maracanaApós a diretoria do Flamengo divulgar carta aberta na qual evidencia suas diferenças na relação com a concessionária Maracanã S.A, os gestores do estádio contra-atacaram.

A administradora rebate críticas feitas pelo Rubro-Negro em relação ao modelo de administração do estádio e rechaçou problemas operacionais levantados pela direção do Flamengo.

 
 
 

A concessionária ressaltou ainda que o modelo contratual entre as partes foi uma opção do próprio Flamengo.

Confira abaixo a íntegra da resposta do Maracanã S.A à carta do Flamengo: 

A respeito da carta aberta divulgada pelo Conselho Diretor do Clube de Regatas Flamengo e em respeito aos torcedores e frequentadores do Maracanã, a concessionária que administra o Maracanã tem a esclarecer:

1 – A empresa Complexo Maracanã Entretenimento S.A., assim como seus acionistas, está absolutamente convencida da importância de ter os torcedores do Flamengo, assim como dos demais grandes clubes do Rio de Janeiro, presentes ao estádio. Prova disso é que negociou intensamente com as diretorias de Flamengo, Fluminense e Botafogo, e aceitou adotar modelos distintos (que atendessem à vontade de suas diretorias) de parceria. No caso do Flamengo, a diretoria do clube optou (diferentemente do que fizeram Fluminense e Botafogo) por um modelo de parceria em que são divididas, igualmente, receitas e custos de todo o estádio e não apenas do setor de ingressos populares;

2 – Portanto, causa estranhamento à concessionária que administra o Maracanã a afirmação da carta aberta de que “o modelo de administração” é “prejudicial ao Flamengo”. O “modelo de administração” em parceria, distinto do escolhido pelos demais grandes clubes, atendeu a uma opção feita pelo próprio Flamengo. No entanto, a concessionária sempre esteve e permanecerá aberta ao diálogo com da direção do clube, inclusive para eventualmente negociar novos termos de parceria;

3 – A comparação sobre custos de operação e manutenção de estádios de outras cidades, feita na carta aberta, está baseada em dados incorretos e contém equívocos conceituais. Não é possível comparar, por exemplo, os custos, o serviço e o conforto oferecidos em estádios construídos na década de 1940, com as arenas da Copa do Mundo de 2014 – como o Maracanã, onde perto de 2.800 pessoas trabalham a cada jogo na oferta de facilidades como orientação ao torcedor, restaurantes, lanchonetes, segurança e limpeza.

4 – Também não é adequado fazer comparações de custos com estádios públicos, onde os governos (e os contribuintes) arcam integralmente com a manutenção e operação do espaço – e as receitas com aluguel do estádio para os clubes estão longe de cobrir as despesas. Não à toa, recentemente a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, anunciou – com o objetivo de redirecionar para as áreas sociais os gastos que têm com a manutenção do Estádio Municipal — a intenção de fazer uma licitação para a gestão privada do Pacaembu. A licitação preveria que, além de arcar integralmente com os custos de manutenção, o concessionário faria a modernização do estádio. O objetivo da concessão à iniciativa privada da gestão do Complexo Maracanã também foi justamente desonerar o Estado de subsídios e altos gastos para a sua manutenção, expansão e modernização – liberando o orçamento público para os necessários investimentos em áreas como saúde, educação e segurança pública;

5 – Não é cabível, ainda, como faz a carta, referindo-se ao Maracanã, falar em “catracas não dimensionadas para o alto fluxo de ingresso de torcedores próximo à hora de início da partida”. Algo que comprovadamente não ocorreu na final da Copa das Confederações, quando o Maracanã recebeu mais de 71 mil torcedores, sem problema algum.

6- A concessionária que administra o Maracanã informa ainda que está promovendo investigação interna para apurar se teria havido, durante o jogo Flamengo x Cruzeiro, na última quarta-feira, qualquer ocorrência relacionada a, como denuncia a carta, “longas filas, impossibilidade de controle eletrônico do acesso, riscos de evasão de renda, superlotação e descontrole da arrecadação, falta de contagem dos giros de catraca”. De todo o modo, alguns fatos precisam ser esclarecidos de imediato. A concessionária não foi responsável pela comercialização integral dos ingressos desta partida. O próprio Flamengo, por meio do seu programa de sócio torcedor, foi responsável por perto de 20% da venda de ingressos. A concessionária sempre disponibiliza os picotes dos ingressos para conferência dos clubes.

7 – A concessionária está trabalhando para a unificação do sistema de ingresso ao estádio existente (desenhado para a Copa das Confederações, no modelo estabelecido pela FIFA) aos três diferentes sistemas de cartões de sócio torcedor adotados por Fluminense, Botafogo e Flamengo. Como resultado deste esforço, no próximo sábado, no jogo Fluminense x Santos, o sistema de ingresso ao estádio já estará compatível com os cartões de sócio torcedor do clube – o que significa que o cartão será suficiente para entrar no estádio, simplificando o processo. E no dia 4, para o jogo Flamengo e Vitória, já confirmado no Maracanã, o sistema do cartão sócio torcedor do Flamengo também estará operando.

7 – A operação do estádio vem melhorando a cada dia e já tem a aprovação da maioria dos torcedores, colhida em entrevistas feitas entre os frequentadores. A concessionária está convicta de que, rapidamente, os serviços e facilidades oferecidas aos frequentadores do Maracanã estarão em nível de excelência, podendo assim contribuir para a profissionalização do futebol brasileiro e para a própria sustentabilidade financeira dos clubes.