(Foto: Mailson Santana/FFC)

Um estudo divulgado esta semana pelo Itaú-BBA mostra uma radiografia preocupante da saúde financeira dos clubes brasileiros. E o Fluminense não foge à regra. De acordo com a análise, o clube conseguiu um salto interessante em suas receitas, passando de R$ 125 milhões para R$ 227 milhões, nos últimos cinco anos. Mas nem isso deve ser comemorado. Muito deste crescimento está alicerçado na venda de jogadores jovens, com futuro promissor. E aumento de receita com redução de patrimônio não pode ser considerado um sinal de riqueza ou de gestão eficiente. Muito pelo contrário. No mesmo período, o endividamento do clube passou de R$ 432 milhões para R$ 619 milhões.

E um clube mal administrado, pressionado por dívidas e com salários frequentemente atrasados acaba virando presa fácil para os investidores. Clubes ou empresários. Das promessas de qualidade que conseguiram chegar ao elenco profissional, sobrou apenas Pedro. A geração sub-20 foi dizimada e, apesar do bom trabalho de Leo Percovich, não alimenta qualquer esperança a curto prazo. Restava o time sub-17, onde despontavam os atacantes Marcos Paulo e João Pedro, sempre bem acompanhados por Luiz Henrique, Wallace, André, Martinelli e Calegari, entre outros. Esse time chegou à final da Taça BH deste ano com uma campanha expressiva: 5 vitórias e um empate, com 15 gols marcados e quatro sofridos. Encarou o Atlético Mineiro na decisão e perdeu o título jogando muito mais do que o adversário, apesar do placar de 3 a 1.

Era a esperança de dias melhores a médio prazo. Tanto que a dupla de ataque titular passou a treinar com os profissionais, sem ao menos jogar pelo sub-20. Mas antes mesmo que Marcelo Oliveira pudesse comemorar a chegada dos reforços, vem a notícia de que um deles (João Pedro) está sendo negociado com o Watford, da Inglaterra. O mesmo clube que já lucrou alguns milhões de libras com Richarlison. Detalhe: João Pedro só vai completar 17 anos no fim deste mês.

O Watford ainda vai pagar ao Fluminense um resíduo do lucro que obteve com a transferência de Richarlison para o Everton, mas parte deste dinheiro quitará uma dívida com a Udinese, pela contratação de Marquinho. Na lógica perversa da administração atual, vende-se os bons, as promessas, para manter a mediocridade.

E a fonte vai secando…


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