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Flupress – Nem o Madureira

Gustavo Albuquerque

O dia 9 de abril de 2026 deverá ficar marcado na alma do torcedor tricolor como o dia em que diminuímos de tamanho. Uma diminuição que não veio de uma derrota, de um rebaixamento, ou de uma pancada judicial ou esportiva.

Diminuição que não veio da FERJ, da CBF ou da Conmebol. Tampouco de um rival, do apito de um árbitro venal ou da fala covarde da imprensa dita especializada, que há anos maltrata nosso clube e tenta fazer que nós, tricolores, nos sintamos diminuídos.

Tudo isso acima acontece com alguma frequência. Vem de todos os lados. Incomoda, machuca, gera muita revolta, mas de certa forma nos une e mantém acesa a chama de nosso amor pelo Fluminense.

Nos fechamos nas nossas dores e convicções, permanecemos atentos nas trincheiras e delas seguimos lutando ferozmente pela grandeza de nosso clube.

Até ontem. Porque ontem, meus amigos, recebemos no peito o soco seco vindo de quem deveria nos proteger. O mesmo Fluminense que defendemos incondicionalmente nos provocou uma dor lancinante, deixando uma marca de indignação e – mais do que isso – de perplexidade.

Fogo amigo, do nosso melhor amigo.

A nota oficial que embalou pra presente essa traição conseguiu piorar ainda mais a situação. Porque mentirosa, diversionista e impiedosamente cruel conosco.

O Fluminense está na terceira posição do campeonato. Briga pelo título e está inclusive na frente do Flamengo. Situações como essa acontecem rotineiramente no nosso futebol. Às vezes nos beneficiam, às vezes nos prejudicam. Fazem parte do pacote e vale pra todos.

Ler que o nosso clube assinou o requerimento que lhe tirará um dia de preparação para a Libertadores para que o Flamengo tenha exatamente o que perdemos é inaceitável. É contraditório. É inexplicável.

Se o comando viesse da CBF seria caso de processar coletivamente a confederação. Eu assinaria a petição, como já fiz no caso da volta do pó se arroz, em defesa do clube que amo. Mas não… Veio de dentro de nossa casa, o que faz com que nem processar possamos fazer, sob pena de igualarmos em essência a ação minúscula tomada pelo clube. Algo que não pode passar na cabeça de tricolor algum.

Eu poderia dizer que me sinto como um torcedor do Madureira, me apropriando, em livre exercício especulativo, do fato de que também são tricolores. Mas lembro que há alguns anos esse próprio Madureira, através de seu presidente, teve coragem de brigar pelos seus posicionamentos contra o gigante das Laranjeiras.

Hoje, assim imagino sinceramente, nosso torcedor deve estar se sentindo como eu. Sem poder se comparar com ninguém, por menor que seja esse ninguém.

Dia 9 de abril de 2026: o dia em que nosso clube nos largou sozinho no campo de batalha.

Advogado, Gustavo Albuquerque é pai da Marina e da Helena, nunca assistiu a um jogo da Champions na vida e acha que melhor que o Assis só Pelé e Maradona. Um dos autores da ação que garantiu definitivamente a volta do pó de arroz às arquibancadas.

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