Fluminense e Vasco já proporcionaram grandes duelos na história quase centenária do clássico. Dois deles ocorreram em 2000, pela Copa do Brasil. O time da Colina era o franco favorito, com um dos melhores elencos do país. Romário, Edmundo, Pedrinho, Felipe, Mauro Galvão e tantos outros. O Tricolor depositava suas esperanças no então jovem meia Roger, criado em Xerém, que “fez chover” naqueles confrontos e complicou a vida do hoje treinador do Flu, Abel Braga.

Após o empate em 1 a 1 no Maracanã, nova empate em 2 a 2 deu a vaga para a próxima fase ao Fluminense. Roger fez uma grande partida e calou os críticos e o presidente vascaíno, Eurico Miranda, que ameaçou multar a própria equipe se perdesse para um ‘time de segunda divisão’ – o Fluminense voltou a disputar a elite naquele ano, após conquistar a Série C em 1999.

– Lembro, lembro. Tinha o Magno Alves no ataque… Mas o que o Roger Flores fez no jogo foi um absurdo. Eu lembro que tinham provocado o Fluminense. Falei: ‘Não provoca os caras, deixa eles’. Fomos eliminados ali – lembrou Abel, no CT Pedro Antonio.

A desclassificação custou caro a Abel Braga, que foi demitido em seguida.

– Abel disse? Tive uma atuação individual espetacular. O Vasco tinha uma seleção, um time muito superior. Eu lembro de algumas declarações do Eurico, dizendo de bicho, que não aceitava perder, que era time de segunda divisão e realmente foi uma das grandes noites minhas. Tive uma atuação individual espetacular – comentou Roger, ao jornal Lance, completando:

– Lembro que domino uma bola no meio de um monte e depois faço uma jogada, tiro da cartola uma mágica onde todo mundo achava que a bola ia sair. Não tive espaço com a perna direita e toquei com a esquerda em cima da linha de fundo pra Agnaldo fazer o segundo gol. Logo depois faço outra jogada, driblo o goleiro, bato, ela corre em cima. Tivemos alguns problemas, o Zetti não estava em um bom dia. Levamos um gol contra, outro de falta com falha nossa. Teve uma briga com Viola, César, Régis… o jogo foi uma loucura.