Foto: Photocamera
Foto: Photocamera

Treinador preferido do presidente da Unimed, Celso Barros, Renato Gaúcho deixou o Fluminense oito meses atrás. A saída, entretanto, não foi bem digerida. O tempo em silêncio o fez refletir e ter a certeza de que Peter Siemsen, mandatário do clube, errou ao demiti-lo.


– Não vou falar que não digeri e nem que digeri. Porque sou um cara tranquilo, independente, entendeu? Agora, eu nunca falei, por exemplo, que o Fluminense, que é um clube que gosto muito, que gosto muito da torcida, fiz muito pelo clube, tinha muitos problemas. Se você parar para pensar, vai ver os problemas que eu achei quando cheguei no clube. Uma que o Fluminense tinha caído ano passado. Só não caiu por causa daquilo lá (perda de pontos da Portuguesa). Cheguei com dez dias de pré-temporada para colocar o time em campo. Trouxe Alexandre (Mendes), que é um grande preparador físico. E trouxe um cara, que está lá hoje, que o Fluminense tem de dar graças a Deus, que se chama Filé (fisioterapeuta). Então, você vai ver o que o Filé já fez pelo Fluminense em pouco tempo. Nós chegamos e alguns jogadores não jogavam há cinco meses. Acho que o Fred era um (ficou três meses em recuperação de lesão e mais um em recuperação física). Carlinhos, Diguinho… sei que eram cinco ou seis que não jogavam há muito tempo. O Filé botou todo mundo em campo, começamos a formar o time. Trouxemos o Waltinho com 112 quilos, e o Alexandre colocou ele com 90 quilos, 92. E isso tudo durante o campeonato. E aí numa semifinal nós perdemos para o Vasco. Nós tínhamos perdido um jogo na Copa do Brasil lá (derrota por 3 a 1 para o Horizonte-CE), que era para a gente ter se classificado lá. É só ver os gols que o Fred perdeu e que não costuma perder. Mas perdeu por falta de ritmo. Aí perdemos para o Vasco, e o presidente, com os problemas dele, tem todo direito, é o presidente, colocou o Cristóvão. O que mudou? Eu deixei tudo pronto para o Cristóvão. Recuperei os jogadores todos. E o Cristóvão é amigo meu, me dou muito bem com ele. Mas os problemas todos eu resolvi. Cristóvão chegou com tudo pronto, tudo bonito. Saiu da Copa do Brasil daquele jeito (goleada para ao América-RN no Maracanã), uma semana depois em dois jogos saiu da Sul-Americana (contra o Goiás) e não conseguiu ir para a Libertadores. Eu te pergunto: e aí? Será que o Peter não se precipitou? Mas, não vou me meter. Ele é presidente, respeito, continuo respeitando o clube. Peguei muitos problemas pelo que o clube viveu ano passado, as cobranças da imprensa, de todo mundo. E aí, daqui a pouco, por outros problemas que não vale a pena eu tocar agora, estourou em mim. Sem problema nenhum – disse Renato, sem entender sua saída:

– Ia trocar por que, caramba? Se fosse por isso, o Cristóvão disputou três campeonatos e deu no que deu. Nos outros clubes, treinadores perderam dois, três campeonatos, e continuaram. O cara que entende um pouquinho de futebol, que é um pouquinho inteligente, vai juntar as coisas e ver o que aconteceu no Fluminense. Só isso. Mas está tranquilo. Cheguei pela porta da frente, como vice-campeão brasileiro (com o Grêmio, em 2013), e fui embora muito tranquilo. E até hoje todo mundo me liga. Jogadores, empregados, comissão.


Sem comentários