais rotulado como português vascaíno do que o Antônio Lopes? Não existe. E ele trabalhou no Fluminense, no Flamengo… Comigo, fazem críticas pesadas porque criei algumas coisas no futebol. Quando você é de vanguarda, passa por isso.

Como assim?

Hoje, todo clube tem nutricionista, fisiologista, assessor de imprensa. Briguei por isso.

Os clubes que te demitiram não pagaram um preço alto em multas?

A multa é da lei. Quem quebra um contrato tem que pagar. E isso é previamente discutido com dirigentes e advogados.

Por que acha que foi demitido do Flamengo?

Não sei. Saí após classificar o time para a fase seguinte da Libertadores. A presidente Patricia foi envolvida porque o (Michel) Levy (vice de finanças) quis. Eles tinham que pagar o meu contrato, né? Quer ver outra coisa? O Grêmio me mandou embora porque não classifiquei o time para a Libertadores. Fui demitido e tenho que pagar?

Você saiu do Flamengo por culpa do Ronaldinho? Vocês têm alguma relação?

Tenho certeza de que foi. Não tenho relação, nem faço questão de ter. Mas liguei para o Kalil (presidente do Atlético-MG) e dei os parabéns pelo título da Libertadores.

O Fla errou ao demitir você?

Achei que erraram. O Michel Levy foi o grande culpado, com o Luiz Augusto Veloso, que é um ministro sem pasta. Ele não decide, mas fica trabalhando por trás. Foi um equívoco, mas passou.

Você já teve problema também com Romário, Edmundo… É difícil a relação com estrelas?

Tive, mas, depois, convoquei Romário e Edmundo para a seleção. Todo grande clube tem que ter um grande dirigente que segure as desavenças e coloque os profissionais nos seus lugares.

Kleber Leite, em 1995, e Patricia, em 2011, falharam nesse aspecto, no Flamengo?

Com certeza. O que o Romário ganhou para o Flamengo? Um Campeonato Carioca (na verdade, dois). E o Ronaldinho? Um Carioca. E o Flamengo continuou…

Kalil enquadrou Ronaldinho?

Ouvi que ele chegou a afastar o Ronaldinho. Ele soube colocar o jogador no seu lugar. É o dirigente que tem que dizer para o jogador: “Você ganha mais dinheiro, é o cara, mas tem responsabilidade”.

O Edmundo…

Pula essa pergunta.

Por que parou de usar terno?

Isso é outra babaquice. No clima daqui, não vejo necessidade. E a Unimed é a patrocinadora master do clube. Tem também a Adidas. A Nike me patrocina. Existe uma relação profissional.

Sentiu-se rejeitado pelo presidente do Fluminense?

É normal um candidato à vaga de uma empresa ser entrevistado. E o presidente do Fluminense não é obrigado a gostar de mim. Não achei anormal. Achei legal…

Sua carreira está em declínio?

O Alex Ferguson ganhou quantas Ligas dos Campeões? E o Capello? E o Mourinho? Ganhei cinco Brasileiros, o mais difícil campeonato do mundo. E o pessoal acha que é muito ruim! As pessoas não estão contentes, não. Querem que eu ganhe tudo. Você tem que analisar a década e, não, os últimos três anos. Fui campeão brasileiro em 2003 e 2004 e ganhei mais alguns títulos. Quantos profissionais ganharam na história da sua carreira o que ganhei em uma década? Isso é sacanagem. Você não consegue ganhar tudo. O Flamengo foi campeão invicto. Quantos campeonatos invictos o Flamengo e o Fluminense têm na história? Agora, Estadual não vale? Se eu perco o Estadual, levo porrada. Quando ganho, vocês dizem que não vale nada. Quem imaginava que o Flamengo ia à Libertadores com aquela confusão toda que estava lá? Quem imaginava que o Grêmio ia? O pessoal fala muito porque quer me dar porrada.

Dá para pensar em título pelo Fluminense?

Dá. A primeira coisa é entrar no G4 e ver a distância em relação ao primeiro colocado, para aí sim falar em conquista. Tenho que recuperar o time, que é bom e tem que começar a ganhar.

Você ainda quer ser presidente do Flamengo?

Já firmei esse conceito há muito tempo. Não me traz benefício nenhum discutir isso agora que estou trabalhando no Fluminense. Não me deixa confortável. Não quero ficar falando em Flamengo porque respeito o clube que me contratou e está pagando o meu salário. Respeito o Fluminense. Não quero discutir minha condição de rubro-negro mais.

Já está pensando em aposentadoria?

Não. Ainda tô com a pipa apontada pro céu (risos).