Entrevista na íntegra com Wallace, ex-Fluminense, a portal

Entrevista na íntegra com Wallace, ex-Fluminense, a portal

Foto: Photocamera
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Emprestado pelo Chelsea (ING) por uma temporada para a Internazionale (ITA), Wallace tem planos ambiciosos. A revelação do Fluminense, de apenas 19 anos, sonha alto e afirma que realizará seu maior desejo: vestir a camisa do Real Madrid (ESP). Confira a entrevista completa:

 

Você veio para a Europa para jogar no Chelsea, viveu em Londres, mas acabou vindo para ao Inter de Milão. Já sabia que seria emprestado quando chegou?

– Não, ninguém me tinha dito nada. Eu fui para o Chelsea em junho pensando que iria ficar. Durante a pré-temporada, eles me avisaram que eu não ia poder ficar no clube, porque não tinha permissão para jogar por causa do passaporte (as vagas de extracomunitários já estavam preenchidas). Eles me disseram que iria ser emprestado, mas não me falaram para qual time. Depois soube que me queriam emprestar ao Vitesse, para onde foi o Lucas Piazon, mas eu disse que não queria. Eu pretendo jogar, aparecer, não queria ficar lá escondido na Holanda num time sem tradição e preferi esperar.

Foi o Mourinho quem te ajudou a vir para o Inter de Milão?

– Eu expliquei as minhas razões ao Mourinho, mas foram os dirigentes que resolveram tudo. Havia o interesse de alguns times italianos, mas eu também preferia a Inter de Milão. Mourinho me disse que tinha gostado muito de mim, que gostava muito que eu ficasse no time, mas que infelizmente não ia ser possível. Ele perguntou se eu já sabia o time para onde ia. Eu disse: “Professor estão querendo me emprestar para o Vitesse, mas eu não quero ir, não”. Eu quero jogar num time grande, ter visibilidade para poder voltar no ano que vem. Ele já sabia que havia o interesse do Inter, mas não falou nada.

Quando você soube que vinha para Milão e para o futebol italiano, que conselhos ele lhe deu?

– Tinha Inter de Milão e Roma. Quando o Mourinho me falou do Inter de Milão, eu me surpreendi. O Roma depois contratou o Maicon e foi aí que surgiu o Napoli também. Mas entre Inter de Milão e o Napoli qual tem mais nome? Inter. Até porque o grupo do Napoli já estava fechado e o Inter estava renovando o time, contratando jogadores jovens e o treinador é muito bom. Eu disse que preferia o Inter. O Mourinho me disse para me dedicar ao máximo que estava indo para um time muito bom. Ele me pediu para manter a cabeça no lugar e para me dedicar bastante que eu me ia dar muito bem no futebol.

Hoje no Inter de Milão você já jogou alguns minutos, mas a titularidade é do Jonathan, ex-Santos. Como é que vai essa competição? 

– É, é assim mesmo. Ele me dá carona quase todos os dias para o treino. Ele mora aqui perto de mim, somos amigos, mas eu não fico quieto na minha, não fico quieto não. Eu quero demonstrar ao Mazzarri que mereço uma chance. Presto muita atenção no treino, ouço muito os conselhos do professor. Tento melhorar a marcação, o passe e a fase atacante também.

O Jonathan na sua primeira temporada no Inter de Milão foi emprestado ao Parma, depois voltou para ser titular. Não seria melhor para você poder jogar mais minutos seguir o mesmo percurso? 

– Não. Eu vou me assumir no Inter mesmo. Eu trabalho todos os dias muito duro e tenho a certeza que a hora certa vai chegar. Quando a oportunidade chegar eu vou tentar aproveitar, jogar bem para um dia ser titular do time.

Você é muito ambicioso?

– Sempre fui desde pequeno.

Você sempre foi lateral-direito ou já jogou em outras posições?

– Eu comecei minha carreira jogando como atacante, mas como queria passar num teste do Fluminense e eles estavam precisando de lateral direito, eu pedi para fazer teste nessa posição. O treinador gostou e estou até hoje jogando nessa posição.

