Depois da Flusócio, o Esperança Tricolor analisou o Fluminense nesta temporada. O grupo político, antes de oposição, que faz parte da base de sustentação da gestão Pedro Abad fez suas considerações.

Para o “Esperança”, Alexandre Torres não deveria ter sido o único a ser dispensado pelo presidente e cobra a demissão de Marcelo Teixeira. Diz que Abel foi mais do que um treinador e cobrou o motivo de o clube não ter se reforçado, visto que rivais, mesmo sem dinheiro, conseguiram. Confira:

Estimados Tricolores,

Muito se escreveu esse ano e principalmente nos últimos dias sobre o futebol tricolor. Terminamos todos com um sabor amargo na boca e a sensação de que esse foi um dos anos mais estressantes e cansativos para quem é fanático pelas 3 cores que traduzem a tradição.

E derivado desse sentimento o torcedor se sente ultrajado, enganado e iludido. A reação normal é culpar a todos e a tudo. Incompetência é o mínimo que se escuta. Mas ainda podemos encontrar visões mais radicais que pensam que o Fluminense acabou. Não. Não acabou e nem vai acabar. O Fluminense tem a vocação da eternidade e vamos seguir existindo por mais 100 anos como gigantes que somos.

Mas para isso é preciso que todos ajamos. E a ação deve ser imediata, começando por dar nomes aos bois. Não adianta ficar discutindo a aprovação de contas de 2016. Nosso grupo votou contra a aprovação mas no sistema definido pelo estatuto, as votações funcionam como foi essa. Sempre foi assim. Mas não obrigatoriamente precisa seguir assim. Discutamos a reforma do estatuto em outro texto.

Voltando ao futebol a primeira explicação é que o clube atravessa uma forte crise financeira. Será? Nossa conclusão vai na contra mão dessa explicação. Em 2017 o Fluminense não teve problema de dinheiro. Teve problemas de mal uso de dinheiro em 2016. Nunca faturamos tanto mas também nunca gastamos tanto e tão mal como em 2016. E 2017 foi uma consequência desse desastre. Jogadores com salários irreais, fora da realidade brasileira e talvez até mundial. Salários esses que além de irreais, ainda se multiplicam ao longo do tempo. Irresponsabilidade e incompetência extrema de quem os negociou.

Dito isso, 2017 começou com a revisão geral de todos os contratos e o escrutínio de cada despesa e receita. Essa revisão nos levou à dispensa de dezenas de jogadores e ao corte extremo de despesas mal gastas no clube. E com isso obviamente o futebol foi afetado. A mensagem era de ano difícil. Mas dizer que o ano sería difícil não significava: “parem de trabalhar, se conformem, sejam medíocres e não sejam criativos”. Não. Num ano como 2017 você percebe a competência, criatividade, conhecimento e disposição de trabalho das pessoas. E nunca tivemos isso no Departamento de Futebol.

Essa VP se tornou um deserto de idéias aonde as pessoas se escondiam de suas responsabilidades e não lideravam. Se acovardaram e se postaram atrás das finanças, a desculpa perfeita para sua falta de ambição, confiança, conhecimento e competência. Outra vez ela: competência.

E como dissemos antes, dê nome aos bois. Em nossa opinião toda gestão de futebol deveria ser demitida. Mas demitidos porque se não havia dinheiro? Demitidos por não saberem administrar a crise. Não saberem gerir o elenco. Não ter criatividade para reforçar o elenco. Não ter liderança. Por se esconder. E por fazer um planejamento no qual priorizou usar os jovens de Xerém com jogadores emprestados ao Samorin, projeto interessante mas mal executado e questionável sobre sua eficiência e eficácia. E na hora do desespero o que foi feito? Contrataram jogadores promessas para ajudar.

O que vimos foi um ano em que o futebol ficou jogado às traças. Sem rumo. Sem um líder. Sem um dirigente de pulso que soubesse conduzir o barco. Abel foi treinador, supervisor de futebol, diretor, VP, psicólogo.

Não havia dinheiro mas vimos times no meio do ano se reforçando sem gastar. Alguns nossos vizinhos de cidade. E porque não fizemos o mesmo? Quem foi que disse que o departamento de futebol não podia fazer trocas? Não podia trabalhar com o comercial para gerar receitas e contratar? Não podia trazer jogadores com salários mais baixos e bônus altos por resultados? Quem disse que não podia ser criativo?

Mas e os nomes aos bois? Não. Daremos um nome: Marcelo Teixeira. Ele deveria ser o líder, principalmente após a desastrada e desastrosa saída do VP Fernando Veiga. Marcelo deveria ter tido a personalidade, competência e iniciativa de assumir o rumo do futebol. Ele desde dezembro de 2016 participou ativamente das decisões e do planejamento do futebol. Foi quem definiu a estratégia e comandou internamente as ações. Mas é muito cômodo na hora do fracasso se esconder. Dizer que participou mas não tanto, que ia e vinha, que na verdade cuidava de outras coisas no clube.

Teixeira lidera, também, o futebol de Xerém, orgulho de todo tricolor. Mas será que Xerém pelo que se investe produz o que deveria e poderia? O que queremos de Xerém? Se Xerém será a base do profissional não basta quantidade. É preciso qualidade e para ter qualidade é preciso experiência, visão, competência e conhecimento. Será que o Teixeira tem tudo isso?

A incompetência até se perdoa num líder. A omissão não. A decisão para 2018 é regressar o Marcelo Teixeira para base e demitir o Torres. A demissão do Alexandre Torres se justifica. Sua entrevista mostrou que se trata de um profissional sem vontade e sem motivação e nos fez entender um pouco mais sobre o pífio 2017. Falou da falta de ambição da gestão mas e ele? Como gerente se limitou a cumprir ordens? Não teve nenhuma ambição pessoal de melhorar? De fazer algo diferente? Bem demitido então. Mas essa decisão também confirma o que sempre se disse: se o Teixeira retorna a base é porque estava no profissional! Ora, então nome ao boi. Esperamos que ele não só deixe o futebol profissional como também o clube. Incompetência se perdoa. Omissão não.

Esperança Tricolor