Caro, presidente.

Venho por meio desta, pedir que, juntamente com a sua equipe de Vice-Presidentes, Gerentes e todo o staff, mudem a estratégia de gestão do Fluminense Football Club.

A oportunidade é agora. Na verdade, já passou do tempo! A política de cortar os gastos “na carne” e enxugar de tudo quanto é forma não funciona no futebol e em outros setores também. É certa a prática de reduzir despesas, mas se faz necessário entender o que realmente é custo e o que é investimento.

Não podemos repetir o ano de 2017, que tivemos um elenco muito jovem. Falta experiência para o grupo e, muitas vezes, capacidade técnica. Mantendo a espinha dorsal, contratando, pelo menos, três jogadores renomados, temos condições de formar um time mais forte e competitivo em 2018.

Se lembra da estreia do Romário? Presente do nosso centenário, 70 mil pessoas foram ao Maracanã vê-lo. Ruas lotadas, estádio cheio, Laranjeiras abarrotada para ver os treinos do Baixinho… E a chegada do Fred? Salão nobre entupido de tricolores esperançosos e sedentos por títulos, que vieram. Novos fãs ao redor do Brasil por conta de um ídolo.

Reforçar o elenco com jogadores em condições de serem titulares absolutos não é custo. É investimento! Fala-se tanto em manter ativos. Jogadores geram custos com salários e premiações, mas também dão lucro. Bons jogadores enchem estádio, vendem camisas, produtos licenciados, chamam a atenção de patrocinadores e dão títulos. Grandes empresas querem associar a sua marca, mesmo que indiretamente, a um Kaká, Fred ou Thiago Neves. O Corinthians quando voltou à série A em 2008, apostou em Ronaldo e se transformou num clube ainda maior. Veja quantos Brasileiros conquistaram de lá para cá. Isso sem falar em Libertadores e Mundial.

Também gostaria de aproveitar essa oportunidade para falar sobre publicidade. Por favor, a camisa do Fluminense não é uma colcha de retalhos. Espalhar patrocínios pontuais que não pagam salário do nosso jogador mais barato não vai resolver o problema do Fluminense. Muito menos dar espaço na camisa para permutas. Estamos num processo de desvalorização da marca nos últimos anos e isto pode ser trágico para o Fluminense e seus torcedores.

Sei que estando de fora, falar é muito fácil. Aí dentro, com todos os problemas, o buraco é mais embaixo. Mas vamos tentar ser mais criativos pra sairmos dessa situação. Quer um exemplo prático?

O Atlético-MG vai construir um novo estádio para mais de 40 mil torcedores, sem tirar um centavo das receitas do clube e sem dever a ninguém. Já tem até naming rights. Chamará Arena MRV. O Galo entrará para um seleto grupo de clubes no país que conseguem unir estádio próprio, casa cheia, plano de sócios robusto e títulos. Assim como fazem Corinthians, Palmeiras e Grêmio. O seu antecessor e o senhor prometeram aos tricolores em campanha. Promessa é dívida!

Por falar nisso, precisamos melhorar as formas de pagamento do nosso sócio-futebol. Comentei sobre isso recentemente num post na minha coluna no NETFLU. Nada foi feito até agora.

Precisamos reagir e contamos com você. O nosso treinador, Abel Braga, já está quase entregando os pontos. A nossa imensa torcida, grande parte dela já fez isso. Você está no comando, Pedro! Queremos contas equacionadas, já que nunca estiveram, mas também aspiramos títulos, times fortes e capacitados. Novos ídolos, Maracanã lotado, comemorações nas Laranjeiras, ficar bêbados e zoar os rivais. O Fluminense é a nossa vida e não merece trilhar no caminho obscuro que vocês estão levando. Os anos 90 se passaram e não queremos flashbacks.

Sem mais.

Atenciosamente.