Fred admite que pensava em arrebentar na Copa e, depois, "pegar geral" (Foto: Divulgação/FFC)

Hoje aposentado do futebol, o ídolo do Fluminense Fred revelou, em entrevista ao Podpah, que sentiu um tratamento diferente da imprensa brasileira na Copa de 2014. À época, foi um dos mais criticados principalmente após a derrota da seleção por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal. O ex-atacante, porém, mostrou bom-humor e até revelou uma história hilária referente ao pós-Mundial.

— (sofreu) Muito mais (com a repercussão após o 7 a 1). Porque a Copa foi no Brasil e eu jogava no Brasil. No primeiro jogo, na Arena Corinthians, tocaram uma bola e eu dominei girando na pequena área para fazer o gol. O cara me dá uma puxadinha no ombro. Eu dominei e ia girar para bater de esquerda. Quando ele me puxa, eu perco a bola e o que eu fiz? Caí. Pênalti para nós. Ganhamos o jogo de 2 a 1 (foi 3 a 1, na verdade). Tava 1 a 0 pros caras (Croácia). No dia seguinte eu tive que gravar um vídeo com o assessor de imprensa da CBF explicando que foi pênalti. A imprensa brasileira falando que eu me joguei. Estranho, né? Maradona faz gol de mão, é Deus na Argentina, não sei o que. Eu sofro pênalti e tenho que fazer vídeo na Granja Comary explicando que teve contato e foi pênalti. Ali eu já senti que tinha parada estranha. Ganhamos o jogo, sofri um pênalti. Parecia que a galera estava meio contra. Eu fiz um gol só na Copa, levamos 7 a 1. Depois foi punk. Eu jogava no Brasil. O Parreira me chamou depois. Ele falou: “Cara, no Brasil você não joga mais. Arruma alguma coisa para você sair”. Ele preocupado comigo. Aí virou cone, cone, cone – contou, prosseguindo:

— Eu admito que estava na maldade. Pensava: “Vou ser campeão, artilheiro da Copa e vou pegar geral” (risos). Mas se não fosse famosa, eu não queria pegar. Expectativa era só famosa. Aí 7 a 1 no lombo, um golzinho só, cone, imprensa me matando. Aí a minha namorada na época, minha esposa hoje, a Paula. Falou pra irmos para Nova York. Fomos nos esconder lá. Depois fomos para a roça. Estava com medo da reação. Aí na entrada do hotel tinha um cone pros carros pararem. A minha noiva já brincou assim: “Se você está aqui, quem é aquele ali?” (risos). Aí quebrou o gelo. Expectativa era essa. Aí o que aconteceu? Casei, dois filhos, me converti. Voltei pro Fluminense, fizeram uma volta bacana pra mim. No vestiário os caras colocaram um bonequinho assim, um cone com uma peruca. Eu fiquei puto com os caras e pensei: “Isso é coisa do Sobis”. Aí joguei com raiva da imprensa, do povo. Eu estava bolado. Voltei. Tinha dois gols no campeonato. O artilheiro tinha 13. Acho que era o Ricardo Oliveira ou o Gabigol. Eu voltei, em seis jogos correndo o campo inteiro pra mostrar que não era o cone, que eu tinha mobilidade. Aí a bola cruzando a área e eu fora. Jogando bem, mas gol que é bom, nada. Aí no sexto jogo, eu resolvi ficar na área. Porque ali resolveria. Aí fui artilheiro do campeonato. Aí respeitaram.