Mário Bittencourt desconversou sobre eventual reeleição (Foto: Divulgação - FFC)

Em 2019, Mário Bittencourt assumiu a presidência do Fluminense ao vencer, em eleição antecipada pelo ex-presidente Pedro Abad, Ricardo Tenório. Agora, dois anos depois, lista os passos de sua gestão. A questão financeira é um enorme desafio em virtude da enorme dívida do clube, que volta e meia ocasiona penhoras.

De acordo com o mandatário, em questão de nove anos, o Tricolor estará com sua situação administrável. Paralelamente a isso, se diz feliz pelo fato de em campo o time estar conseguindo bons resultados.

– Acho que nosso principal norte foi conseguir ter austeridade financeira e resultado de futebol mesmo com os cintos apertados. Não só em razão do que a gente se propôs quando entrou em 2019, de fazer uma reconstrução do clube na parte financeira, mas também com os impactos da pandemia. Ter conseguido sobreviver com os cintos apertados e mesmo assim trazer resultado esportivo, como a gente vem trazendo, é a grande química da gestão. Em termos gerais, a gestão é reconquista da credibilidade por pagamento das dívidas e estabilidade interna – iniciou, prosseguindo:

– Diferentemente de uma empresa como outra qualquer, um clube de futebol precisa de resultado para ter receita. Essa é a grande dificuldade de um presidente, conseguir ser austero e ao mesmo tempo ter um grande resultado esportivo. Se a gente caísse para a Série B em 2019, nós chegamos aqui com o time em 18º, nossa receita de TV caia de R$ 88 milhões para R$ 7 milhões. Aí o clube entra em colapso. Isso é até uma coisa que a gente tenta explicar para os juízes quando nos penhoram. Eles falam: “Ah, mas vocês contrataram jogador tal”. E a gente tem que explicar que não adianta abaixar o nível do time porque aí não tem receita e não vou conseguir pagar as dívidas nem as contas do dia a dia.

Mário Bittencourt também falou sobre o organograma montado para gerir os problemas do clube.

– A gente também montou um comitê de crise logo na chegada, com o diretor geral do clube, do jurídico e do financeiro. E trocamos o planejamento estratégico de longo prazo para um planejamento semanal. Porque às vezes temos 60 coisas para pegar na semana, mas entra uma penhora na terça-feira. Aí tenho que ligar para as 60 pessoas e explicar que não vou conseguir pagar agora porque entrou uma penhora, vou ter que pagar dentro de 20 dias. É para isso que serve o comitê de crise, a gente liga para os credores, um a um: “Olha, esse mês não deu para pagar, mas não executa (o clube na Justiça), não, estamos tentando pagar”… E assim vai conseguindo organizar. A gente fica correndo atrás da dívida, não tem jeito – explicou.

Com o trabalho desenvolvido, o presidente fala confiar em ter um clube financeiramente administrável dentro de nove anos. As dívidas não terão acabado, mas, de acordo com a sua previsão, serão controláveis.

– Eu conhecia muito as dívidas pelo tempo que trabalhei aqui, mas perdi a eleição em 2016, fiquei 2017, 2018 e metade de 2019 fora, sem acompanhar internamente. E a gente encontrou muita coisa que tinha não ajuizado. São 150 milhões de passivo que a gente já pagou em dois anos. Aí vão falar: “Poxa, mas eu vi que a dívida do Fluminense continua em R$ 700 milhões”. Era para estar em R$ 850 milhões. Ela continua em R$ 700 milhões por causa dos juros. “Ah, então o Fluminense está enxugando gelo? Não tem solução?” Tem. Com a credibilidade que estamos chegando agora, estamos começando a conseguir fazer acordos com deságio, tirar 20%, 30% da dívida… Se a gente conseguir fazer essa gestão até o fim de 2022, e depois se nós seguirmos ou se vier alguém que consiga manter isso aqui, o futebol equilibrado e os custos, na nossa cabeça o clube se resolve financeiramente em nove anos. Não é com a dívida 100% quitada, mas administrada – projetou, explicando:

– O clube todo custa mais ou menos por mês R$ 15 milhões: futebol Xerém, sede, impostos, incluindo R$ 4 milhões de pagamentos de Ato Trabalhista, Profut, acordos e penhoras. Se fatura R$ 220 milhões mais ou menos, R$ 15 milhões vezes 12 vai dar R$ 180 milhões. Em tese, sobrariam R$ 40 milhões. Se o clube consegue não ter mais essas penhoras no futuro, e lá na frente tiver que pagar R$ 5 milhões por mês de dívida fixa, terá mais R$ 10 milhões para gastar, o clube vai estar saneado.