Henrique Dourado é um dos canhotos do elenco (Foto: Mailson Santana/FFC)

A média de gols de Henrique Dourado se elevou em comparação a 2016, mas os dados avaliados pelo Fluminense vão além disso. O cientista e coordenador do Departamento de Ciência de Dados e Estatística Flu, Pedro Pereira, explica a avaliação.

– A questão dos gols por partida ilustra bem como indicadores de desempenho muito simples podem, muitas vezes, ser injustos na avaliação do atleta. Talvez seja este um dos principais motivos capazes de impedir que muitos torcedores no Brasil aceitem melhor e até mesmo debatam futebol com base em dados. Acredito que, tal como acontece nos Estados Unidos, à medida em que todos se tornem mais familiarizados com métricas avançadas, que são bem mais consistentes em retratar o que de fato acontece no jogo, a aceitação passará a ser muito maior, e os dados se tornarão um componente fundamental do futebol também no aspecto do espetáculo e entretenimento – explicou Pedro.


O profissional usa como exemplo uma comparação do número de gols de Messi, Cristiano Ronaldo e Morata na temporada 2013/14 do Campeonato Espanhol. Morata fez oito gols em 23 jogos, o que convencionalmente corresponde a uma média de 0,3 gols por jogo. Mas ele era reserva e jogou apenas 605 minutos neste período, o que equivale a 6,4 partidas completas considerando a duração média de 95 minutos. Utilizando a divisão justa, a média de gols sobe para 1,3 e ultrapassa as estatísticas de Messi e Cristiano no mesmo período.

– A questão aqui não é querer colocá-lo no mesmo patamar, nem comparar a importância dos gols, mas apenas mostrar como a analítica pode reduzir ineficiências no processo, assim também como servir para o estabelecimento de uma melhor relação desempenho/custo. Depois disso, o Morata teve uma passagem muito boa pela Juventus, retornou ao Real Madrid, apresenta hoje um valor de mercado 3,3 vezes maior, e segue na atual temporada com uma média de 0,9 gol a cada 95 minutos pelo Real, além de ter papel importante na seleção espanhola.