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O que trava a SAF do Fluminense? Negociação com a Lazuli chega a um ano

Bruno Loreto

Projeto ainda não saiu do papel

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A transformação do Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ainda está longe de uma definição. Nesta terça-feira (8), a negociação com a Lazuli Partners completa um ano desde a apresentação pública do projeto ao Conselho Deliberativo, mas o clube ainda trabalha para melhorar os termos antes de colocar uma nova proposta em discussão.

O principal ponto em debate é o valor do aporte inicial. A expectativa dentro do clube é de que uma proposta reformulada possa ser apresentada ainda em 2026, dando início a uma nova etapa de análise sobre a possível venda da SAF.

Fluminense discute valores e proteção ao clube

Na proposta apresentada originalmente, a Lazuli previa um aporte de R$ 500 milhões e um compromisso de R$ 6,4 bilhões em investimentos durante 10 anos. Somados, os valores chegariam a R$ 6,9 bilhões.

O projeto prevê recursos para o futebol profissional, categorias de base, estrutura do CT Carlos Castilho e Xerém, além de folha salarial e royalties para o Fluminense.

Além do dinheiro, o clube também discute cláusulas de governança e do acordo de acionistas. A intenção é garantir mecanismos de proteção ao Fluminense em uma eventual mudança no controle da SAF.

A negociação levou mais tempo do que o esperado inicialmente. A eleição presidencial do clube contribuiu para interromper as conversas, enquanto a publicação do balanço financeiro de 2025 também era aguardada para o avanço do projeto.

Situação financeira mantém discussão em pauta

A necessidade de encontrar uma solução de longo prazo para as finanças é um dos principais fatores por trás da discussão sobre a SAF.

Segundo o presidente Mattheus Montenegro, a dívida do Fluminense passou de R$ 860 milhões em 2019 para cerca de R$ 1,05 bilhão atualmente. O clube utiliza o Regime Centralizado de Execuções (RCE) para organizar parte dos débitos e vem conseguindo manter os pagamentos ao elenco.

No fim de agosto, porém, o Fluminense recebeu uma advertência de grau mínimo da ANSREF por atrasos no pagamento de parcelas de dívidas com clubes, empregados e autoridades públicas. O clube afirmou que os problemas apontados já foram solucionados.

Outro desafio está nas receitas com vendas de jogadores. O orçamento previa cerca de R$ 200 milhões em negociações em 2026, mas a meta ficou distante. A principal venda foi Facundo Bernal, por US$ 12 milhões, sendo US$ 7,2 milhões destinados ao Fluminense pela participação de 60% nos direitos econômicos.

O clube ainda teve uma receita superior a R$ 1 bilhão em 2025, impulsionada pela campanha no Mundial de Clubes. Parte dos recursos foi utilizada em premiações, viagens, acordos judiciais, folha salarial e contratações.

É nesse cenário que a SAF segue sendo discutida como uma alternativa para fortalecer o caixa e atacar o problema da dívida. Um ano depois da primeira apresentação da Lazuli, entretanto, o Fluminense ainda busca chegar a um modelo que considere mais vantajoso antes de avançar para uma decisão.

Bruno Nunes Loreto é jornalista formado em 2018 pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Trabalha como redator desde 2016, passando por sites como Torcedores, 90min, Bolavip e Antenados no Futebol. Exerce a função de repórter no NETFLU.

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