Oi, pessoal.

Papo reto, não mais na canela, mas no lençol do Allan sobre Gabigol: que torcida é essa que nunca viveu de resultado algum, há 7 anos não ganha nada, aceita até injeção na testa, mas estufa o peito contra o Fernando Diniz, exigindo resultado? 

Globo Repórter já! “De onde vêm?” Enquanto me delicio ao testemunhar uma inveja indisfarçável em mais 30 mil rubro-negros, silenciados no Maracanã, é constrangedor e decepcionante tricolores repetindo, feitos papagaios, feios como o futebol “Scolaris e Abéis”: “- Mas futebol é resultado”. 

Papo furado: o futebol resultado. Tesoura voadora estilos Airton e Bruno Silva…

Após imitar o mecânico futebol italiano, alemão e inglês, os técnicos brasileiros e seus muitos fãs destruíram o nosso DNA.

Assistir a Santos 1×0 Corinthians, na noite da última quarta, foi mais um tijolo nesse reino de mediocridade.

A proposta de jogo mequetrefe de atuar com 8 ou 9 jogadores atrás da linha da bola no campo defensivo ou em seu 1° terço já deu! 

No Brasil, o apego ao emprego e a preguiça formaram uma horda de técnicos zumbis que só sabem montar times assim.

Para fazer o que Guardiola fez no Barcelona e tenta, com jogadores estrangeiros, implementar no City, é preciso treino com bola, repetição, como um guitarrista que sabe que tem que ensaiar todos os dias.

Muito trabalhoso. Mais prático e “comunzinho” bociferar palavras, entregar o treino aos preparadores físicos enquanto fica à beira do campo, estático, com pose de professor acadêmico diante de um aluno.

Sai: “Eles precisam de mim”. Entra: “Você é grande! Grande! Grande! Vai lá e jogue p’ra c***! “

É futebol, pô! É simples! E é da sua simplifidade que sai sua sofisticação e arte. 

Fernando Diniz gosta de futebol. Gosta de ensaiar futebol e, por isso, gosta da bola, de ter a bola, da sua posse. 

Diniz não é só ofensivo como Sampaoli. O Santos não encanta como o Fluminense. Entre eles há só uma coisa em comum: o gosto de atacar para vencer.

No Fluminense, sim, vemos o esboço da mistura do puro heavy metal do Klopp com o blues fascinante do Guardiola. Esboço bem feito.

Diniz é um louco por futebol e sua arte. Por isso ele alcança o sobrehumano quando Igor Julião, Frazan, Agenor, Danielzinho e Yuri estão tão bem ensaiados e confiantes que colocam os “galácticos” jogadores do Flamengo na roda.

Quase infarto durante o jogo, mas quando assisto depois, dou risadas, curto, vibro.

O Fluminense me fascina e com Fernando Diniz, me proporciona um prazer de reencontrar um grande amor: o futebol arte.

A Europa não suporta mais joguinhos mequetrefes. Não que não os tenha. Até por uma questão de anatomia, continua mecânico. 

A escola holandesa, sempre ofensiva, usada pelos espanhóis, vem sendo há uma década copiada como parâmetro para fazer seu filho largar o “League of Legends” da vida e ir ao estádio ver futebol.

Com a Era dos Games On-Line e um leque de opções de entretenimento ao alcance do “Respeitável Público”, ou você apresenta um futebol atrativo ou perde adeptos, míngua e vira um decadente.

O grande exemplo vem de Manchester: entre o “Abélico United” e o “Telê City”.

Vale cita a maior escola defensiva de futebol resultado, a italiana. A Juventus sobra há anos por lá desde que decidiu tomar iniciativa do jogo, atacando.

Por isso, o futebol resultado (ligado a retranca) decaiu. É fundamental ser atrativo primeiro, para ser campeão, depois. 

Quando estamos em torneios, tiro-curto, aguenta-se. Ou circunstancialmente, em jogos de mata-mata. Mas 1 jogo inteiro ao longo de 1 ano? Está chato demais! 

Se eu não fosse da geração sem internet, computador, que mal tinha uma TV em casa que fará duas, não sei se consumiria e me apaixonaria por futebol. Nem com a TV Globo inventando CartolaFC me atrairia.

Fato é que o E-Sports anda tirando os jovens do Estádio e da TV.

Isto deve ser considerado para entender a ausência da nossa torcida nesses últimos anos.

O esporte pede resultado, sim. Mas, antes de ser campeão e comemorar por uma semana, o futebol pede espetáculo.

Torcedores do Fluminense que preferem Abel à Diniz nessa mentalidade  afundada num “complexo de vira-latas” quase incurável, parou nos 90!

Mas a maioria está curtindo. São os mais jovens e heróicos que curtem a vida real tanto quanto a vida cibernética. E tome emoção! 

Ah, esse “LOUCO”! Sim, Diniz é um “LOUCO” que caiu do céu no solo sagrado das Laranjeiras.

E como naquele filme “O campo dos sonhos”, PROVA que mesmo com jogadores sem recurso técnico, a arte do futebol é aplicável, vibrante, contagiante e bonita demais.

Que PlayStation, X-Box, que nada! Eu quero ir ao Maraca!

Chega logo, 13 de julho! Eu quero ver Ganso & a Molecada!

PS: escrevo antes da difícil peleja, na Arena Condá.