Foto: Lucas Merçon/FFC

Enquanto o futebol vivia as dificuldades de ter que lidar com a pandemia, eles foram fotografados em Brasília.

– Visitas institucionais, eles diziam.

Enquanto o país se chocava com a escalada de mortes e mais mortes, eles lideraram a volta do futebol, sem que qualquer dos demais estados brasileiros tivessem sinalizado com o retorno do campeonato no meio de um Maracanã de óbitos.

– É preciso. Temos compromissos pra honrar, eles falavam, enquanto contabilizavam mais e mais funcionários demitidos.

Enquanto acompanhávamos o noticiário, fomos surpreendidos com o Presidente da Republica vestindo rubro-negro.

– Esta Medida Provisória será a redenção do futebol, eles defendiam, enquanto ironizavam antigos parceiros e davam de ombros para o fato de que a MP, feita na surdina, não envolveu outros clubes na discussão.

Enquanto discutia-se a volta do futebol, as vidas em jogo e o exemplo a ser passado à sociedade, eles treinavam muito antes dos outros, já sabendo que contavam com a garantia da Federação de que o carioca voltaria logo.

– Temos protocolos muito seguros, eles garantiram, sem imaginar que divulgariam mais tarde um grande número de atletas e funcionários contaminados.

Enquanto os torcedores se perguntavam como fariam para ver seus times, eles já estavam organizados e orgulhosos, com a TV do clube como resposta na ponta da língua.

– Começa hoje uma nova era, eles comemoravam, enquanto os números mostravam uma audiência muitas vezes menor do que a do Botafogo, que jogou na mesma hora, ignorando o fato de que streaming ainda é luxo para a maior parte de nossa população.

Enquanto os torcedores de todo o país ainda estavam tentando entender como será daqui pra frente, eles manobravam nas alcovas para mudar o regulamento na véspera do jogo final porque – vejam vocês – não foram sorteados mandantes.

– Nossa posição é de que a tese da procuradoria é, de fato, a que melhor encara a situação, eles debochavam, enquanto a opinião pública os tratava com asco.

Enquanto o mundo todo falava em favas contadas, em placares de basquete, eles desciam do ônibus mascando seus chicletes e rindo por jogarem todas as partidas do campeonato no Maracanã, enquanto os demais onze clubes peregrinavam pelo Estado.

– É interessante para o adversário, financeiramente é bom para todos, eles ensinavam com ar professoral, sem lembrar que a essência do jogo é a paridade de armas e não o dinheiro.

Enquanto os atores principais passeavam em campo jogando como se fossem vencer a hora que decidissem, via-se do outro lado uma galera que não sorria, mas que corria como se estivesse a disputar a última das refeições

– Eles jogaram para não perder, não nos incomodaram, eles disseram, redefinindo os conceitos de soberba, mesmo após assistirem aos adversários levantarem a improvável taça.

Talvez essa Taça Rio não represente grandes coisas para o multi-campeão Fluminense. É apenas mais uma.

Mas, certamente, ela representa muito para o futebol.

E mais ainda para que pessoas de bem sigam acreditando que dá para lutar contra o atraso, o egoísmo, a usura, a soberba, a tirania.

O mal, enfim.

Aproveitem o dia, campeão (ã) . Orgulhe-se do Fluminense. Vale a pena!

Era esse o texto.

Abraços tricolores!

CURTAS

  • Quero deixar um grande abraço aos tantos flamenguistas que, clubismo de lado, permanecem do lado da ética e das ações que fazem sentido. Felizmente são muitos.
  • No geral, eu aprovo a transmissão da Flutv. Vi mais acertos que erros. Mas o locutor precisa passar mais vibração. Foi muito fria. Há espaço pra melhorar.
  • Um beijo, Larissa! Um beijo, Dedé!