(Foto: Mailson Santana - FFC)

Depois de passar por diversos problemas de pagamentos com a Dryworld, empresa com a qual briga na Justiça do Canadá, o Fluminense anunciou a Under Armour como sua nova fornecedora de materiais esportivos no dia 20 de fevereiro do ano passado. O vínculo passou a valer a partir do dia 21 de julho de 2017 e foi encarado com bastante euforia pelos tricolores, saudosos de uma grande marca desde a saída da Adidas em 2015. Na ocasião, o NETFLU divulgou com exclusividade que o clube das Laranjeiras receberia 20% de comissão em cima do que fosse vendido. Nenhum detalhe financeiro desse havia sido divulgado, até então, incluindo a principal dúvida: se o Flu receberia algum valor fixo também.

Cerca de 10 meses após a validação do acordo, o site número 1 da torcida teve acesso ao contrato entre o clube e a empresa norte-americana. Através do documento, descobre-se que não há uma cota fixa para o Fluminense, além dos 20% já noticiado. E mais: dentre as obrigações da Under, o pagamento de royalties só ocorre de três em três meses se o Fluminense exceder o montante de R$ 5,5 milhões anuais na venda de produtos licenciados.

Trecho do contrato entre Fluminense e Under Armour

Trocando em miúdos, para atingir a meta prevista em contrato, o Fluminense teria de vender 44 mil camisas oficiais de torcedores (considerando o valor para atacadistas, que giram em torno de R$ 125). Entretanto, tais números nunca foram divulgados, dada a cláusula de confidencialidade combinada entre as partes. Em contato com pessoas ligadas ao departamento comercial e de marketing, o NETFLU apurou que a meta do primeiro ano foi batida nos primeiros meses, mas sem que o total comercializado fosse descrito. Oficialmente, contudo, a informação não foi confirmada. 

– O clube não se manifestará sobre o assunto em virtude da existência de cláusula de confidencialidade no citado contrato – disse a assessoria tricolor em contato com o site.

Vindo de uma expectativa gigantesca com a canadense Dryworld, que ofereceu um contrato de R$ 20 milhões por ano, sendo R$ 13 milhões fixos, mas sem cumpri-lo à risca, os anseios da instituição foram frustrados com o não pagamento e problemas na distribuição. A partir deste cenário, o Fluminense optou por rescindir e buscar seus direitos na Justiça. Enquanto isso, na grande maioria das modalidades, por mais de dois anos, ficou utilizando materiais da Adidas, que teve a parceria encerrada justamente por conta da proposta da Dry. Muito criticado na época, o acordo com a Adidas previa R$ 8 milhões em materiais esportivos e R$5,75 milhões de cota fixa anual. Para receber este montante da Under, por exemplo, o Tricolor precisaria vender mais de 225 mil uniformes atualmente.

Mas como conseguir números muito acima da média histórica, se a própria instituição não oferece uma plataforma digital de vendas? Mesmo ciente da importância da comercialização para maximizar os ganhos, o Fluminense é o único grande clube do país que não possui uma loja virtual. O problema é tamanho que, em post recente, o grupo de apoio ao presidente Pedro Abad, a Flusócio, fez um post criticando a falta de movimentação do Tricolor neste sentido, cobrando pela implementação de e-commerces.

– Independente do modelo de e-commerce a ser adotado, é incompreensível que o Fluminense abra mão de uma ferramenta tão eficaz na captação de receita e aproximação do seu torcedor. No site oficial do clube, há apenas um anúncio acerca de um tênis da fornecedora. Não há nenhum produto oficial do clube em destaque. E temos canais digitais com mais de um milhão de seguidores no Twitter e Facebook que nunca foram usados para turbinar vendas de um possível e-commerce oficial, pois ele ainda não existe – dizia um dos trechos.

Além da cota de 20%, a Under Armour também disponibiliza para o Fluminense o equivalente  a R$ 2,4 milhões em produtos esportivos para todas as modalidades. Assim como a Dryworld, a empresa ainda não conseguiu suprir toda a demanda do clube num tempo considerado razoável. 

É importante ressaltar que, apesar de ser considerada uma das grandes empresas do mercado, atrás apenas de Adidas, Nike e Puma, a Under não conseguiu emplacar no Brasil. Pelo menos por ora. De acordo com o jornalista Amauri Segalla, na coluna Mercado S.A, do Jornal de Minas, patrocinadora do Fluminense não renovará com o São Paulo e suspendeu negociações com outros clubes do país, ou seja, apenas o Fluminense seguirá com a marca. O recuo não ocorre somente no Brasil. Em abril, ainda conforme explanação do jornalista, a marca rescindiu contrato com o inglês Aston Villa, após duas temporadas de parceria, sendo que o acordo era válido por cinco anos. Por fim, no último ano, a grife já havia encerrado o contrato com o também inglês Tottenham. O contrato com o Fluminense tem três anos de validade.