Foto: Lucas Merçon//FFC

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  • Esse números que aparecem ao lado da posse são os percentuais no terço final do campo

Em primeiro lugar uma explicação: Optei por não colocar os jogos do Campeonato Carioca e das fases iniciais da Copa do Brasil, pois são jogos contra times muito fracos (apesar do sufoco contra o Santa Cruz) e porque entendo que o Estadual foi um período inicial de implementação de um modelo, que precisa estar minimamente competitivo a partir do início do campeonato brasileiro e das fases agudas da Copa do Brasil e Sul-Americana.

Observando, de forma geral, cada confronto do Campeonato Brasileiro ali em cima, entendo que o Fluminense fez (um pouco) menos pontos do que deveria ter feito nesta competição. Foi muito prejudicado pela arbitragem contra o Goiás e, em menor grau, contra o Bahia, mereceu ganhar do Botafogo, mas a virada contra o Grêmio é caso raro. E nos outros jogos acredito que os resultados foram mais ou menos o que se viu em termos de produção.

Na Copa do Brasil também. Achei a eliminação extremamente injusta, principalmente pela produção do Flu no primeiro jogo. Os números, acima, só reforçam essa conclusão.

Na Sula, acredito também que o Fluminense mereceu passar, mesmo fazendo um jogo muito abaixo contra o Atlético Nacional (COL) na volta.

Importante frisar que ao estabelecer conclusões relacionadas ao quadro acima é fundamental que sejam feitas tendo por base a atuação do time em determinado jogo e não apenas o resultado.

O resultado, obviamente, é o que se busca, mas ele é produto final e a análise é quem mostra de que forma o clube está mais perto do seu objetivo.

Dito isso, parece claro, observando os números acima que o Fluminense vai muito bem quando joga com posse e consegue alto percentual dela no terço final do campo.

O Fluminense não vai bem quando joga com menos posse que o adversário.

O Fluminense não vai bem quando usa muita bola longa. Nos 3 jogos em que a quantidade de lançamentos foi fora da curva, o time jogou muito mal 2 deles e perdeu.

O Fluminense, fora de casa, não vem conseguindo controlar os jogos no Campeonato Brasileiro e a quantidade de finalizações contra seu gol aumenta muito.

O Fluminense só perdeu 1 jogo (injustamente) quando conseguiu criar mais de 6 chances reais de gol a seu favor, isto é, quanto tem posse e volume.

Se a gente observar os 5 momentos de um jogo de futebol: Ataque, defesa, transição ofensiva, transição defensiva e bola parada, parece muito clara a dificuldade do Fluminense em se defender. Tem sido o calcanhar de aquiles do modelo.

Se o time espera subir na tabela essa deficiência precisa ter sido corrigida nesse período. Seja controlando o jogo com posse (a posse pela posse como instrumento de defesa), seja controlando os espaços (sem a bola), é absolutamente necessário que haja evolução nessa etapa do jogo.

É um desafio dirigir um clube na situação do Fluminense.

O Fluminense começa o ano com Airton, Bruno Silva, Daniel, Luciano, Everaldo e Yony.

Depois chega Ganso. E é necessário um tempo pra adaptar a questão de espaço e função uma vez que o Luciano vinha muito por dentro armar o jogo também.

Feita a adaptação (Ganso recua um pouco e vem pra armação), sai o Everaldo (uma das maiores bobagens da gestão Abad, e olha que a lista é longa), o único jogador bom no 1 contra 1 do time que muitas vezes armava o ataque pra criar essa situação. Everaldo sai e não temos substituto até hoje.

Diniz vai pros testes: Yony, Léo Artur, João Pedro. Alguns jogos depois ,escolhe o colombiano, que se machuca.

Nisso volta o Pedro. Sai o Pedro pra Seleção.

Ferraz que vinha bem machuca, Digão já estava machucado.

Surge João Pedro. Como pensar hoje num time titular sem João Pedro?

Allan vem pra jogar no meio e Diniz acha uma função perfeita pra ele. Daniel que nunca conseguiu jogar como meia avançado também encontra uma função que melhora muito seu desempenho. Diniz descobre Caio Henrique como lateral.

Acertos. Que levam tempo. Tempo esse que passa com 2 jogos por semana, pressão por resultados, expectativa de time grande.

Estamos falando de 5 meses de trabalho. E o clube chega aos mesmos 5 meses de salários atrasados.

Agora sai Luciano, volta o Pedro da seleção (não vou me alongar sobre essa situação, pois no post de semana passada do Gustavo esgotou o tema) e o Fluminense encontra um novo desafio.

Se é impossível barrar João Pedro, como fazer jogar Pedro e João juntos?

Contra o Bahia, o único jogo em que isso ocorreu, deu muito errado. Diniz trouxe o João para o meio, depois pro lado do campo e nem Pedro (fora ainda de forma) e nem João jogaram bem.

O Fluminense possui duas grandes promessas de centroavante, mas como fazê-los render juntos, deixar a equipe como um todo competitiva?

Pra mim esse é o maior desafio do Fernando até aqui.

Pode ser que não dê. Pode ser que dê apenas em alguns jogos.

Pode comprometer o tal momento defensivo citado acima.

O Fluminense, cujos últimos segundos semestres, têm sido muito ruins, inicia segunda feira uma nova caminhada, inclusive com uma nova gestão, que começa muito bem a meu ver, com a preocupação no curto prazo de reforçar o time pontualmente e resolver as pendências com o elenco.

Nada é mais importante agora do que tirar esse time da situação em que se encontra no Campeonato Brasileiro.

Tabelinha

Nenê – Não traria. Em 2015 quando saiu da França sugeri sua contratação pro lugar do Wagner. Mas hoje, não. Não é barato, dificilmente vai aceitar a reserva, um meio com ele, Ganso, Daniel e Allan vai ter muita dificuldade de roubar bola e tem 38 anos.

Sem Allan, testaria o Léo Artur no meio, com Daniel e Ganso. Mais mobilidade, pode ajudar numa chegada ao ataque e vai dar uma saída de jogo melhor que o Yuri. Léo foi muitas vezes escalado fora de posição, a torcida implica um pouco com ele, mas é trabalho de um departamento de futebol pensar numa utilização que melhore o desempenho do jogador. Ali pode ser o caso.