A nova fase do projeto Fluminense-STK Samorin incluiu a ida do treinador do sub-17 tricolor para a Eslováquia. A decisão pegou Celso Martins de surpresa, que topou o desafio. Em duas semanas estará no Velho Continente. O portal Uol o entrevistou sobre o desafio na carreira e o profissional contou detalhes da iniciativa tricolor na Europa. Veja na íntegra:

 

Em duas semanas teve que decidir sair do Rio e morar um ano na Eslováquia?
Pertinho, logo ali, né? Mas foi tudo bem legal. A primeira sondagem eu fiquei bem tenso pela diferença do país, da cultura, da minha família, pois sou casado e tenho um filho de dois anos. Depois percebi que seria bacana profissionalmente para mim e resolvi encarar o desafio.

Você poderá levar a família?
Não. Eu vou agora e eles vão me visitar em agosto. Depois, em novembro, eles têm férias por causa do inverno e aí poderei dar um pulinho no Brasil e ficar mais de um mês aqui.

O Fluminense acabou de subir da terceira para a segunda divisão do país. Qual o objetivo?
O clube aposta muito nesse projeto. Fizemos um monitoramento dos atletas da região e conseguimos nos reforçar bem, além de levarmos cinco atletas aqui do Fluminense. O objetivo é subir para a primeira divisão.

Cinco jogadores do Flu vão para lá com você, mas como será lidar com os demais atletas?
 Vamos ter que conversar, bater um papo. Uma das exigências é que os jogadores que farão parte do elenco falem inglês. Mesmo assim estou levando um aplicativo para não ter erro na hora de comunicar. Eu falo em português e sai a frase em eslovaco. Já testei e está dando tudo certo [risos]. Já até criei uma lista com algumas frases que usamos muitos nos treinos. O inglês vai encurtar a distância, mas também estou confiando no tradutor [risos].

E para os jogadores do Flu? Estão encarando como uma grande oportunidade?
Se eu fosse eles, iria para ontem. Dois deles foram meu atleta no juvenil ano passado. Eles não estão tendo tantas oportunidades nos juniores e têm essa oportunidade de ir para lá novos. Um garoto desse que está no futebol ter esse contato com a Europa, com frio, nova cultura, é algo que não podem deixar passar. Vão amadurecer muito e estarão muito mais preparados em caso de uma venda futura.

O Marcelo [Teixiera, diretor da base] bate muito nessa tecla. Nosso time campeão do sub-20 tinha muitos jogadores que tiveram essa experiência de ir e voltar. Vão meninos e voltam homens. Infelizmente a cultura do jogador aqui no Brasil é de um cara mimado, elogiam muito e falam onde realmente tem que melhorar. Essa experiência é um choque de realidade importante para eles.

Dos cinco jogadores que vão, alguns deles já tiveram experiência parecida?
Conversei com alguns deles que moram meus atletas e ficaram ainda mais animados em saber que eu estaria junto deles lá. Falei para eles que estávamos com uma oportunidade de fazer história no Fluminense. É um projeto inovador e estamos muito felizes de ter sido escolhidos. Temos que aproveitar.

Um projeto parecido do Flu é o intercâmbio, quando atletas ficam na casa de famílias locais. Será assim também?
Não, eles vão dividir um apartamento. É uma responsabilidade ainda maior. Isso, inclusive, é uma das minhas funções extracampo que vou ter lá. Vou na casa deles, vendo se tudo está correndo bem na disciplina de organização, higiene. O clube como um todo vai comprar para ter esse papel fora de campo também. Têm muita qualidade no campo e vão ter que mostrar esse outro lado fora dele agora.

Os jogadores vão para lá com o objetivo de serem vendidos ou de voltar com mais experiência?
Temos esses dois caminhos bem viáveis. Não só para os dois atletas, mas eu também, temos que ir com esse pensamento de voltar mais maduro e completos. No caso dos garotos, claro, tem essa possibilidade de serem negociados e gerar um valor para o clube.

Chegou a pensar em não encarar esse desafio?
Cheguei, sim. O primeiro papo foi com nosso coordenador, Marcelo Veiga. Estávamos falando sobre campo e ele tocou nesse assunto. Eu tenho um filhinho de dois anos, que é a minha paixão. Ele nasceu com síndrome de down e temos uma relação de afeto maior ainda. Foi muito difícil imaginar ficar longe dele, mas depois pensei que isso tudo que vou fazer agora é para ele também. Vi que valia a pena e aceitei.

Não foi fácil, então…
Quando minha família amadureceu a ideia também, aí não teve mais volta. O Teixeira também vende o projeto de uma maneira muito convicta e faz você acreditar que tudo vai dar certo. Estou indo de peito aberto agora.

O STK-Fluminense fala até em jogar a Europa League…
O Fluminense pensa grande. É bom trabalhar assim. Para os profissionais e atletas isso é muito importante, pois nos engrandece também.

Estudou a Eslováquia?
Bastante. Google direto, Wikipedia… Comida pelo o que vi não parece que vai ser tão fácil. Tem uma sopa tradicional lá com nome bem complicado [risos]. Os doces parecem ser bem bons. Na Bratislava [Capital] é uma cidade grande, com tudo. Shopping e tal. Mas nós vamos ficar em Samorim, uma cidade bem pequena a 17km da capital. Será foco total no trabalho.