(Foto: Mailson Santana)

Daniel não é um jogador simples de ser compreendido. Surgiu com estigma negativa, em anos sombrios do Fluminense, e passou boa parte de sua carreira sendo emprestado. Seu apelido também não ajudava. Era comum vê-lo ser mal julgado por adotar “Danielzinho” como alcunha. Várias baboseiras que fazem o torcedor de senso comum crucificarem, acima de tudo, um atleta útil.

Seria falácia, e de uma heresia enorme, dizer que Daniel não tem pontos melhoráveis. Talvez fechar melhor os espaços sem a bola, desenvolver mais estrutura física para a proteção, além de buscar mais passes verticais pelo chão – rasgando defesas adversárias, principalmente. Mas o nível de intensidade, de velocidade que impõe em suas ações, já derrubam qualquer argumento depreciativo às suas performances.

A agilidade para dominar e dar sequência em lances, os passes cavados que criam boas condições de finalização dentro da área dos oponentes – nesta levada Daniel tem uma média de 1.9 de passes chaves por jogo, segundo a métrica do SofaScore -, além dos gestos técnicos que favorecem suas conduções e passes. Utiliza as duas pernas com uma qualidade bem acima da maioria dos segundos homens de meio-campo em solo brasileiro.

A bola circula rápido com Daniel no time. Ataca áreas, aproxima setores, constrói e cria a partir desta movimentação. Porque está em praticamente todo o campo. É inteligente e, com o toque do mentor Fernando Diniz – primeiro em tempos de Oeste, depois em 8 meses de Fluminense -, flutua entre as linhas dos oponentes com grande facilidade. Tem percepção, joga com inteligência.

Mapa de calor de Daniel na temporada 2019. Pontos vermelhos por quase todo o campo, com maior incidência no lado esquerdo que é o de maior articulação do Flu. (Fonte: SofaScore)

Não gosto de adjetivos e taxações, mas é quase ritmista. O Fluminense é um time mais completo com sua presença em campo. Isto sem falar de ganhos econômicos. Até agora só desmembrei valores técnico-táticos de suas performances; o que o torna um grande custo x benefício para o clube e a instituição.

Daniel é um pilar para o Fluminense, hoje! E novamente, como todo atleta em solo nacional, tem pontos melhoráveis. Mas Daniel tem atributos que talvez nenhum outro atleta captado – e de custo baixo – possa proporcionar.

Daniel é o atleta que o elenco, e o Fluminense, precisam!

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