(Foto: Mailson Santana/FFC)

Freud afirmava que, reduzido à privação extrema, o ser humano perderia sua casca de espiritualidade e poria à mostra sua verdadeira natureza, comportando-se como um bicho.

Bem, o criador da psicanálise estava certo. Neste exato momento, encontro-me escrevendo este texto no alto de uma árvore. A extrema privação de uma das minhas maiores paixões, o bom futebol, me transformou em um apático bicho-preguiça.

Meu sangue, antes quente, agora circula lentamente. Assisto, inerte, ao espetáculo macabro protagonizado por figuras patologicamente incapazes. Não vaio, não grito, simplesmente me locomovo de galho em galho, aguardando os novos vexames e as velhas desculpas de sempre.

Ontem, quarta-feira, o Fluminense atingiu o auge da incompetência técnica e tática. O jogo contra o Juventude deveria ser exibido nos mais gabaritados e pomposos cursos de formação de treinadores do Brasil e do mundo. É o exemplo perfeito daquilo que não se deve fazer durante uma partida de futebol.

Primeiramente, se o Brasil fosse um país sério, Lucca e Caio Paulista seriam proibidos por lei de atuarem juntos em um jogo de Campeonato Brasileiro. ”Fato público e notório”, diria M. Bittencourt. Mas, se falta bom senso ao Estado, não deveria faltar para o nosso treinador. Marcão escalou a pior dupla de pontas que temos no elenco e o resultado não poderia ser diferente.

O homem de 8 milhões de reais não conseguiu dominar uma bola sequer e manteve o nível catastrófico de suas últimas atuações. Lucca, por sua vez, esteve possuído por um kicker da NFL, e chutou bolas que renderiam belos field goals.

Disappointed but not surprised…

A propósito, Marcão teve o sadismo de manter o camisa 7 em campo durante todo o jogo. Fomos submetidos a uma prova de resistência interminável, daquelas que participantes de reality shows precisam tolerar para avançar na competição.

Além de cometer erros na escalação e nas substituições, Marcão parece não conseguir treinar o time, já que o Fluminense é completamente incapaz de achar soluções para os problemas gerados pelos adversários. Somos como um corpo autopsiado, vazio. Um verdadeiro nada…

Se o Fluminense não possui padrão de jogo ; se as peças escolhidas não são as ideais ; se as substituições no intervalo mostram uma gritante falta de leitura de jogo ; o que Marcão e sua comissão técnica fazem no Fluminense Football Club?

Que a materialização dessa espécie de antítese futebolística vomitada aos nossos pés, jogo após jogo, sirva de exemplo para o planejamento do ano que vem. Não tem jeito, mais cedo ou mais tarde, as consequências resultantes de decisões equivocadas voltam para nos assombrar. É a lei da vida.

Precisamos de alguém que enxergue o óbvio! Nelson Rodrigues dizia que só santos e profetas são capazes de fazê-lo.

Infelizmente, Marcão não é santo, nem profeta, nem treinador.

ST!