Entrevista na íntegra de Sandro Lima a portal

Entrevista na íntegra de Sandro Lima a portal

Qual tipo de serviço você presta para a Unimed? Dê um exemplo de serviço de assessoria.

Sandro Lima – Minha empresa presta serviços de assessoria especialmente na área de modalidades olímpicas, que é minha origem. Indiquei vários atletas que foram ou ainda são patrocinados pela empresa em sua política de apoio aos esportes olímpicos, como natação, vôlei de praia, taekwondô, atletismo, e atuo junto ao marketing esportivo no acompanhamento dos atletas. Vale lembrar mais uma vez que esse serviço é prestado desde 2010, antes da eleição do Peter.

Você continuará ligado à Unimed? Qual seu plano profissional para o futuro?

– Enquanto as atividades de minha empresa forem úteis para a Unimed, e ela tiver interesse na assessoria, sim.

Qual sua relação com Celso Barros? Como iniciou o vínculo de amizade e de trabalho?

– É uma relação muito boa, profissional acima de tudo. Criamos um vínculo de amizade, mas sempre nos respeitamos profissionalmente.

E com Peter Siemsen?

– Durante todo o período em que pude contribuir com sua gestão o fiz de maneira dedicada, cumprindo meu papel de vice-presidente de futebol. O respeito como dirigente, confio na sua boa vontade e disposição de conseguir os melhores resultados para o clube, e torço para que sua gestão seja vitoriosa.

Comenta-se que Celso poderia ser candidato a presidente na eleição do clube. Como você veria essa possibilidade?

– Não sei, nas poucas vezes em que o ouvi tratar disso foi no sentido contrário. Acho que ele é um grande executivo, tem visão e pode ser útil em qualquer organização, como é hoje para a Unimed.

Teme que esse problema enfraqueça ainda mais a já abalada relação entre Fluminense e Unimed?

– Não acredito que a relação esteja abalada, como infelizmente a imprensa insiste. São quase 15 anos de parceria que se renova anualmente, e não tenho porque imaginar a esta altura que ela se abale por questões circunstanciais.

A Unimed vai mesmo reduzir o patrocínio no Flu?

– Não sei, quem pode responder é a Unimed.

Como vice-presidente e contratado da Unimed, você transitava entre as duas partes. A relação entre Celso Barros e Peter Siemsen de fato é ruim?

– Já disse e repito: a contratação da minha empresa nada tinha a ver com o futebol. O contrato é anterior inclusive à eleição do presidente Peter. A relação entre eles sempre me pareceu de respeito, cada um procurando zelar pelos interesses que representa. Como são dirigentes de duas grandes organizações, eventualmente seus interesses podem ser conflitar, o que é absolutamente previsível.

Nunca pensou em abrir o jogo e falar sobre o contrato no clube?

– O contrato entre a minha empresa e a Unimed não tem como objeto qualquer atividade que eu desempenhei no Fluminense. Não entendi em momento algum que precisasse dar conta dessa atividade ao clube.

O contrato não era ilícito, já que seus vencimentos eram pagos pela Unimed e não pelo Flu. Mas não considerava antiético?

– Não há porque falar em ética nesse caso, no meu ponto de vista. Não recebia salário da Unimed. Recebia um pagamento por contrato para uma atividade específica que nada tinha a ver com minha atuação no clube. E assim continua. Em momento algum deixei de considerar os interesses do clube em primeiro lugar no exercício de minha atividade como vice-presidente de futebol, claro que sempre procurando conciliar os interesses do Tricolor com o de seus parceiros, que é a responsabilidade estatutária, inclusive, do cargo que ocupei com dignidade todo o tempo.

Acha que sua imagem ficou arranhada após este episódio? Afinal de contas, o Fluminense tirando 2013 teve um grande desempenho com você na vice-presidência.

– Claro que me sinto atingido injustamente nesse episódio, porque meu trabalho fala por mim e eu não vou poder dar continuidade a ele. Mas não acredito que minha imagem pessoal seja arranhada. Não cometi crime algum nem desrespeitei o clube que me convidou para ser dirigente e ao qual ofereci o melhor de minha capacidade.

Como foi o processo de troca da vice-presidência de esportes olímpicos para a de futebol?

– Antes de ser vice-presidente de esportes olímpicos, fui diretor, e junto com o Ricardo Martins, fizemos uma base no esporte olímpico muito forte. Porém, sem capacidade de ter grandes equipes, a não ser no Water Polo, que tem o patrocínio do BNY Mellon e a natação, que mesmo sem grande investimentos, é um celeiro de talentos. Em qualquer equipe brasileira de ponta hoje no Brasil tem atleta formado no Fluminense. Quando fui convidado pelo Peter pra ser vice-presidente de futebol, perguntei se ele estava brincando. Ele disse que não, que era sério… Passei um tempo pensando e consultei o Ricardo Martins sobre o que ele achava. Ele pediu pra eu seguir minha intuição e acabei aceitando. Sabia o desafio que me esperava, mas o resultado desse trabalho tenho certeza que foi muito vitorioso.

Teme que esse problema afete o time do Fluminense?

– Estou começando a ficar preocupado, porque infelizmente está se dando a esse caso uma dimensão de escândalo que a rigor não existe. Aliás, meu pedido de renúncia foi justamente para evitar que esse fato gerasse uma repercussão prejudicial.

Como Rodrigo Caetano recebeu sua saída? Afinal de contas vocês mantinham uma boa relação.

– Comuniquei a ele, e claro, ficou surpreso com essa decisão. Tentou argumentar para que nós continuássemos, mas foi uma decisão pessoal minha. Fiz um pedido para ele: para que continuasse à frente do projeto que nós idealizamos desde o início, com objetivo de terminar a temporada com bom resultado no Brasileirão. Nossa amizade hoje transcende o campo profissional, tenho certeza que um dia voltaremos a trabalhar juntos.

A sua saída já era cogitada no fim da temporada assim como a de Rodrigo. O que você acha que o futuro vice vai encontrar no departamento de futebol?

– Sobre o Rodrigo, só ele saberá dizer sobre o futuro dele. Sobre o futuro vice, já está sendo construído um relatório, e nesse documento a pessoa que ocupar o cargo terá toda informação do departamento.

A crise financeira no Fluminense é pública e notória. Sabe-se também que sozinho o clube não tem condição de bancar o salário de Conca, grande sonho para 2014. Com esta crise aberta entre Flu e Unimed, acredita que o argentino ainda pode ser contratado?

– Espero que sim. Não estou mais no clube, não sei como se dará a negociação, mas posso garantir que ele tem interesse e o clube também, então é uma questão de ajustes que surgirão…mas tenho pra mim que o final dessa história o Conca vestirá nossa camisa de novo