Foto: Lucas Merçon - FFC

Fernando Diniz errou ontem. E a gente vai falar disso ainda neste post.

O Fluminense, embora mantendo uma boa média de posse de bola (65%), finalizou apenas 10 vezes no gol do Bahia, número que caiu pela metade em relação aos últimos jogos.

O Fluminense não fez um bom jogo, assim como não o fez contra o Goiás.

Porém lá, como ontem, o Fluminense foi prejudicado por uma decisão do VAR, que tira 4 pontos irrecuperáveis do clube (Três contra o Goiás e um diante do Bahia) e deixa o Fluminense numa situação difícil na tabela.

O VAR anulou o gol da vitória do Everaldo no Maracanã de forma absolutamente equivocada.

Ontem o VAR, em tese, acertou. Agenor se adiantou e defendeu o pênalti de forma irregular. Ora, então qual o motivo da reclamação se a regra foi aplicada?

Simples. Num cenário em que nenhuma defesa de pênalti é anulada pelo VAR por adiantamento, apenas um time ser penalizado dessa forma, configura sim um prejuízo que deve ser questionado pelos nossos dirigentes. Por que só o Fluminense?

Volto a falar. O Fluminense nesses 2 jogos (Goiás e Bahia) não fez boas partidas.

Mas estão tirando o direito do Fluminense pontuar mesmo quando joga mal.

Só pra ficar nessa rodada, Palmeiras e Flamengo venceram seus dois jogos (jogando mal) com decisões absolutamente favoráveis vindas do VAR, com dois pênaltis ridículos, marcados a favor quando o jogo estava 0 x 0.

Façam essa reflexão! Se o adversário do Bahia ontem fosse um Flamengo ou Corinthians esse pênalti seria revisto? A gente sabe que não.

Pontuada a questão do VAR, vamos ao que nos cabe, o Fluminense.

Diniz errou demais ontem.

Disse aqui, há algumas postagens, que minha maior crítica ao trabalho do Fernando foi a falta de testes no Campeonato Carioca. Com isso, Diniz faria testes dentro dos jogos do brasileiro quando a rodagem do elenco, diante da maratona de jogos, fosse sendo necessária.

Mas ontem… Errou na escalação e na estratégia.

Diniz quis manter o modelo. Mas se quer manter o modelo, que tem como um dos pilares, a saída limpa teria duas opções melhores do que jogar com o Yuri, que foi muito mal, comprometendo demais o time numa função que é primordial pra que o coletivo funcione.

Poderia ter entrado com um lateral esquerdo, levando o Caio, que é canhoto como o Allan, pro meio. Ou, podia trazer o Léo Artur pra fazer essa dupla com o Daniel. Tudo isso seria melhor do que o Yuri.

Diniz errou mais. Trouxe o João Pedro pra jogar no meio campo, abrindo o Léo Artur na esquerda. João, coitado, não tem nenhuma adaptação a essa função e, claro, não conseguiu jogar.

Começa o jogo. Agenor, Nino, Yuri, Ferraz… quase que os caras tomam a bola.

O Bahia aperta a saída com muitos jogadores e o Fluminense tem extrema dificuldade pra sair jogando porque Yuri erra tudo e o João Pedro não sabe jogar ali.

Com 10 minutos de primeiro tempo estava o caos.

Num escanteio nosso, contra-ataque dos caras, Yuri demora uma eternidade pra chegar na cobertura, chute no canto, Agenor demora outra eternidade pra cair no chão, saco, 1 x 0.

Diniz desfaz minimamente a cagada. Traz o Léo pro meio, mais adaptado à posição que o João e abre o João pelo lado esquerdo. Na primeira jogada, bola no João, que de primeira, num calcanhar lindo, acha o Leo, que coloca o Yony em boa posição. Pênalti que Pedro bate bem e empata.

E o jogo fica equilibrado. E o Fluminense continua tentando sair com a bola limpa lá de trás, sem sucesso, ainda mais com um campo muito ruim ali na área do goleiro.

Até que, o que estava se desenhando acontece, Agenor tenta um drible na pequena área, Gilberto toma e desempata.

E eu abro dois parágrafos: um pro Agenor e outro pra flexibilização.

