As pressões externas mudaram, de fato, a postura do presidente do Fluminense, Peter Siemsen, com relação aos jogos no Rio de Janeiro. Tanto que o mandatário vem lutando para tentar mandar o duelo contra o Flamengo, em outubro, no estado. Entretanto, o duelo não deve acontecer no Maracanã, como explica o jornalista da ESPN, Mauro Cezar Pereira. Caso não consiga o “Maior do Mundo”, o presidente tricolor não descarta tentar levar o jogo para Edson Passos.

Confira a reportagem de Mauro Cezar, na íntegra:

“Um buraco aberto no meio do gramado do Maracanã para a festa de Abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, em 7 de setembro, no Rio de Janeiro, vai retardar a volta do futebol ao estádio. A troca do piso já estava prevista para logo após a festa de encerramento, no dia 18 do mesmo mês. Contudo, com a “cratera” — 2 metros de profundidade, 6,5 metros de cumprimento e 4 metros de largura — os trabalhos demorarão bem mais do que nos Jogos Olímpicos.

Tanto que em 16 de agosto, oito dias depois da festa inaugural, os times femininos de Brasil e Suécia se enfrentaram num piso impecável, plantado apenas três dias antes de a bola rolar. Evidentemente a organização não revela o que vai apresentar, mas os comentários são de que uma cadeiras de rodas ou algo semelhante sairá do buraco.

O gramado foi retirado após as finais do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Depois disso, apenas ensaios para a abertura olímpica aconteceram por lá, sob um tablado que protegeu o que fica sob o “tapete verde”, como o sistema de drenagem, por exemplo. Após a festa inicial, alguns dias foram consumidos com a remoção de toda a parafernália ali instalada; três a quatro bastam para que um novo piso seja colocado, desde que plantado anteriormente em outro local, ou seja, com o devido planejamento.

Tal procedimento é tão comum na Europa que só o Camp Nou já realizou duas trocas em 2016. A empresa que faz a manutenção no Barcelona tem 5% das ações da Greenleaf, que além de cuidar do Maracanã é responsável pelos campos da Arenas Pernambuco e Amazônia; Pituaçu, Fonte Nova, Barradão, Mané Garricha e outros.

Como no Brasil não existem fornecedores de grama esportiva, a companhia alugou uma fazenda em Saquarema, a 100 quilômetros do Rio, e lá ela mesma plantou. Outro gramado está no mesmo local passando por idêntico procedimento para ser instalado após a Paralimpíada, seguindo o acordo com a Rio 2016.

A grama será plantada após a festa de encerramento, já que o estádio não será utilizado durante as competições, apenas nas cerimônias de abertura e fechamento. O prazo para a conclusão dos trabalhos vai depender e de um cronograma. Oficialmente a data para a devolução do Maracanã é até 23 de outubro, ou seja, o Comitê não é obrigado a devolvê-lo antes de tal data.

A colocação do novo piso será feita assim que o evento acabar, mas com o buraco aberto no campo, estima-se em aproximadamente 20 dias o período necessário não só para o posicionamento da grama como a reconstrução de parte do que fica sob o solo. Obviamente se não existisse a “cratera” seria mais fácil e rápido.

Assim é praticamente impossível o Flamengo voltar ao Maracanã em 24 ou 25 de setembro, contra o Cruzeiro, como pretende. Receber o Santa Cruz em 5 ou 6 de outubro também é improvável e o Fla-Flu em 12 ou 13 do mesmo mês pode ser até em Edson Passos. “Já solicitamos formalmente a liberação para os jogos com Flamengo e São Paulo. A ideia é jogar no Maracanã. Faremos o possível para isso”, adianta Peter Siemsen, presidente do Fluminense.

Se o gramado não estiver pronto até lá, o estádio do América entra na pauta para o duelo entre tricolores (dia 15 ou 16) e também o clássico com os rubro-negros. “É uma possibilidade. Dependeria do GEPE”, acrescenta, se referindo ao grupamento da Polícia Militar que faz a segurança nos estádios do Rio de Janeiro. Ao Flamengo restaria o retorno como mandante no dia 23, a data-limite, diante do Corinthians.

O clube ainda faria no Maracanã mais três partidas em novembro, diante de Botafogo (dia 5 ou 6), Coritiba (19 ou 20) e Santos (26 ou 27). Os dirigentes rubro-negros têm pressionado para voltar ao estádio o quanto antes. Não por acaso um show da banda Guns N’ Roses, que lá aconteceria no dia 15 de novembro, será no Engenhão. Mas correm o risco de “tropeçar” no buraco feito no meio do campo”.