Foto: Divulgação/FFC

Flamengo 1 a 0 num jogo em que o Fluminense era melhor. Numa final que acontece pelo terceiro ano consecutivo, com derrotas do Flu nas duas últimas.

O Maracanã vem abaixo e o segundo gol passa a ser questão de tempo.

Esse era o cenário naquele momento.



Todo torcedor do Fluminense que assistia ao jogo imaginou uma pressão avassaladora de um Flamengo que passava a ter a vantagem psicológica no confronto.E faltava muito jogo…

E foi entre o primeiro gol do Flamengo e o fim do primeiro tempo que o campeonato foi decidido.

O Fluminense não recuou, não foi defender sua área, não abusou dos chutões, não precisou fazer cera, catimba e nem apelar pra violência.

O Fluminense, e não é qualquer time que consegue isso, foi jogar futebol. Na verdade, continuou a jogar futebol, tratando como um acidente (que foi) o gol do Fla.

E isso só foi possível porque havia em campo Paulo Henrique Ganso.

Pega, toca, sai, vira o jogo, pega de novo, recua, temporiza, acelera, segura, toca de prima, orienta…O Maracanã assiste um recital.

Não tem sufoco nenhum, pressão nenhuma, nada do que se imaginou no pós gol.

Sem dar um grito, Ganso coloca o jogo debaixo do braço e carrega o confronto pro que ele vinha sendo até ali: Um grande jogo do Fluminense.

Até que no fim do primeiro tempo a bola morre no bico da sua chuteira, sai o toque curto no Cris, que acha Árias, que volta em Ganso, que, já em espaço reduzido carrega da direita pra esquerda e deixa Árias em ótima situação, bola no Cano, saco, caneco.

Ganso é capaz de resolver praticamente todas as situações que o jogo apresenta. Cercado, sem espaço, longe ou perto do gol, ele sempre tem uma solução que ninguém viu ou imaginou. E isso é raríssimo.

Há uma outra vertente que define um grande jogador. A capacidade de melhorar o entorno.

Ou alguém acha que as duas partidas espetaculares do André na final foram obra do acaso?

E a gente pode falar de Cano, Árias, Yago, Martinelli, Nonato… os melhores jogos de todos eles na temporada, guardam uma “coincidência”: Ganso estava em campo.

Nasceu pra jogar simples e coletivamente.

Não foi agraciado com a leveza, a força e a velocidade dos grandes atletas.

Em compensação, o cérebro trabalha numa velocidade impressionante, sobra talento pra tratar a bola e uma elegância rara no jogar.

É pura arte.

Em alguns jogos sob o comando do Abel (que inteligentemente colocou o campo acima de suas convicções), Ganso põe luz a preconceitos absurdos como o que sugeria que era incapaz de jogar partidas de alta intensidade.

Não só foi capaz como colocou o jogo, no período em que esteve em campo, na velocidade que ele queria quase o tempo todo.

Sem dar um grito, um carrinho, um pontapé, mostrou a personalidade de quem se acostumou a ganhar títulos desde cedo e controlou todo um cenário extremamente desfavorável ao Fluminense.

É inacreditável que esse tipo de jogador tenha sido tão pouco usado nos últimos anos.

É simplesmente inaceitável ter perdido espaço pra tanto pereba que vestiu a camisa tricolor recentemente.

Mas hoje é dia de falar de quem faz o futebol ser lindo e apaixonante: Obrigado Paulo Henrique Ganso pelo recital nessa final de campeonato.

Muitos te devem desculpas por tanta merda que falaram.

Não é o meu caso. Hoje eu só te agradeço. No último sábado você me fez amar um pouco mais o futebol e me orgulhar de um Fluminense que fez seu maior rival sucumbir ao futebol coletivo praticado.

Uma aula de coletividade capitaneada por um futebolista nato.

PH, você é foda!