(Foto: Twitter oficial do Santa Fe)

O decreto com medidas restritivas publicado pela prefeitura de Bogotá, no último domingo, obrigou o Independiente Santa Fe a levar a partida contra o Fluminense, nesta quarta-feira, pela segunda rodada do Grupo D da Libertadores, para a cidade de Armenia. Assim, o duelo será disputado numa altitude de 1.480 metros em vez de 2.600 metros. Jornalistas colombianos destacaram o que muda no adversário tricolor e quais serão as principais dificuldades para o time carioca.

Em entrevista ao site ge, Alfonso Moreno, da “Rádio RCN”, Tuto Carvajal, da “Rádio Chévere”, e Carlos Arboleda, da “Rádio Red de RCN, opinaram sobre o Independiente Santa Fe. Confira o que foi perguntado pelo portal e o que eles responderam:

Qual a expectativa para o jogo?
Moreno:
Santa Fe tentará tomar a iniciativa contra o Fluminense, mas por não ter um elenco extenso e por jogar as quartas de final do campeonato colombiano no final de semana dependerá de quanto fôlego terá. No último fim de semana se viu cansado contra o Junior de Barranquilla e perdeu por 3 a 1, mas o time começou bem. Se os jogadores estiverem com energia, sairão para buscar a vitória. Senão, veremos um Santa Fe fechado atrás e esperando a velocidade dos contra-ataques.

Carvajal: O Santa Fe não é de jogar nos contra-ataques e nunca muda seu estilo de jogo, não importa se joga em casa ou fora. Veremos um time que nos primeiros 15 a 20 minutos vai pressionar o rival com quatro ou cinco jogadores no ataque. Não vão esperar o Fluminense. Como mandante, perdem um pouco por causa da altitude, porque todos sabem que é diferente jogar em Bogotá, sobretudo para equipes brasileiras. Em Armenia, há uma altitude média, não vai ter nenhuma indisposição.

Arboleda: Santa Fe sairá para se defender, buscando contra-ataques ou rápidas transições da defensa para o ataque.

Quanto perde o Santa Fe sem a altitude?
Moreno:
Neste momento creio que não perde, pelo contrário, é um benefício. Santa Fe está definindo o campeonato colombiano com um elenco muito curto, a carga física é alta nesses dias. A altitude jogaria contra a equipe também. O Santa Fe, em condições normais, aproveita a altitude para pressionar muito desde o primeiro terço, mas neste momento não creio que o faça. Agora, altitude terá, Armenia está a 1.500m acima do nível do mar. Não é o mesmo que Bogotá, mas tampouco é Rio de Janeiro.

Carvajal: Não é que perde muito, porque o Santa Fe em Medellín ou em Pereira, cidades que têm a mesma altitude da Armenia, joga com muita pressão, saída rápida pelas laterais, chutões da defesa buscando os atacantes e meias… Não creio que perde, mas o Fluminense é quem ganha.

Arboleda: Santa Fe perde muito ao sair de Bogotá. Pela altitude e pelo conhecimento máximo de cada centímetro do campo.

Qual jogo na teoria será mais difícil ao Flu?
Moreno:
O jogo contra o Junior deveria ser o mais complicado para Fluminense pelo investimento econômico que realizou a equipe de Barranquilla. Tem um elenco muito mais amplo em número, talento e experiência. O objetivo de Junior é conquistar um título internacional, algo que chegou perto nos últimos anos, mas que não se concretizou. Contra o Santa Fe, podem encontrar um time mais físico (se estiverem com fôlego), e contra o Junior uma equipe de mais futebol, talento e capacidade goleadora.

Carvajal: Hoje, a mais difícil é contra o Junior. Se o jogo contra o Santa Fe fosse na capital, a altitude teria um peso. Em Barranquilla, o Fluminense vai ter que lidar com a humidade, só lembrarmos que a seleção colombiana jogou muitos anos ali e de tarde por causa do calor.

Arboleda: Considero que o jogo mais difícil para Fluminense será contra Junior em Barranquilla. O time de Luis Amaranto Perea vem crescendo pouco a pouco em seu jogo, e os jogadores mais representativos estão encontrando seu melhor nível. Com a volta de Téo Gutiérrez, eles serão mais perigosos no ataque. Esta é a diferença para Santa Fe, que ainda não encontrou seu poder ofensivo.

Quem do Santa Fe oferece mais perigo?
Moreno:
Santa Fe não tem um goleador puro, um 9 de área. Tinha com Michael Rangel, mas ele disputou só um jogo este semestre e foi para o exterior. O time marcou 23 gols em 19 rodadas do campeonato colombiano até agora, mas seu artilheiro é um meia, Kelvin Osorio. Os gols estão repartidos em toda a equipe. Santa Fe não encontrou um atacante eficaz em seu curto plantel, mas trabalham bem a bola parada com jogadores altos na área para cabecear.

Carvajal: Hoje não creio que haja um jogador que faça a diferença para o Santa Fe. É um time sem figuras, mas de batalhadores e jogo coletivo. Se Sherman (Cárdenas, ex-Alético-MG) estivesse, poderia ser esse jogador, mas ele é dúvida. Talvez Kelvin Osorio, um meia que nos últimos jogos têm feito gols.

Arboleda: Kelvin Osorio pode ser um homem importante no jogo. Mas sem dúvida o melhor da equipe está no gol: Leandro Castellanos.

Como Flu pode surpreender o Santa Fe?
Moreno:
Fluminense pode surpreender tendo a bola e jogando com velocidade, algo que se perdeu no futebol colombiano. Em nosso país, se joga mais lento. Se o Fluminense desgastar o Santa Fe fazendo correr atrás da bola vai o demolir rápido. O grande desafio para os brasileiros será superar um goleiro de grande experiência, como Leandro Castellanos. Ele é o pilar da boa campanha do time na Colômbia.

Carvajal: Pode surpreender bloqueando as saídas. Arboleda não joga por estar suspenso, mas Mosquera dá bastante opção. Se fechar as laterais e marcar pelo meio Caballero e Arias, pode conseguir, tendo velocidade.

Arboleda: Fluminense, apesar de seu desgosto com a mudança da cidade, é realmente quem foi beneficiado. Somente deve confiar em si mesmo, porque Santa Fe está ficando sem forças.