(Foto: Nelson Perez - FFC)

A falta de comunicação, que marcou o início do processo movido por Levir Culpi, quando o Fluminense deixou de mandar um advogado para a audiência, segue sendo a tônica do caso. Depois de retomadas as conversas no ano passado, mas ainda devendo R$ 150 mil, referente à última parcela do acordo que fez com o treinador, que deixou o clube em 2016, o Fluminense continua sem dar respostas ao advogado do técnico, Fábio Cruz. O silêncio impossibilitou qualquer tentativa de novo acordo. Devido ao atraso desde julho do ano passado, a instituição foi multada em mais R$ 150 mil, junto com outros R$ 150 mil de uma parcela já paga, mas feita em atraso. Com isso, a dívida totalizou R$ 450 mil, fora o imposto de renda. A execução de penhoras foi definida pelo juiz, permanece acontecendo, porém o dinheiro ainda não ter caiu na conta do profissional.

– Ainda não foi resolvida a situação. Até hoje não fizeram (representantes do Fluminense) nenhum contato. O valor total da dívida não foi bloqueado, mas os bloqueios seguem ocorrendo. O juiz só vai dar vista para a gente manifestar ou oportunidade para qualquer recurso, depois que chegar ao valor integral. Já houve bloqueio de R$ 40 mil, às vezes R$ 30 mil… o maior feito até hoje foi R$ 150 mil. Estão sendo feitos bloqueios seguidos, mas de valores pequenos. Como o valor total da dívida está entre R$ 540 mil e R$ 600 mil, ainda não chegou neste montante. Falta alguma complementação. Depois que tiver feito tudo é que o juiz vai dar vista para a gente se manifestar e para o Fluminense se manifestar também. Não aconteceu nada, para dizer a verdade. Portanto, o bloqueio continua sendo feito – explicou o representante de Levir, salientando o desapontamento pela seguida falta de respostas do Fluminense acerca da situação:

– Em dezembro, se eu não me engano, ainda tinham feito contato pedindo para o Levir abrir mão das multas, que eles pagariam o valor principal (R$ 150 mil). Levir pediu que pagassem o imposto de renda e a multa integral e o Flu não retornou mais o contato. Em geral, 100% dos contatos foram feitos pela doutora Roberta (diretoria jurídica do Fluminense.

Trocando em miúdos, restava somente uma parcela de R$ 150 mil, que foi paga. Como o pagamento foi realizado em atraso, o Fluminense deveria pagar a multa de R$ 150 mil, que é do mesmo valor da parcela, prevista no acordo inicial. Num primeiro momento, se o clube fizesse esta ação, o técnico Levir Culpi abriria a mão desta multa, porém existe a multa do atraso desta última parcela. Essa, todavia, o ex-comandante tricolor faria questão de receber. Totalizaria assim R$ 300 mil. Em troca, o Fluminense pagaria o imposto de renda que já está calculado, cuja a responsabilidade do clube foi assumida e ainda não foi recolhido. Desde então, cerca de três meses atrás, nenhum representante do Flu falou com o advogado novamente.

A última parcela referente ao acordo entre Fluminense e Levir Culpi deveria ter sido paga em julho do ano passado. O site número 1 da torcida tricolor pediu que o representante do treinador do Atlético-MG destrinchasse a situação em torno do que realmente deveria ser quitado, tendo como perspectiva as responsabilidades do Tricolor.

Com passagem curta, porém conturbada pelo Fluminense, Levir Culpi processou o Tricolor em setembro do ano passado, como o NETFLU informou com exclusividade na época. O técnico cobrava mais de R$ 2,8 milhões em salários, rescisão e outras obrigações trabalhistas após sua demissão.

Sem enviar nenhum representante à 67ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro para defender a instituição, também noticiado em primeira mão pelo site número um da torcida tricolor, a causa foi ganha pelo ex-treinador ainda em 2017. No dia seguinte à divulgação da sentença, um representante do clube finalmente entrou em contato com o advogado de Levir, Fábio Cruz, costurando um acordo pela metade do valor. Tal acordo, no entanto, foi sendo sendo honrado com extrema dificuldade, tendo as parcelas quase sempre atrasadas. A última venceu no mês de julho e, desde então, não foi paga.

Em entrevista concedida no retrasado ao NETFLU, o advogado explicou detalhadamente a cronologia dos fatos em torno do processo trabalhista do ex-treinador. Dias depois, o Fluminense demitiu uma funcionária do departamento jurídico, por intermédio de uma nota oficial, mas manteve a diretora da pasta, Roberta Fernandes, dando-lhe uma advertência. O ex-vice jurídico, Bruno Curi, sofrera também diversas críticas no período, até deixar o cargo, meses atrás, para se dedicar à vida política. Curiosamente, a mesma funcionária demitida foi contratada por uma empresa que presta serviços ao Fluminense, conforme também divulgado pelo site. 

 

No Fluminense, Levir Culpi conquistou o título da Copa da Primeira Liga de 2016, mas teve problemas internos de relacionamento com o então líder do grupo e capitão Fred. Comandou a equipe em 52 jogos, com 22 vitórias, 15 empates e 15 derrotas.