O Fla-Flu começou a cair no gosto de parte da imprensa carioca a partir dos anos 1930. Reportagem do portal Uol mostra que os quatro grande do Rio de Janeiro tiveram um racha. De um lado, Flamengo e Fluminense lideravam um processo de profissionalização do esporte. Do outro, Botafogo e Vasco permaneceram mais  tempo na liga amadora.

O extinto Jornal do Sports (JS) e O Globo abraçaram a causa do profissionalismo e, consequentemente, se apegaram ao Fla-Flu, termo imortalizado pelo jornalista Mário Filho, rubro-negro e irmão do tricolor Nélson Rodrigues.

– No momento em que o profissionalismo se estabelece no futebol, a imprensa está inventando um padrão de cobertura. O grande jogo desse projeto de profissionalismo é o Fla-Flu, e por isso a predominância do clássico nos principais jornais que cobriam o futebol na época – explicou Renato Coutinho, professor de História do Brasil na Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro.

Chefiado por Mário Filho, o JS era o periódico esportivo mais vendido no Brasil. O cronista apostou no futebol como a modalidade que seria a mais popular do país e que impulsionaria a venda de jornais. O Globo seguiu o mesmo caminho. Ambos os impressos criaram um vocabulário para favorecer a mística do clássico: enalteciam ídolos, traziam a cobertura dos jogos em página inteira, destacavam fotos.

– A marca Fla-Flu foi inventada antes de outros clássicos no Rio de Janeiro. Esses periódicos, vencedores no projeto de profissionalização do esporte, eram dominados por pessoas ligadas a Flamengo e Fluminense. O Mário Filho foi alçado à condição de porta-voz pelas condições financeiras e material dos dirigentes desses dois clubes. O Jornal dos Sports seguiu historicamente identificado com as direções desses clubes – ponderou Coutinho.


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