Se uma imagem vale mais do que mil palavras, imagine três delas, pelo menos. Um dos maiores clubes do futebol brasileiro, o Fluminense vem tendo grandes dificuldades para contratar reforços nesta temporada, mesmo com a saída de quase três dezenas de jogadores do elenco. Além dos problemas já conhecidos, como a falta de patrocínio master, fornecedor de materiais esportivos e dívida com o vice-presidente de projetos especiais, Pedro Antônio, o clube precisa lidar, periodicamente, com promessas não cumpridas levadas à Justiça. Tal exemplo é materializado pelos processos dos agentes do goleiro Diego Cavalieri e zagueiro Henrique, além do meia Diego Souza, cobrando atrasos no pagamento de comissões de quase R$1,5 milhão.

No caso envolvendo o goleiro Diego Cavalieri, a Lal Consultoria E Marketing Desportivo Ltda, com nome fantasia “Gestifute Brasil”, tendo como sócios os ex-jogadores Luizão e Deco, cobra R$ 528 mil. O valor é referente de um contrato de comissão firmado no ato do novo compromisso feito pelo goleiro no primeiro dia de janeiro de 2015, logo depois da saída da Unimed. O processo foi “encerrado” com um acordo entre as partes, no qual o Fluminense se comprometeu a pagar R$ 175.149,04 em oito parcelas de R$ 21.893,63, sendo que a primeira venceu no último domingo, dia 15, sem ter sido efetuado o depósito.  Procurado, o clube não quis se manifestar sobre o tema. Já um dos agentes de Cavalieri, Luizão, falou ao NETFLU sobre a situação.

– Eles vão pagar todo esse valor aí. Esse primeiro acordo foi das parcelas vencidas. Ainda tem mais coisas pra frente referentes à mesma situação. Não sei te dar mais detalhes porque não estou no meu escritório agora, mas foi feito um acordo e eles têm de pagar mesmo – frisou.

Como de praxe, em todos os processos constam a assinatura do ex-presidente do clube, Peter Siemsen
Os pagamentos da renovação de Cavalieri estavam agendados desta forma e não vinham sendo honrados pelo Fluminense, por isso a ação da empresa dos ex-jogadores Deco e Luizão

A ação do armador Diego Souza, que ficou poucos meses no Fluminense – onde recebia mais de R$ 400 mil mensais – e saiu de forma polêmica, quando teria aceitado ganhar menos no Sport, segue roteiro similar ao de Diego Cavalieri. Em síntese, a empresa “DSA”, cujos sócios são Diego Souza e seu pai, cobra R$ 56.337,00, referentes a duas parcelas do contrato de comissão que foi firmado no ato da contratação do atleta, no início de 2016. No processo, não há o contrato inteiro, apenas o de rescisão. O Tricolor também não quis se manifestar sobre esta situação, assim como o próprio atleta, após ser procurado pela reportagem do NETFLU.

Diego Souza é proprietário da empresa “DSA”, ao lado de seu pai, que cobra, na Justiça, a comissão de sua contratação ao Fluminense

O fato mais emblemático e “pesado”, financeiramente falando, envolve a contratação do zagueiro Henrique, titular durante todo o ano de 2016 e, provavelmente da equipe de Abel nesta temporada. Com sede na Bahia, a empresa Imagem Soccer Assessoria E Marketing Ltda, que tem como sócios Oldegard Pinto da Silva Filho e seu filho, fazem a cobrança de R$ 1,2 milhão referente a comissões. O portal número 1 da torcida entrou em contato com a assessoria do jogador. Ela explicou que Henrique não se manifestaria, pois a cobrança é feita especificamente pelos agentes que participaram da negociação do atleta e não pelo zagueiro. Oldegard Pinto da Silva Filho foi contatado pelo NETFLU, mas não atendeu aos telefonemas. A exemplo dos outros casos, o Fluminense também preferiu não se manifestar acerca do processo movido sobre os atrasos envolvendo as comissões do contrato do defensor.

O Fluminense pagou apenas a primeira parcela do comissionamento, no valor de R$400 mil

É importante frisar que, no passado, os empresários recebiam direto dos atletas. Entretanto, após muitos “calotes”, houve um acordo entre os jogadores e agentes em passar a conta para os clubes, ou seja, o percentual que era do atleta foi separado e ficou sob a responsabilidade das equipes de futebol. Uma pessoa ligada ao futebol do Fluminense destacou que “essa é a força do mercado sobre os clubes”. Daí por diante, o Tricolor, que se recusava a pagar comissão ao empresário, não conseguia mais contratar jogadores. Como um dos grandes devedores de agentes do mercado, apesar de outros clubes apresentarem os mesmos problemas, o Fluminense sofre com a perda de credibilidade. No Brasil, as comissões geralmente variam entre 8% e 10% do valor integral do contrato de um atleta profissional, pagos de forma parcelada.

As ocorrências citadas de cobrança estão na Justiça, mas há outros casos que ainda não saíram da esfera da notificação. Some-se a isto o atraso no pagamento dos direitos de imagem de jogadores, assim como a demora no pagamento de massagistas, roupeiros e diversos funcionários. Tentando apagar o incêndio das finanças, o presidente do clube, Pedro Abad, só liberará contratações onde o Fluminense não invista um centavo além dos salários, por ora. Ao comando do futebol, a maior satisfação até o momento é o fato de que o elenco está “fechado” com o técnico Abel Braga. Enquanto isso, cada vez mais desconfiados, os agentes do mercado futebolístico observam o Tricolor.