Foto: Nelson Perez/FFC

Nobres tricolores,

neste post me disponho a avaliar o elenco montado pela diretoria do Fluminense neste início de 2017. A rigor, apenas uma contratação foi feita pela gestão atual, a de Lucas, por empréstimo, ao Palmeiras. Os equatorianos foram adquiridos na administração Peter Siemsen meses atrás. Reforço genuinamente Abad apenas o lateral-direito.

Sem dinheiro, devido aos investimentos pesados e mal feitos por Mário Bittencourt e Jorge Macedo, com a anuência do ex-presidente, o Fluminense não tem verba para absolutamente nada. Importante lembrar que no caso de Mário, houve apenas pagamento de salário. Já Macedo, além de ter comprado os atletas, aceitou pagar altos vencimentos. Nesta semana, nosso repórter Paulo Brito publicará uma matéria que explica a razão dessa demora nas contratações e, mais do que isso, a ausência delas.

Antes da análise individual, a coletiva.  Me anima o meio-campo que Abel Braga deve escalar para a estreia na Primeira Liga e Estadual. Orejuela, Sornoza e Scarpa são jogadores técnicos e se os equatorianos darem certo, teremos um setor de respeito. A dúvida é quanto a Douglas. Sabe jogar, mas é um Deus nos acuda na marcação. Transparece uma plenitude que pode custar caro a ainda curta carreira. Precisa jogar ao invés de desfilar em campo. Na esperança que o treinador, um excelente gestor de pessoas, modifique esse maneira de agir do garoto.

Temos um grande goleiro, que, invariavelmente, tem dificuldades nos inícios de temporada, ainda mais com tanto tempo sem jogar. Na direita, um razoável Lucas. Do outro lado, um inseguro Léo. Zaga na média do futebol brasileiro. Na frente, um habilidoso, veloz, mas irregular Wellington e um centroavante de relacionamento conflituoso com a bola.

Para o Estadual e Primeira Liga, esse time pode render, mas insisto: o sucesso ou fracasso desse time dependerá muito dos equatorianos, que desenvolvem seu jogo no setor mais importante da equipe. Vamos à análise individual:

 

DIEGO CAVALIERI – Melhor goleiro do elenco e candidato a capitão de um time sem uma grande referência. Titular.

JÚLIO CÉSAR – Um reserva que correspondeu bem quando solicitado. Claudicou algumas vezes, mas para a posição que ocupa, tem sua utilidade.

MARCOS FELIPE – Na base pegava tudo. Estreou profissionalmente ano passado e falhou no gol do Internacional. Tem futuro.

MATHEUS – Desconheço suas características.

LUCAS – Lateral de boa batida na bola, cruzamento, mas com problemas de marcação. Muito mal no Cruzeiro, foi bem no Botafogo e em parte no Palmeiras. Contratação aceitável, levando em conta a carência de laterais no Brasil e no mundo.

RENATO – Incógnita. Como lateral no Flu, foi péssimo. Dizem (não acompanhei) que foi bem no Avaí, mas como meia.

LÉO – Tem força física e velocidade, mas, até pela idade, mostrou insegurança quando solicitado. Eleito um dos, senão o melhor lateral-esquerdo da Série B, chega mais maduro. Mas desconfio que vestirá a camisa sem largar.

GIOVANNI – Tecnicamente fraco. Se requisitado, vai fazer a torcida sofrer.

RENATO CHAVES – Bem em todas as vezes que foi requisitado. Tem mais intimidade com a bola do que Gum e tinha o apoio da torcida para assumir a vaga de titular. Terá a chance nesse ano.

HENRIQUE – Começou muito mal, falhando em sequência. Jogador caro, melhorou ao longo do tempo. Não é o zagueiro que esperávamos, mas atuando ao lado de um companheiro mais técnico, tende a crescer.

GUM – Respeito eterno pela maneira com que trata o Fluminense. É um dos atletas mais vitoriosos da história do clube e precisa ser reconhecido. Mas seu tempo passou. Aos 31 anos, a falta de recurso técnico, a essa altura, tem pesado.

NOGUEIRA – Qualidade para sair jogando e chutes para onde o nariz aponta quando necessário. Opção interessante para a reserva.

REGINALDO – Um dos atletas mais desconhecidos do elenco, chega sob desconfiança. Atuou por empréstimo em seis equipes pequenas e só se firmou na última, no Vila Nova-GO. Lá, não começou como titular. Se tornou depois e fechou 2016 como capitão do time.  Em conversa com torcedores, me disseram ser um jogador “meio loucão”, querendo mostrar qualidade em todos os lances, mesmo naqueles que necessitem o “chutão”.

FRAZAN – Revelação de Xerém. Vi pouco no sub-20 e não me encheu os olhos. Será a quinta ou sexta opção para a zaga.

OREJUELA – Jogador versátil, de passadas largas, chega com facilidade a frente. Bom no jogo aéreo também. Atua de primeiro ou segundo volante, mas evolui melhor quando tem liberdade para chegar ao ataque. Aposta para tornar o setor mais leve. Depende de adaptação.

