Bicampeão brasileiro pelo Fluminense em 2010 e 2012, o zagueiro Leandro Euzébio marcou o seu nome na história do clube. O jogador conquistou a torcida tricolor com o desempenho dentro de campo e com um enorme carisma fora das quatro linhas. Em entrevista exclusiva ao NETFLU, Euzébio relembrou a passagem marcante pelas Laranjeiras, falou sobre o atual momento do Flu e muito mais. Confira a entrevista na íntegra abaixo.

NETFLU: Em um vídeo você, de brincadeira, disse que é maior do que o Botafogo. Agora falando sério, se considera mesmo maior do que nosso rival?

 
 
 

Leandro Euzébio: Nada. Foi apenas uma brincadeira com um colega e infelizmente o vídeo vazou. Jamais eu iria diminuir a imagem da instituição como o Botafogo. Não foi nada demais.

NF: O Fluminense de 2010 a 2012 metia medo nos adversários? Acha que isso mudou com o tempo após tanto tempo sem títulos importantes?

LE: Em 2010, 11 e 12, o ambiente dentro do Flu era excepcional. Tudo fluía. Se não tiver um ambiente legal, o vento não vai ser à favor nunca. Nessa época, o clube tinha jogadores que poderiam estar na seleção brasileira tranquilamente, além do Conca que poderia ter ido para a seleção argentina. Nosso time era de muita qualidade. Os adversários se assustavam, entravam em campo com medo de tomar gols, pelo menos alguns.

NF: Qual foi o melhor jogador com quem atuou no Fluminense?

LE: Acho que todos tiveram importância, mas como eu tive uma adaptação com o Gum, para mim foi ele. Como eu tive um envolvimento com ele não só dentro de campo, mas fora, ele foi um dos melhores jogadores do Fluminense com quem joguei.

NF: Gum e Leandro Euzébio foi a melhor dupla de zaga da história do Fluminense?

LE: Se eu falar que considero não seria muito legal. Mas eu e ele ficamos na história do clube. Criamos uma história que dificilmente vai acontecer de novo, porque é muito difícil fazer o que fizemos juntos.

NF: Qual título marcou mais: Brasileiro de 2010 ou 2012?

LE: Eu acredito que o Brasileiro de 2010. Tive a oportunidade de fazer o gol que levou o time à liderança e foi muito importante para essa arrancada do Fluminense. E todo mundo fala comigo na rua, porque lembra da minha imagem se equilibrando em cima de um das traves do Engenhão para comemorar a conquista.

NF: O Fluminense do Diniz joga um futebol melhor do que o Fluminense do Muricy de 2010 e do que o Fluminense do Abel de 2012?

LE: Acho que isso é difícil, fazer essa comparação é complicada, porque está na fase do Campeonato Estadual. O Diniz é um excelente treinador, já mostrou isso, vem implantando esse estilo de jogo no Fluminense e tem a crescer muito mais. O jogador está tendo o entendimento que ele quer. Sem dúvidas nenhuma, o Fluminense tem a crescer. Mas tem que ir com calma, porque tem que esperar o Brasileiro para poder ver como o time se comporta. Esse futebol que está jogando vai surpreender muita gente.

NF: O estilo de jogo do Diniz beneficia o sistema defensivo?

LE: Ele implantou um estilo de jogo onde todos jogam. Se eles fazem aquilo em campo é porque treinam. O professor tem a confiança e os atletas absorveram bem. Quando isso acontece, sem dúvida nenhuma vai dá certo.

NF: Como você analisa os atuais zagueiros do Fluminense?

LE: Todos têm jogando bem. O Digão não teve uma passagem legal pelo Cruzeiro e quando chegou ao Flu tomou uma postura de líder, ao lado do Matheus Ferraz. Tomara que continuem assim, para ajudar todo o elenco.

NF: O que achou do atuação dos reservas tricolores contra os titulares do rubro-negro no Fla-Flu do último fim de semana?

LE: O Fluminense no início do jogo não tinha se acertado, mas se acertou depois dos 20 minutos, se achou dentro de campo, começou a jogar bem. Infelizmente a vitória não veio, mas acho que o time reserva do Fluminense está de parabéns. Esperamos que eles possam continuar dessa forma.

NF: Qual é a expectativa para o jogo de quarta, novamente contra o Fla, mas agora com o time completo?

LE: Agora é a vera. Acredito que o Diniz tem suas surpresas para poder botar em campo contra o Flamengo. Acho que o Fluminense vai fazer um bom jogo, o grupo está entendendo o que treinador quer e isso é fundamental.

NF: Problemas financeiros atrapalham o desempenho do atleta?

LE: O atleta infelizmente fica chateado, porque as contas chegam. Mas acredito que, como todos ali são profissionais, não deixa isso influenciar dentro de campo. Na nossa época quando acontecia isso, não levávamos pra dentro de campo. A gente deixava do lado de fora. Se o time não ganhar, a situação que já é ruim pode ficar ainda pior.

NF: Pretende trabalhar como dirigente no futuro?

LE: Eu fiz um curso de treinador lá na Federação Paulista. Eu quero ser treinador. Ainda não encerrei minha carreira, espero estar encerrando na próxima temporada. Tive uma lesão, tinham quatro cubes interessados, mas por isso fiquei sem atuar em nenhum por enquanto.