Nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, Fluminense venceu a ida diante do Peñarol por 2 a 1, fora de casa (Foto: Lucas Merçon - FFC)

É absolutamente impossível começar o texto de hoje sem falar de arbitragem.

Se o árbitro é parte do espetáculo é muito natural que quando errem, isso seja considerado na análise de uma partida.

Só para citar o exemplo do fim de semana, seria impossível a vitória do Flamengo caso o árbitro tirasse do jogo o Rafinha e o Cuellar. Excluir isso da análise é uma covardia.

Seriam duas expulsões. Exatamente o que foi feito com o Fluminense no jogo contra o Vasco quando o time ganhava de 1 a 0, em dois lances que nem se comparam às duas entradas proferidas pelos jogadores do Flamengo no domingo.

É fato que a regra mudou. Essa bola na mão dentro da área é pênalti. Foi pênalti pro São Paulo no sábado, assim como foi marcado um pênalti parecido a nosso favor no jogo contra a Chapecoense.

Mas por que a bola na mão do jogo contra o Santos não foi marcada pra gente? Estava 0 a 0.

Por que o Arão quando defende com a mão um chute do jogador do CSA, o VAR não chama o juiz?

O VAR chamou o árbitro pra anular nosso gol da vitória contra o Goiás sem acontecer nada.

O mesmo VAR não chamou o árbitro no jogo contra o Santos.

O VAR marcou o pênalti e mandou repetir a cobrança contra o Bahia, expulsando o goleiro do Fluminense, algo inédito no país e que acaba de ser proibido.

O juiz expulsou injustamente dois jogadores do Fluminense num jogo que o time ganhava em São Januário e não houve sequer revisão do VAR.

O escárnio é tanto que no fim do jogo o jogador Leandro Castan comemorou a vitória no twitter marcando o perfil da FERJ. Só faltou chamar pro chopp da vitória.

Amigos, eu estou falando de 4 jogos (num total de 12) do Campeonato Brasileiro. São 30% dos jogos com decisões que tiraram pontos importantes do Fluminense e um total de 0% de jogos com decisões que nos beneficiaram a ponto de nos dar vitórias ou até empates.

O que está havendo é uma grande sacanagem. Uma sacanagem que respinga na confiança da torcida no trabalho, respinga na moral dos jogadores, coloca o Fluminense numa posição desconfortável na tabela com uma pressão insana por resultados.

Esqueçamos, até essa parte do texto, todas as falhas do Fluminense como instituição. A situação financeira caótica, os erros na concepção do elenco, os erros do treinador, as falhas dos goleiros e os erros individuais do jogadores.

Se a arbitragem tivesse feito seu trabalho de forma correta, a pontuação do Fluminense seria maior que a de agora e essa histeria coletiva que tomou conta da torcida do Fluminense com menos de 1/3 do campeonato não estaria acontecendo.

Agora vem o que cabe ao Departamento de Futebol do Fluminense.

Primeiramente é necessário entender que a torcida está chateada, tensa, duvidando do trabalho e que ela está com a razão.

É absolutamente importante que comissão técnica e jogadores tenham essa empatia com o torcedor tricolor que está absolutamente preocupado com a falta de resultados e a posição na tabela do Brasileiro.

Quem está lá hoje não torceu para o Fluminense a vida toda.

Quem está lá hoje não carrega na alma, as marcas que o torcedor tricolor carrega.

Quem está lá hoje não viu sua paixão ser dada como morta numa terceira divisão.

Quem está lá hoje não viveu a tensão que foi 2009 e não chorou em 2013.

Ao Departamento de Futebol do Fluminense cabe trabalhar muito. E se vocês estiverem trabalhando muito notar que não vem sendo suficiente. As cobranças do torcedor são justas, a insatisfação é natural e é fundamental que essa reação aconteça rapidamente.

Tão absurdo quanto analisar futebol apenas pela ótica do resultado é ter 2 vitórias em 12 jogos e dizer que só falta a bola entrar, que todo o processo está correto.

Não está e os resultado no campeonato mostram.

Soube que o clima no departamento de futebol é muito bom. Os jogadores adoram o Fernando Diniz, o grupo é unido e todos estão felizes no Fluminense, se dedicando. Isso é muito bom. E o torcedor consegue enxergar essa dedicação no campo.

Portanto, analisem cada derrota, cada empate e verão que sim, há erros de arbitragem, há situações que fogem do controle do que foi planejado, mas há também pontos a melhorar no modelo escolhido.

No próximo post pontuaremos isso por aqui. É que hoje é dia de luta.

Por fim, o que nos cabe.

A tabela que se desenhou para o Fluminense na Sul-Americana colocou nosso clube na mira de um monte de favoritos.

Em qualquer competição continental o Atlético Nacional e, principalmente, o Peñarol são favoritos contra o Fluminense.

O primeiro nós varremos.

Hoje tem o Peñarol. Dizem que não é mais o mesmo. E quando foi? Quem são os grandes craques do Peñarol das campanhas que resultaram em títulos de Libertadores?

O Peñarol atingiu um status em competições sul-americanas que a qualidade técnica de seus jogadores sempre é muito menos visível do que aspectos subjetivos e também extremamente importantes num jogo de futebol.

Força, luta, garra, atitude, malandragem, catimba, entrega…

Ganhar deles lá foi uma façanha. Na Libertadores desse ano, nenhum dos três times do seu grupo conseguiu isso, nem o Flamengo com todo seu elenco estrelar. Foi lá e tomou um sufoco daqueles.

Hoje é dia de fazer história de novo.

E é isso que nos cabe. Empurrar o Fluminense pra cima deles, ter paciência se porventura algo não estiver dando certo.

O nosso time não é o Barcelona. Oscila, tem dificuldades e hoje não será diferente.

Você que não apoia o trabalho do treinador tem suas razões.

Você que apoia também.

A gente pode debater isso de forma saudável aqui e em todas as redes sociais.

A gente pode até debater isso de forma não saudável também, até com xingamentos, afinal somos tricolores, irmãos, e de vez em quando irmão sai na porrada.

E a gente deve, A GENTE DEVE, subir aquela rampa do Maracanã, juntos, unidos, gritando a plenos pulmões pra colocar nosso time nas quartas de final da competição.

Bora lá. Hoje é dia de Flu!