Mas foi difícil essa mudança?

– Para passar num teste para um clube grande, vale tudo. Mas foi fácil, porque eu era muito novo, fui aprendendo a gostar e fui-me acostumando. Hoje não quero sair dessa posição. É a melhor coisa.

Antes de Inter, Chelsea e do Fluminense, como é que tudo começou?

– Como todos os garotos brasileiros, sempre sonhei em ser jogador de futebol e comecei jogando na pelada como todo o mundo. Em Irajá tinha uma escolinha, a minha mãe me inscreveu lá e eu gostava muito. Perto do meu bairro, havia um núcleo do Fluminense e a minha família me levou lá. Essa escola era paga, mas eu tive sorte e ganhei uma bolsa. Fiquei jogando lá um tempo, mas foi pouco, porque logo depois me levaram para fazer o teste no Fluminense. Tinha um amigo que jogava lá e a família dele me levou para conhecer e fazer um teste. No segundo teste, o clube já me contratou, fui federado. Eu só tinha 9 ou 10 anos.

Já era assim tão bom com essa idade?

– É, eu aprendi na rua mesmo. Sempre com a bola, tentando coisas novas. Mas como lateral, você não precisa ter muita habilidade, eu tinha força e corria para cima.

Você já tinha contrato com essa idade? Quanto é que ganhava jogando na base do Fluminense?

– Não chega a ser um contrato. Eles me davam uma ajuda de custo que varia de jogador para jogador. Eu ganhava um pouco mais, porque desde os 12, 14 anos comecei jogando na seleção brasileira. Não me lembro bem, mas acho que dava uns R$ 8 mil por mês. Dava para ajudar a família, pagar as despesas e compras as passagens. Mas não era muito. O meu primeiro contrato profissional foi com 16 para 17 anos.

O Deco tem uma experiência muito vasta aqui na Europa. O que é que ele lhe falou sobre o Chelsea?

– Ele falava que ia mudar muita coisa, que Londres não era o Brasil e que o futebol de lá era diferente, mas que eu iria me adaptar. Disse para ficar tranquilo que ia dar tudo certo.

Com a chegada do Deco, você já ficou com um pé no Chelsea. Eles compraram 40% do seu passe. Tudo aconteceu muito rápido para você?

– A vida de jogador de futebol é muito rápida. Quando o Deco chegou no Fluminense, o Chelsea e o Flu fizeram um acordo e o Chelsea adquiriu 40% do passe de três jogadores. Eles me escolheram pela minha presença regular nas seleções de base. Eu sempre fui titular da seleção desde os sub-14 até aos sub-19. Também escolheram o Ronan e o Rafael Pernão que agora está no Internacional. O meu empresário me chamou a mim e ao Ronan e disse que o Chelsea tinha-nos escolhido, mas avisou que não era nada certo e que para sermos comprados tínhamos de trabalhar muito mais do que tínhamos trabalhado até agora. Foi o que eu fiz.

Em junho, depois de ter ficado no Fluminense mais seis meses, você chegou a Londres e como foi o seu primeiro contato com Mourinho?

– Eu gostei muito dele. Para mim é um dos melhores do mundo. Todos me falavam que o Mourinho era marrento e que não gostava de brasileiros, mas quando você o conhece pessoalmente, ele te encanta. Ele gosta dos brasileiros, ele tenta ajudar todo o mundo e no pouco tempo em que eu fiquei lá, ele me elogiou muito, me deu confiança, conversou muito comigo.

Ele disse se você voltará ao time na próxima temporada?

– Não, ninguém falou nada e eu nem gosto muito de falar do Chelsea, porque agora estou no Inter de Milão, estou feliz aqui, estou gostando muito e deixo a decisão nas mãos deles. Eu estou num grande clube.

Durante a pré-temporada como era a sua relação com os ídolos do time, o Lampard e o John Terry?

