(Foto: Arquivo Flumemória)

Quando se fala do primeiro dos quatro títulos brasileiros conquistados pelo Fluminense, em 1970, o primeiro personagem que vem a cabeça é Mickey. Não o “rato”, mascote da Disney, mas o atacante Adalberto Kretzer, que marcou todos os gols do Tricolor no quadrangular final que deu a taça ao clube verde, branco e grená.

No entanto, aquela conquista teve outros personagens marcantes e que não são tão lembrados quanto Mickey. Pensando nisso, o portal GE recordou outros três heróis do título de 70 do Fluminense: o goleiro Félix, o atacante Flávio e meio-campista Samarone, neste dia em que o primeiro título nacional tricolor completa 50 anos.

Confira abaixo:

O Fluminense utilizou 21 jogadores na campanha. De menor a maior destaque, cada um teve sua contribuição no histórico título da Taça de Prata, como era chamado o Campeonato Brasileiro entre 1968 e 1970. O time-base tricolor, comandado por Paulo Amaral, era formado por:

Félix, Oliveira, Galhardo, Assis, Marco Antônio, Denilson, Didi, Cafuringa, Samarone (Cláudio), Flávio (Mickey) e Lula.

Félix (goleiro campeão mundial com a seleção brasileira no México)

“(…) aqui realmente recebeu a consagração que merecia, convocado como titular da seleção brasileira e tricampeão mundial no certame realizado no México. Negado por muitos, Félix foi incluído pelos jornalistas internacionais, justamente durante o mundial, entre os melhores goleiros da atualidade”.

Desta forma, Félix Miélli Venerando foi eternizado nas páginas do Jornal O Globo logo após a conquista do Fluminense de 1970. Prestes a completar 33 anos na época, o goleiro era o veterano da equipe e havia chegado às Laranjeiras dois anos antes, oriundo da Portuguesa.

Em 1969, foi um dos protagonistas do título carioca, carimbando de vez seu “passaporte” para a Copa do Mundo do ano seguinte, disputada no México. Meses depois de ser campeão mundial com a Seleção, era a vez de levar o Flu ao topo do futebol brasileiro.

Flávio, o homem-gol tricolor

“(…) atingiu, em 18 meses de Fluminense, a marca dos 82 gols, com excelente média. Suspenso uma vez, contundido no final do turno de classificação, Flávio jogou 14 vezes, deixando a marca forte de sua colaboração na campanha da equipe”, dizia trecho do Jornal O Globo após o título.

Apesar de protagonista na reta final do campeonato, Mickey não era o artilheiro nato daquela equipe. Mas, sim, Flávio Minuano. O homem-gol do time de Paulo Amaral, que terminou a competição com 11 gols, empatado com Claudiomiro, do Internacional, e atrás apenas de Tostão, craque e ídolo do Cruzeiro, com um a mais.

Centroavante formado nas categorias de base do Internacional, se transferiu em 1963 para o Corinthians, onde ficou até 1969, quando foi para o Fluminense. Ainda em São Paulo, elite do futebol brasileiro na época, aparecia sempre nas cabeças das artilharias, inclusive desbancando Pelé em uma temporada.

Figura importante no título carioca de 1969, Flávio começou a Taça de Prata, no ano seguinte, a mil por hora, marcando 11 gols nos 14 jogos que disputou – todos na 1ª fase. Suspenso, não atuou no empate em 1 a 1 com o Botafogo e, lesionado, desfalcou a equipe no últimos quatro jogos, sendo três pelo quadrangular. Mickey, que até então entrava esporadicamente e tinha apenas um gol, foi o encarregado de substituí-lo, o que fez com maestria.

Samarone, o camisa 10 dos camisas 10

“Samarone atuou em 18 partidas na Taça de Prata, o que dá provas do alto grau de responsabilidade a que finalmente atingiu”, destacou o Jornal O Globo após a conquista.

“Samarone faz jogadas de um virtuosismo, de uma beleza, inexcedíveis”, escreveu Nelson Rodrigues na época.

Wilson Gomes, mais conhecido como Samarone. Um dos destaques da conquista do primeiro título brasileiro do Fluminense, o “Diabo Loiro” vestiu a camisa 10 tricolor e levantou a taça em um campeonato que tinha uma legião de craques vestindo as camisas 10 de outros times: Pelé (Santos), Tostão (Cruzeiro), Rivellino (Corinthians), Ademir da Guia (Palmeiras) e Gérson (São Paulo).

Samarone defendeu o Tricolor de 1965 até março de 1971, quando se transferiu para o Flamengo e, na sequência, Corinthians. Com habilidade de sobra, os jornais da época destacavam seus “dribles secos”, sua “formidável proteção de bola” e seus chutes potentes, que ficaram famosos como “Os canhões de Samarone”, em referência ao filme de sucesso “Os canhões de Navarone”, de John Lee Thompson, lançado em 1961.