Agenor. Acabou o jogo quarta tinha até musiquinha pra ele. Não tem graça. Agenor não é um atleta. Agenor é pesado, tem problemas pra se deslocar. Um goleiro com um percentual de gordura alto possui muito mais dificuldades do que um goleiro que está no seu peso normal. É um verdadeiro absurdo, um acinte, um clube de série A, tetra campeão brasileiro ter no seu elenco de futebol profissional um goleiro com esse corpo.

Flexibilidade. O modelo do Flu me agrada. Disse isso aqui incontáveis vezes. Mas há momentos em que insistir numa jogada de alto risco como aquela saída deixa de ser estratégia para se tornar burrice. Ontem não estava funcionando, o jogo deu sinais de que não estava funcionando e mesmo assim ninguém foi capaz de perceber isso e mudar.

Começou o jogo, o adversário (ainda descansado) está colocando muita gente ali na frente, dá uns 3 chutões, desencoraja essa ação e depois volta a utilizar num momento mais adequado.

É básico. Todos fazem. Na penúltima rodada do campeonato inglês o City fez 1 a 0 num time que estava na parte de baixo da tabela. Nos últimos 10 minutos Guardiola colocou 4 zagueiros que passaram dez minutos dando a bola pro adversário e bico pra cima.

Diniz poderia, com a escalação do primeiro tempo, deixar um pouquinho a bola com o Bahia, deixar vir, trazer os caras, que têm muita dificuldade pra construir.

Essa flexibilidade é importante no Campeonato Brasileiro, é importante pro Fluminense, é importante pra ele como treinador, é importante na vida. Nem Guardiola, nem Klopp, nem o Barcelona (com uma identidade formada há muito tempo), nenhum deles é inflexível.

O Brasileiro é duríssimo. O elenco do Fluminense é limitado, repleto de jogadores que evidenciam as ações de empresários nos clubes de futebol (Agenor, Kelvin, Yuri, Ewandro). Nada disso é scout, nada disso é adequação ao modelo. O Fluminense os recebe, muitas vezes tirando lugar de jogadores da base, e que se vire com eles.

Não é nenhuma vergonha, num jogo ou outro, desfalcado, tentar jogar, por alguns momentos, em transição. Até pra surpreender o adversário, algo que é parte do trabalho do treinador.

No segundo tempo o time melhorou porque pelo menos a escalação se adequou ao modelo. Um meio com Daniel, Marcos Paulo e Ganso já é um meio que sabe jogar bola.

Até quando ficou com menos 1 jogador o Fluminense foi melhor que o Bahia, dominou o jogo e rondou a área adversária.

Com a expulsão (de novo muito criteriosa) do Agenor, Pedro (que ainda está muito longe da forma ideal, tem jogado muito parado) saiu, João Pedro voltou pra sua função e precisou de poucos minutos atuando como centroavante pra guardar mais um.

Mas não deu pra empatar.

A derrota deixa o Fluminense numa situação difícil na tabela, com uma maratona (Colômbia, Paraná, Rio, Minas, Chapecó) em duas semanas, repleta de jogos duríssimos.

Não será surpresa, neste início de trabalho e implantação do modelo (que tem agradado o torcedor), com o treinador tentando achar reposições para as ausências ao longo dos campeonatos, com uma tabela que nas 9 primeiras rodadas tira o Flu 5 vezes de casa e mete 2 clássicos, o Fluminense terminar a parada pra Copa América eliminado da Copa do Brasil e na Zona de Rebaixamento.

Essa convicção no trabalho e na sua continuidade será o primeiro desafio do novo presidente do Fluminense.

A não ser que o projeto de futebol do novo presidente preveja um modelo diferente, não faria nenhum sentido uma troca com apenas 5, 6 meses de trabalho.

Sobre isso, o único recado que posso dar ao futuro presidente é o que tenho visto na arquibancada: A torcida, em sua grande maioria, também adotou o modelo. Gosta dele e se apaixona quando funciona. As críticas ao Diniz são pontuais, como as de hoje neste post.

E críticas e adaptações fazem parte de qualquer processo que está sendo implementado.

Saudações tricolores!