Como o texto hoje terá muitos números, vou evitar grandes comentários, justamente pra facilitar a leitura e que cada um tire sua conclusão.

Também optei por não colocar todos os times nos números, ficaria enorme e o leitor da Flupress quer saber do Fluminense, portanto, coloquei apenas os melhores, os piores e o Fluminense.

Vamos lá:

Classificação do Campeonato Brasileiro de 2020

1 Flamengo
2 Internacional
3 Atlético
4 São Paulo
5 Fluminense
6 Grêmio
7 Palmeiras
8 Santos
9 Athletico
10 Bragantino
11 Ceará
12 Corinthians
13 Atlético Go
14 Bahia
15 Sport
16 Fortaleza
17 Vasco
18 Goiás
19 Coritiba
20 Botafogo

É importante essa classificação no texto porque será legal relacionar os números às posições na tabela. Se a gente fizer uma pesquisa entre o torcedor sobre o que funcionava no Fluminense no último Brasileiro, a resposta será unânime: o sistema defensivo.

Só que o Fluminense foi melhor na quantidade de gols marcados do que na quantidade de gols sofridos.

Melhores defesas
1 Flamengo
2 Atlético
3 Inter
4 São Paulo
5 Fluminense

Melhores ataques
1 Internacional
2 Athletico
3 Palmeiras
4 Grêmio
5 Bragantino
7 Fluminense
12 Flamengo

Reparem que aquela frase “ataque ganha jogos e defesa ganha campeonatos” é apenas mais um chavão do futebol. Se pesquisarmos (e isso já foi objeto de estudo) não há uma relação tão importante entre ser a melhor defesa e ser campeão. Também não há essa relação entre ter o melhor ataque e ser campeão. Há times que vencem com melhor defesa, com melhor ataque e, alguns mais raros, com os dois.

No último Brasileiro os ataques dominaram. Dos 5 primeiros da classificação, os 5 dominaram os ataques. O Fluminense foi melhor em gols marcados que sofridos e o campeão foi a décima segunda defesa da competição.

De qualquer forma, a torcida do Fluminense não está toda sem razão ao apontar pro sistema defensivo. O Fluminense se destaca como top 5 em todas as estatísticas defensivas, ou seja, essa percepção encontra eco nos números.

Desarmes por jogo
1 Bragantino
2 Flamengo
3 Fluminense
4 Palmeiras

18 SãoPaulo

Chama atenção aqui o São Paulo. Ponta da tabela e zona de rebaixamento em desarmes. E o Flamengo, mesmo com muita posse de bola, desarma muito.

Interceptações por jogo
1 Bragantino
2 Sport
3 Fluminense
4 Corinthians
5 Goias

18 São Paulo

Eficiência de contra-ataque adversário – quantidade de contra-ataque que gera finalização
1 Inter
2 Bragantino
3 Fluminense
4 Palmeiras
5 Ceará

18 São Paulo
20 Atlético-MG

De novo chama atenção o São Paulo e dessa vez o Atlético. Se explica em parte por terem muito a bola ter muito a bola, em outra parte a pouca agressividade e também uma estratégia de seus adversários que sabiam da vulnerabilidade desses times nas transições.

Outro time que chama muito a atenção é o adversário do Fluminense na Copa do Brasil. O Bragantino foi top 5 em todas as estatísticas defensivas até aqui (reflexo direto da agressividade do seu jogo). Também se classificou em primeiro do seu grupo na Sul-Americana. Também podemos ver o quanto a marcação é feita lá na frente.

Percentual de bolas recuperadas no campo de ataque
1 Flamengo
2 Atletico-MG
3 Bragantino
4 Palmeiras
5 Internacional

12 Fluminense

E agora vamos ao jogo com a bola, à parte ofensiva.

Posse de bola
1 Atlético-MG
2 Flamengo
3 São Paulo
4 Athletico
5 Palmeiras

10 Fluminense

17 Bahia
18 Sport
19 Ceará
20 Goias

A posse de bola avalia estilo. Ela guarda relação direta com estar na ponta da tabela. No Brasileiro não foi diferente, dos 5 primeiros, 3 estiveram entre os melhores em posse. Por outro lado, os que tiveram menor média de posse, estão na parte de baixo da tabela, excetuando o Ceará do Guto que se destacou no jogo de transição.

