O momento não é dos mais favoráveis. A carência de talentos dentro de campo e a inapetência de vitórias de uma diretoria inexpressiva, deixam os torcedores cada vez mais apreensivos com os destinos do clube. Até a, antes inesgotável, fonte de Xerém, que tantas vezes socorreu a equipe principal, parece contaminada pela prostração administrativa.

Mas a minha proposta neste neste primeiro contato com vocês não é ficar alimentando derrotismo e baixo astral. Mesmo porque, isso é passageiro. Definitivo é o privilégio e o orgulho de quem torce por um clube como o Fluminense, com sua história, suas conquistas, seus ídolos.


Por uma feliz coincidência, este primeiro post está sendo pulicado dois dias depois das comemorações pelos 116 anos de fundação. Além de agradecer à valorosa equipe do NETFLU pelo convite, vou aproveitar a oportunidade para lançar um desafio: quais os dez maiores ídolos da história do Fluminense, na opinião de vocês?

É claro que estou fazendo isso porque tenho a minha lista. E sei que estou metendo a mão num vespeiro, pois é impossível destacar dez jogadores em 116 anos de uma história tão rica, sem cometer injustiças. Mas o que seria do futebol sem as polêmicas? Então, vamos lá.

O número 1, indiscutível, é Castilho. Não o vi jogar, e nem precisava. Basta ler a sua história. Conhecer o amor genuíno que tinha pelas três cores que traduzem tradição. Castilho está para os tricolores como Nilton Santos, para os botafoguenses; como Pelé, para os santistas; como Zico, para os rubro-negros.

O segundo e o terceiro também não vi jogar. Mas conheci como técnicos e virei fã depois de algumas entrevistas. Primeiro, pela retidão de caráter; depois, pela participação na formação de seus jogadores como homens; e, por último, pelo compromisso que tinham com o futebol vistoso e leal. Telê Santana e Didi.

A partir do quarto, tive o privilégio de ver todos em campo. Um deles foi Gérson. Ainda era adolescente quando ele decidiu encerrar a carreira. Mas trabalhamos juntos na Rádio Globo, onde descobri que, mais do que a Canhotinha, ele tem um coração de ouro. É titular em todas as minhas seleções.

Comporia um belo meio-campo com Assis, o eterno craque da simplicidade. Como esquecer as suas arrancadas geniais, com aquelas canelas finas e habilidosas? Como esquecer os gols que marcou com aquela camisa 10?

A lista vai para a segunda metade e a escolha já começa a ficar difícil. O sexto nome, para mim, é bem curto, mas ficará por muito tempo na memória da torcida: Fred. Como era bom ver em campo a sua fome de gols, de vitórias e de conquistas. Como era bacana ouvir suas manifestações de carinho pelo Fluminense, numa época em que o amor à camisa já havia caído em desuso. Em sua primeira entrevista como jogador do Atlético, falou mais do Fluminense do que de  seu novo clube.

O sétimo neste meu ranking costumava jogar com a camisa 7 e é também o único que nasceu em outro país. Mas a sua identificação com o Fluminense é tão grande, que muitos jovens acham que é brasileiro. Romerito, paraguaio de nascimento, tricolor por adoção. Trinta e quatro anos depois de marcar seu gol mais importante pelo clube, continua sendo mais assedidado nos eventos do que muitos dos jogadores atuais.

Poderia, perfeitamente, ser o capitão desta seleção. Se nesta lista não houvesse um certo Carlos Alberto Torres, outro que tinha sangue em três cores. Ninguém na história do futebol brasileiro encarnou tão bem esta função. O eterno Capita ajudou também a escrever algumas das mais belas páginas da trajetória tricolor.

E completo esta lista com dois Thiagos. O Silva, monstro, um dos maiores zagueiros que vi jogar; e o Neves, que se agigantava em partidas importantes. Assim como Zico, Baggio e Baresi, experimentou o lado cruel do futebol ao perder aquele pênalti na final da Libertadores, depois de ter marcado três gols no tempo normal. Mas tem o seu lugar entre os grandes. Aliás, todos os citados acima, tinham algo em comum: não gostavam de perder. Não se conformavam com derrotas. Bem diferente do que tem acontecido nos últimos anos.

Se pudesse esticar um pouco esta relação, incluiria Rivellino, Conca, Ricardo Gomes, Edinho, Paulo Victor, Wendel, Pintinho, Branco, Tato… Ainda assim cometeria injustiças. E a proposta é escolher dez.

E aí? Vão entrar no desafio? Mandem as suas listas. Concordem, discordem, discutam. Mas lembrem sempre: torcer pelo Fluminense faz bem. Em qualquer circunstância.