– Tudo gente boa, eles brincavam muito comigo, quando eles falavam devagar eu entendia algumas coisas, a gente brincava na roda do bobo e o Ramires traduzia tudo.

Se adaptou rapidamente a Londres, mas teve de vir morar para Milão. O que acha da sua nova cidade?

– Aqui é muito bom. Já conheci o Duomo, a catedral é muito linda. Visitei a catedral com a minha namorada. Conheci outros brasileiros da Inter de Milão, o Juan e o Jonathan, que moram aqui do lado. Também saí algumas vezes, tem lugares muito legais e o clima, para já, está ótimo.

A sua namorada vem viver com você?

– Não, porque nós somos muito novos. Eu tenho 19 e ela tem 18 anos. Não é a hora certa, ela ainda tem os estudos dela no Brasil, então vai ficar lá, mas nos respeitamos muito.

E no Rio de Janeiro, você também saía muito na noite?

Eu saía no dia certo, quando não tinha treino nem jogo. Eu ia muito num lugar chamado Rei do Bacalhau, que é um restaurante que tem uma balada do lado. Tocava funk, pagode, música ao vivo. No Rio a gente a gosta muito de funk.

Você também gosta de dançar na celebração de gols?

– Não, não, isso não é comigo não. Eu deixo para o Neymar.

Aqui na Europa, os jogadores brasileiros têm fama de baladeiros.

– Eu sei, mas não é verdade. Outros jogadores estrangeiros fazem muito mais besteira do que nós brasileiros.

Você vai ficar na Inter de Milão esse ano e o que deseja para seu futuro?

– Estou num grande clube, quero ficar aqui ser titular ou voltar para o Chelsea. Eu gostei muito do Chelsea. No futuro, eu tenho o sonho de jogar na Espanha, no Real Madrid. Desde pequeno o meu sonho é o Real Madrid, queria jogar ao lado do Cristiano Ronaldo, mas não pretendo ir para o Real Madrid agora, eu sou muito novo e quero ficar muitos anos na Europa.

Prefere o Cristiano Ronaldo ao Messi?

– Para mim, ele é mais completo, faz gols lindos, joga muito bem de cabeça, chuta com os dois pés e me parece mais companheiro dentro de campo. O Messi também é completo, mas não usa muito a perna direita, então eu prefiro o Cristiano Ronaldo.

Se o Real Madrid te chamasse no final da temporada, você iria?

– Não, não é o momento certo. Eu pretendo ficar aqui no Inter ou no Chelsea. Tem muita coisa para acontecer ainda na minha carreira antes de realizar esse sonho.

O primeiro jogo grande da temporada, contra o Juventus, você ficou no banco. Ficou desiludido?

– Mas foi bom, foi o primeiro clássico, vi o Pirlo, o Tevez jogando. Para um jogador de 19 anos é demais ver esses caras e ter contato com eles. No final, ainda troquei a camisa com o Pirlo, saí correndo atrás dele para o vestiário e perguntei Pirlo, Pirlo – “tutto bene”?; “cambia cambia” – apontando para a camisa. Ele deu a dele, foi muito legal. Eu gosto muito dele, joga muito.

Que outras camisetas você vai pedir na Série A?

– A do Kaká e a do Balotelli. Só esses e a do Pirlo que já tenho. Não gosto muito de trocar camiseta, prefiro guardar de recordação, dar para alguém da minha família, fazer um quadro. Mas com esses caras, eu gostaria de trocar.

Os dois principais laterais direitos do Brasil, o Maicon e o Daniel Alves, vão lutar pela vaga de titular na Copa do Mundo. Com qual  deles você se parece mais?

– Com o Maicon sem dúvida.

Quem é o seu ídolo no futebol?

– O Cafu. A história dele é muito legal, ele nunca desistiu de nada e eu sou assim. Fez história no São Paulo, no Roma, no Milan e na seleção brasileira. Ele me inspirou, eu nunca vou desistir de nada.

 


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