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Em nosso plano terreno, o acontecimento de alguns fenômenos são tidos como certos, previsíveis. Positivos ou negativos, eles sempre estarão por perto, mostrando que, mesmo em meio ao caos, a vida possui uma certa ordem. O nascer e o pôr do sol, as estações, os erros do Egídio e a morte são alguns bons exemplos dessa questão inalterável.

Para o terror dos torcedores de futebol, os erros de arbitragem estão inseridos no rol dos fatos imutáveis, permanentes. Assim como o avanço da medicina não impediu e jamais impedirá o advento da morte, o VAR não veio para resolver todos os nossos problemas. Pelo contrário, de certa forma, a ferramenta escancarou o mórbido despreparo de nossos árbitros.

Frente a frente com o monitor, de todos os ângulos e nas mais variadas velocidades, homens e mulheres tornam-se parcialmente cegos, incapazes de enxergar o óbvio e aplicar a regra. São padeiros que não fazem pães, juízes que não julgam, professores que não dão aula. Com o gabarito em mãos, tiram nota zero.

É impossível acabarmos com todos os erros, mas é completamente factível sairmos do fundo do poço e alçarmos voo rumo a uma realidade melhor. Afinal, quando estamos praticamente na estaca zero, a tendência é evoluir, melhorar.

Profissionalização, treinamento, monitoramento de talentos e meritocracia, comumente trazidos à tona quando o assunto é evolução na arbitragem, continuam sendo os alicerces para um espetáculo mais justo. Os clubes de futebol, como os maiores interessados, precisam sentar à mesa com a Confederação Brasileira de Futebol e trazer ao debate ferramentas e soluções que fomentem e viabilizem a aplicação de tais medidas. Os dirigentes precisam se unir e enfrentar o problema de frente. Afinal, não adianta reclamar após o erro derramado…

O detestável ” o choro é livre”, entoado pelo atleta Diego Costa após a repercussão do pênalti marcado a favor do Atlético- MG, é a manifestação fiel do pensamento obtuso que afoga os dirigentes de clubes brasileiros num mar de ataques de fúria seguidos de um silêncio constrangedor. Quando a água bate no joelho, ninguém aprende a nadar; quando bate no pescoço…

Aliás, é curioso esse tipo de frase vir de um jogador que representa um clube que até hoje chora copiosamente por um erro de arbitragem ocorrido anos atrás. Seria cômico se não fosse trágico.

É justamente essa mentalidade infantil e individualista que inviabiliza a organização de um movimento central destinado a resolver a questão da qualidade da arbitragem no Brasil.

A sensação é que todos os profissionais do futebol, sejam eles dirigentes ou jogadores, não desejam realmente melhorar a arbitragem; eles só não querem que seus clubes sejam prejudicados.

Enquanto isso, o beneficiado de hoje é o prejudicado de amanhã.

Quem será o próximo favorecido? Quem será o próximo lesado? Só o VAR sabe.

Infelizmente, o choro continua livre. Até quando? Por ora, preparem seus lenços…

ST!