(Foto: Lucas Merçon/FFC)

No final do primeiro ano da gestão do presidente Pedro Abad, o Fluminense dispensou oito jogadores para reduzir as despesas e a folha salarial – na época de R$ 7,5 milhões. O ex-vice de finanças do clube, Diogo Bueno, quebrou o silêncio em entrevista ao Globo Esporte e criticou a inércia do mandatário tricolor em determinar a execução do planejado para a rescisão contratual dos atletas.

Na época, o Fluminense rescindiu o contrato de Diego Cavalieri, Wellington Silva (lateral), Henrique, Marquinho, Artur, Robert, Higor Leite e Maranhão. Quase dois anos depois das dispensas, o assunto continua atual nos bastidores das Laranjeiras. O Tricolor não cumpriu os acordos de rescisão de sete atletas (Maranhão foi emprestado ao Goiás). Com isso, o clube foi processado na Justiça Trabalhista e aumentou a dívida em R$ 5 milhões.

– A gente tinha uma folha salarial da ordem de R$ 7,5 milhões. Folha do futebol, no segundo semestre de 2017. O clube não conseguia, com o nível de receita que tinha, ter uma folha nesse valor. O problema era grave: a falta de capacidade de pagar salário, não só do futebol como um todo. Havia insatisfação do elenco, mesmo que a gente não participasse do futebol, isso era sabido. Ninguém gosta de trabalhar e não receber. E, além disso, os salários eram incompatíveis com o que se podia pagar e com o rendimento esperado. Então, em julho, como em qualquer lugar responsável, se começou a pensar o ano seguinte. Foi discutido com várias áreas do clube, como futebol, financeiro, jurídico, comunicação, como que a gente faria para reduzir o custo, especialmente futebol, sem causar muito trauma. Infelizmente, o Fluminense estava disputando a fuga do rebaixamento para a Série B. E o que foi combinado foi o seguinte: quais os atletas que eventualmente o Fluminense poderia abrir mão na temporada seguinte por motivos diversos? A lista veio, foi discutida pelo presidente e pelo departamento de futebol. E a gente ratificava no financeiro dando os valores envolvidos – disse Diogo Bueno, que seguiu explicando sobre as dívidas trabalhistas:

– A tese é importante: a lei trabalhista no futebol diz que você tem de pagar 100% do contrato até o fim dele. Então, se contrata um jogador por R$ 100 mil mensais por cinco anos, ele vai custar R$ 100 mil X 12 X 5. A dívida é o valor global do contrato. Ao longo do ano de 2017, a gente fez as contas. Deixamos claro que ninguém deixaria de cumprir a regra. Agora, se tem atleta insatisfeito, chamo o jogador para conversar. Todos os clubes fazem isso. Deixa claro que não consegue pagar e propõe uma renegociação. O que acordamos foi: pegar o valor do salário, multiplicar até o final do contrato. Se o cara tem dois anos para receber, vamos propor que receba em oito. Se ele não aceitar, tentamos em cinco. Aumentando o prazo, reduz o valor mensal. A gente libera ele para negociar com outro clube. E, se a gente tiver um dinheiro novo, chama ele para negociar e tenta pagar à vista com redução. Isso tinha uma data para acontecer. Se fizesse durante o Brasileiro, com o Fluminense disputando, o risco de perder o elenco era enorme. Poderia ser rebaixado. Decidimos fazer no dia seguinte aos mágicos 46 pontos. Essa é toda a história – finalizou Diogo Bueno.