
Modelo de cor grená tem detalhes tricolores na gola e na manga
Nesta terça-feira, o Fluminense divulgou o lançamento da camisa comemorativa para o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro (próxima quinta-feira). A peça, na cor grená com detalhes em tricolor, homenageia a dupla Washington e Assis, que formam o lendário Casal 20 e marcaram época na década de 1980.
Confira mais detalhes da peça e sobre o conceito da peça que foram divulgados pelo clube:
A camisa reúne significados culturais e simbólicos ao clube e à cultura negra. A escolha por elementos afro-diaspóricos reafirma o compromisso do clube com memória, ancestralidade e educação antirracista. Um dos itens presentes na camisa é o Nea Onnim, um símbolo adinkra dos povos Akan, originários de Gana, que traduz “aquele que não sabe pode aprender”.

A inclusão do Nea Onnim, tradicionalmente associado à sabedoria e ao aprendizado contínuo, convida a torcida a reconhecer que o enfrentamento ao racismo exige conhecimento, escuta e transformação coletiva. Ele acompanha a frase “Recordar é viver” nas costas da camisa, reforçando que a desconstrução do racismo, para o clube, é um compromisso contínuo, e que o desconhecimento não encerra o diálogo, mas abre a porta para o aprender. A frase, eternizada pelo Casal 20, funciona aqui como um chamado à preservação da memória negra tricolor.
Outro detalhe marcante no desenho da camisa é a Espada de São Jorge, planta originária da África e trazida para o Brasil pela população diaspórica. Ela é utilizada em rituais religiosos de matriz africana e conhecida como planta de proteção contra o mau-olhado, tradicionalmente colocada próxima à entrada das casas. O desenho aparece em uma padronagem por toda a camisa.

O escudo do Fluminense é exibido em versão monocromática, com relevo inspirado por grafismos africanos, unindo estética e memória para evidenciar a presença negra que estrutura a trajetória tricolor.
Washington e Assis, que marcaram época na década de 1980 conquistando o Campeonato Brasileiro de 1984 e o tricampeonato estadual de 1983-84-85, aparecem em um patch estilizado na barra frontal direita. A parte traseira da camisa traz a frase “Recordar é viver”, associada à dupla. A presença do Casal 20 não é apenas uma celebração esportiva, mas um gesto político de reconhecimento: atletas negros foram fundamentais para as maiores alegrias do clube e permanecem como símbolos de genialidade, amor à camisa e resistência.

Paulo Vitor Vasconcellos é tricolor fanático, escritor e jornalista formado em 2016 pela Universidade Veiga de Almeida. Trabalhou, de 2015 a 2018, como redator de esportes e, posteriormente, de cinema no portal VAVEL Brasil, cobrindo o Fluminense e a Comic Con Experience 2016 e 2017. Autor do livro Olhos de Lázzuli, ficção e fantasia voltada especialmente para o público infanto-juvenil.
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