O Fluminense fecha o Brasileiro com 48,8% de média, ou seja, quase 50%. O Fluminense hoje tem média de 37,7% de posse de bola na Libertadores. Pesquisei muitas ligas e torneios e não achei nenhum campeão com menos de 40% de posse, nem o Leicester City de 2015/2016. Portanto, um número próximo ali dos 50% é vital pra ficar na parte de cima.

De qualquer forma, só a posse não diz muito. Vamos avançar para o Domínio Territorial que mede os passes completados no último terço do campo.

Lembrando que um time pode ter mais posse num jogo e menos domínio territorial e essa situação ocorreu em 55 jogos do campeonato com 25 vitórias do time com mais domínio territorial, 12 vitórias com time de mais posse e 18 empates.

Segundo uma das fontes desse post (o analista Caio Batatinha), ao aplicar uma regressão linear entre pontos e posse de bola e pontos e domínio territorial, a relação entre ponto e domínio territorial é da ordem de 64% e em relação a posse é de 46%.

Domínio Territorial (quem mais empurrou seu oponente)
1 Flamengo
2 Atlético-MG
3 São Paulo
4 Grêmio
5 Bragantino

17 Fluminense
18 Goias
19 Coritiba
20 Bahia

Essa estatística é impressionante. Dos 10 primeiros do Campeonato Brasileiro, 9 estão entre os 10 em domínio territorial. A exceção: o Fluminense, em 17º. Mais uma vez os piores times no quesito estão na parte de baixo da tabela.

Finalizações por jogo
1 Atlético Mg
2 Flamengo
3 Bragantino
4 São Paulo
5 Palmeiras

15 Fluminense

Grandes Chances Criadas (perdidas + aproveitadas)
1 Flamengo
2 Atletico-MG
3 Inter
4 São Paulo
5 Palmeiras

19 Fluminense

O Fluminense em posse de bola é meio de tabela, mas quando a gente avança pra estatísticas que avaliam ofensividade (Domínio Territorial, Finalizações, Grandes Chances), dos 5 primeiros, Flamengo, Atlético e São Paulo estão em todas e o Fluminense é um dos piores do campeonato, também fica em 14º lugar em entradas na área do adversário.

O Internacional também não aparece entre os melhores nesses números, embora não fique tão lá embaixo como o Fluminense. A explicação para Inter e Flu figurarem na ponta da tabela com números tão modestos de ofensividade é o percentual de aproveitamento de chances.

Dos 5 primeiros, eles são os melhores com 54% pro Inter e 48,8% para o Fluminense (quase metade das chances aproveitadas).

E aí você pode pensar (eu fiz isso) que é um modelo. Se você consegue ser capaz de finalizar limpo e em boa posição as chances aumentam. Lá fui eu pesquisar uma estatística chamada Xg (Expectativa de gols) que leva em conta variáveis como posicionamento do chute, se está cercado…

Xg por jogo (Gols esperados)
1 Flamengo 1,99
2 Atlético-MG 1,84
3 Internacional 1,51
4 Bragantino 1,50
5 São Paulo 1,44

9 Palmeiras 1,34

15 Fluminense 1,13

Xg por jogo (gols esperados do adversário)
1 Internacional 0,90
2 Flamengo 0,97
3 Atlético-MG 1,07
4 Palmeiras 1,10
5 São Paulo 1,11

9 Fluminense 1,22

O Fluminense, de novo, aqui mostra que defensivamente foi melhor. Porém, de todos os 5 primeiros, ele é o único que possui um Xg negativo, ou seja, a quantidade de gols esperados do adversário é maior do que de gols esperados do time.

Evidentemente que os números não dizem tudo. Mas dizem muito. De posse deles, você pode evoluir e passar a estabelecer pequena metas a serem alcançadas durante os jogos e que te ajudarão a vencer partidas.

O que ocorreu no último Brasileiro com o Fluminense dificilmente se repetirá caso esses números se mantenham. Vai começar o Brasileiro. Boa sorte pra gente!

Fontes
Téo Benjamin (@teofb)
Caio Batatinha (@CcBatatinha)
Felipe Barros (@FelipeBMSa)
SofaScore

Téo e Caio são duas feras em scout e análise. Essa pesquisa foi feita no twitter deles e eu sugiro que vocês os sigam. Téo, inclusive, me autorizou a pegar esses dados e postar aqui.

Felipe Barros, craque aqui do NETFLU, também colaborou nesse post. Obrigado, meu amigo! Sigam seu canal no youtube FB TV, é espetacular!