DOUGLAS – Qualidade indiscutível. Tem passe refinado, mas é muito disperso na marcação. Se conseguir entender que volante precisa marcar e jogar, pode se firmar entre os titulares.

PIERRE – Apesar da idade e de ficar mais deitado do que em pé, ainda pode ser útil em partidas que necessitem de mais pegada no meio-campo. É um tipo de jogador em desuso no futebol atual, mas não foi o horror que alguns torcedores têm pintado nas redes sociais.

LUIZ FERNANDO – O que vi dele antes de jogar na Eslováquia me assustou. Lento e com muita dificuldade no passe. Foi eleito por uma revista o melhor volante do país europeu de todas as divisões. Desconfio demais.

MATEUS NORTON – Não o conheço, mas me informei com quem já viu jogar. É tido como uma das principais revelações, com potencial de assumir a titularidade. Elogiado na pré-temporada.

GUSTAVO SCARPA – A camisa 10 pesou, afinal, não é um meia clássico. Mas trata-se do jogador mais versátil e eficiente do Fluminense. Importantíssimo nas bolas paradas e chutes de média e longa distância. Titular absoluto.

SORNOZA – Potencial maestro da equipe. Não é um jogador super rápido. Compensa com visão de jogo, através de passes em profundidade e lançamento. Chega fácil na área para concluir. Candidato a ídolo.

MARQUINHO – O jogador de 2010 seria muito útil, mas perdeu fôlego com o passar dos anos. O Marquinho do ano passado é dispensável. Contratação equivocada, pelos valores envolvidos. É um dos maiores salários do elenco.

DANILINHO – Está na lista dos dispensáveis. Uma das piores contratação de 2016. A qualidade que tinha, a velocidade, perdeu.

MARQUINHOS CALAZANS – Dublê de ponta e lateral-esquerdo, deve ser muito utilizado nesse ano. Tem velocidade e recursos.

DANIELZINHO – Apostava muito nele. Teve poucas chances, é verdade, mas nem no Oeste se firmou. Fernando Diniz o utilizou como segundo volante e ficou no banco várias vezes. Aos 21 anos, ainda pode ser o atleta que se espera, de bom passe e visão de jogo.

MARANHÃO – Fluminense recebeu propostas por ele e não quis negociar. Um erro a meu ver, visto que opção de jogador de velocidade não falta no elenco.

OSVALDO – Uma decepção. Contratação comemorada por nove entre dez tricolores, nunca conseguiu jogar bem. Prestes a completar 30 anos, perdeu a rapidez e, parece, o apetite pelo futebol.

MATHEUS ALESSANDRO – Na minha opinião, o melhor dos garotos que foram incorporados aos profissionais. Atacante de velocidade, é abusado e driblador. Parte para cima da marcação sem medo de ser feliz. É um dos jogadores mais elogiados pelo técnico Abel Braga e diretoria. Promissor.

WELLINGTON SILVA – Que é muito técnico, não resta dúvida. Mas falta uma conversa ao pé do ouvido. Erra muito nas tomadas de decisão. Quando tem de chutar, dribla. Quando precisa do drible, chuta. Se Abel conseguir “consertá-lo” vai agradar a torcida ainda mais.

MARCOS JÚNIOR – É rápido, tem muita garra, vibração, mas não o vejo como titular. Importante para composição do elenco.

LUCAS FERNANDES – Pode ser uma das surpresas. Alia velocidade com inteligência. A experiência no Atlético-PR lhe fez muito bem. As recomendações são as melhores.

RICHARLISON – Outro jogador com potencial, mas que sofre do mesmo “mal” de Wellington: as  tomadas de decisão. Parece um caminhão desgovernado quando tem a bola. Mas mostrou que é muito mais útil nas beiradas do campo do que como centroavante. Em sua apresentação, deixou claro que estava sendo contratado para jogar com Fred, não substitui-lo.

PEDRO – Artilheiro na base, se jogar o que vi, é postulante a vaga no time titular. Presença de área e carisma, o garoto é uma das esperanças para acabar com a falta de um goleador. O problema é a pressão em cima de um menino de somente 19 anos.

HENRIQUE DOURADO – Recusou propostas e, por isso, será a aposta de Abel neste começo de trabalho. Quando sai da área é um terror. Para os tricolores. No Carioca pode até fazer alguns golzinhos em equipes pequenas. O problema é o tricolor cair na ilusão. Veste a 9, mas não reúne condições de ser titular do Fluminense.

 

– Ainda precisamos de lateral-esquerdo, primeiro volante e centroavante

– Pedro Abad prometeu jogador “grande e cascudo”. E…

– …o vice de futebol rechaçou a contratação de medalhão.

– Não existe liderança nesse elenco.

– Falta referência técnica e psicológica. Time de garotos.

– Sem reforços, sem patrocinador, sem fornecedor e sem estádio para jogar.

– Se precisávamos de remedinhos em 2016, necessitaremos da farmácia inteira agora.

 

Um grande abraço e saudações!

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