Campeão da inédita Copa Sul-Minas-Rio havia apenas cinco dias, o Fluminense viveu uma noite estranha em Volta Redonda, onde jogou a segunda semifinal do Campeonato Estadual, embora nem parecesse.

Autor do passe para o gol do título na última quarta, Magno Alves mostrou a lucidez e a maturidade de quem é, de fato, o jogador mais experiente do elenco, ao dizer que o time pareceu ter jogado uma partida qualquer, devido a postura descompromissada em campo.

Em que pese a declaração sincera, é difícil entender por que o Flu atuou tão mal. E logo na partida que sucedeu a sua mais brilhante exibição.

O Botafogo tem méritos, claro. Ricardo Gomes vem tirando leite de pedra na direção de um elenco visivelmente frágil, mas que compensa tudo com rigor máximo na organização tática e na vontade de vencer. Repetirá contra o Vasco a decisão do Estadual do ano passado. Não será fácil. Além de um adversário embalado, enfrentará a arbitragem sempre suspeita do Estadual de Eurico e Rubinho.

Neste domingo, ela até o beneficiou, ao ignorar um empurrão dentro da área em Fred ainda no primeiro tempo. Mas que Bruno Silva não experimente fazer o mesmo na final que a história certamente será outra.

Apesar da infração nítida, o Tricolor não tem de se esconder atrás dela para justificar a eliminação. A classificação alvinegra foi justíssima, e o sufoco que o Flu levou em todo o primeiro tempo, incompreensível.

Ao não aproveitar o resultado duplo por que jogava, o time repetiu uma incômoda sina de não saber atuar com a vantagem do empate, como já havia acontecido nas últimas quatro desclassificações, contra Vasco (Taça Guanabara, domingo passado), Palmeiras (Copa do Brasil), Botafogo (semifinal do Estadual do ano passado) e, de novo, Vasco (semifinal do Estadual – 2014). De quebra, viu um raio cair pela terceira vez no mesmo lugar, ao sofrer mais um gol de Ribamar no terceiro Clássico Vovô da temporada – justamente os três que marcou em toda a competição.

A eliminação não ofusca a importância da conquista da Primeira Liga, mas gera uma dúvida na cabeça do torcedor, que quer saber com qual Fluminense contará no restante da temporada – o besta, da derrota contundente para o Botafogo, ou o bestial, da atuação empolgante ante o Furacão?

O tempo dirá.
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Coluna bissemanal, publicada geralmente às segundas e quintas, e sempre nos dias seguintes aos jogos do Fluminense.