(Foto: Lucas Merçon - FFC)

Bem avaliado. Um dos mais respeitados analistas de finanças e marketing do futebol brasileiro, Amir Somoggi deu notas a pedido do Blog do jornalista Jorge Nicola para os 20 clubes da Série A baseando-se na realidade apresentada por eles neste momento. E engana-se quem pensa que os ponteiros do Brasileirão são, necessariamente, aqueles melhor avaliados.

Ao citar o Fluminense, o especialista destacou que o Tricolor é o único que faz frente ao Fla.

CHAPECOENSE: Nota 0
Está devendo mais de R$ 100 milhões e publicou seu balanço fora do prazo. Esconder dívida não vai ser nunca o melhor modelo de gestão. A Chapecoense publicou seu balanço fora do prazo e isso é uma vergonha.

SPORT: Nota 0
Situação muito difícil, com dívidas grandes, receitas baixas… era para estar numa situação muito melhor. E ainda divulgou o balanço com atraso.

CORINTHIANS: Nota 3
Um clube que fechou os últimos dois anos com R$ 300 milhões de prejuízo merece nota baixa. E tem mais: por que o Palmeiras e o Flamengo conseguem patrocínios fortes e o Corinthians não? Porque eles têm credibilidade, algo que o Corinthians perdeu nos últimos anos.

SANTOS: Nota 5
Está vivendo um drama. Não adianta só cortar custos e equacionar finanças. Precisa aumentar receitas, acelerando o departamento de marketing. O presidente Andrés Rueda recebeu um clube quebrado. O Santos tem a nona maior torcida do Brasil, mas é disparado o mais conhecido no exterior. E o que ele tira de proveito em relação a isso? Nada!

SÃO PAULO: Nota 6
Melhorou muito com o Julio Casares, mas ainda está aquém do que pode. Pego no pé do São Paulo, porque tem a terceira maior torcida do Brasil, entre os jovens cresce ainda mais, e encosta no Corinthians entre torcedores com cinco a dez salários. Um esforço maior de marketing e inovação tecnológica podem fazer o São Paulo ocupar o espaço que hoje é do Palmeiras.

INTER: Nota 7 Vem de gestões péssimas. A atual administração demonstra certa melhora, o clube está mais organizado, mas ficou para trás em termos de gestão financeira.

AMÉRICA-MG: Nota 7
Está virando o segundo time de Minas Gerais, ocupando espaço que o Cruzeiro deixou. É um clube muito interessante, que consegue crescer graças à estruturação econômica e financeira.

BAHIA: Nota 7
Baita clube, porque fatura mais do que o Santos com bilheteria, fatura bem com patrocínio… O problema hoje tem sido esportivo, com erros de contratação de técnico e jogadores. Outra coisa: 50% da torcida é de uma renda muito baixa. 

FLUMINENSE: Nota 7

É o único do Rio de Janeiro que faz um contraponto ao domínio do Flamengo, impedindo que o Flamengo se torne hoje um Bayern de Munique.

FLAMENGO: Nota 7
Fez ótimo trabalho interno de gestão, esportivamente vai muito bem, mas tenho que fazer uma crítica dura ao egoísmo da diretoria. Isso não é bom, porque as marcas estão olhando para tudo. Por que ser tão duro nas negociações, a ponto de criar uma cisão com os outros clubes?

ATLÉTICO-MG: Nota 7
Gasta o que tem e o que não tem. Se não tivesse o apoio dos mecenas, não teria nada. Nem Arena MRV, nem Hulk, nem Diego Costa… O Atlético-MG é um clube de faturamento de R$ 200 milhões por ano.

PALMEIRAS: Nota 7
Tem a questão da Crefisa, que contrata jogador, paga salário de jogador, paga um patrocínio que equivale a três vezes o valor de mercado. Se o Palmeiras tivesse feito o trabalho do Flamengo, seria nota 10. Acho que o Palmeiras faz pouco com o dinheiro que arrecada.

FORTALEZA: Nota 8
Segue a linha do Ceará, embora com uma situação um pouco pior. Não é à toa que a dupla cearense está despontando. Um clube puxa o outro.

ATLÉTICO-GO: Nota 8
Outro clube emergente, com modelo a ser replicado por times de outras divisões.

JUVENTUDE: Nota 8
Conseguiu subir para a Série A com um orçamento baixíssimo, e fatura bem.

CUIABÁ: Nota 8,5
Clube que tem muito apoio local. Principal fonte de renda depois da TV é patrocínio, quase sempre de empresas locais. Poderia servir de modelo para clubes médios, que não conseguem se encontrar.

ATHLETICO-PR: Nota 10
Clube que tem 1% da torcida brasileira, mas é dono de um dos maiores ativos imobilizados do futebol brasileiro. Só um asterisco: era hora de renovação na minha opinião. O Mario Celso Petraglia já cumpriu seu papel. O Athletico poderia ser mais forte em termos de marketing, comercial e futebol.

CEARÁ: Nota 10
É o clube mais eficiente do Brasil. É aquele que mais faz com menos recursos. Uma grata surpresa. É tão difícil um clube do Nordeste sobreviver e ir bem em praticamente todas as competições com um orçamento enxuto.

RED BULL BRAGANTINO: Nota 10
Tem investimento grande da Red Bull, mas apresenta um custo de futebol menor que o do Athletico, e disputa palmo a palmo as primeiras posições do campeonato. Isso sem falar do padrão estético e da comunicação do clube.

GRÊMIO: Nota 10
Fechou com US$ 7 milhões de lucro mesmo na pandemia, enquanto vários clubes tiveram prejuízos milionários. Além disso, tem gastos controlados, boa gestão…