Foto: Lucas Merçon/FFC

Hoje o post será curto. Abordará apenas essa vertente do modelo de jogo que o Fernando Diniz está implementando.

Normalmente a gente fala em risco e retorno na área de finanças/investimento. Ao assumir grandes riscos, espera-se que o retorno seja proporcional aos riscos assumidos.

Poderíamos falar de risco e retorno no Poker também. Uma aposta alta, arriscada, numa mesa boa, pode te render uma boa quantidade de dinheiro ou uma ótima possibilidade de controlar a mesa, caso você esteja jogando um torneio.

Mas o assunto aqui é futebol.

Futebol é um jogo de placares mínimos. O gol é raro.

O futebol brasileiro, como todos sabemos, é extremamente equilibrado, de modo que nada, nada mesmo, pode ser dado de graça ao adversário.

A pergunta desse post e que acho que o Departamento de Futebol deveria fazer é:

O alto risco ao sair tocando, em momentos que o adversário coloca muitos jogadores na parte defensiva do Fluminense, tem tido compensação com gols e chances no campo de ataque?

A minha resposta é NÃO!

Vamos apenas falar do Brasileiro, da Copa do Brasil e da Sul-Americana.

Na Copa do Brasil, foi muito raro o Cruzeiro adiantar a marcação de modo a termos uma saída de risco, ainda assim houve uma jogada em que o Daniel perdeu a bola gerando uma chance clara de gol no Mineirão.

Também na Copa do Brasil, mas antes, contra o Santa Cruz, fora de casa, também houve duas chances claras de gol a favor do adversário, sem que houvesse compensação ofensiva pelo risco da saída.

No jogo contra o Goiás aqui, pelo Brasileiro, o adversário não fez esse tipo de marcação.

Já no clássico com o Botafogo, deu certo, o Fluminense criou três chances saindo tocando com o adversário marcando alto e teve apenas uma chance contra num passe errado do Rodolfo. Deu tão certo que o Barroca recuou o time.

A derrota não aconteceu por conta disso.

Na derrota para o Santos, os dois gols nascem de saída errada, uma pela lateral e outra com o Bruno Silva.

No jogo contra o Bahia, um gol nasce de saída errada (o drible do Agenor) e uma chance clara também.

No jogo contra o Athletico-PR, de novo, muitas bolas perdidas, chances do adversário.

Nessas três derrotas não há chance criada, gol marcado, por conta do Fluminense ter saído de uma pressão tocando desde a sua área.

No jogo contra o Atlético Nacional pela Sul-Americana foi quando mais isso deu certo. Dois gols nascem de passes trocados, transição em velocidade, com o adversário tentando desarmar o Fluminense na sua defesa.

Depois do (bom) jogo que o Fluminense fez contra o Flamengo, as redes sociais viralizaram uma saída de bola que deu certo com todo mundo participando. O resultado efetivo dessa saída de alto risco, foi o Flamengo fazer uma falta ainda na intermediária do Fluminense.

Em compensação, erros na saída de bola geraram duas chances claras pro Flamengo, com uma delas o Diego chutando na trave, na melhor chance do jogo. E sabem quantas chances foram criadas pelo Flu quando o Fla adiantou seus jogadores e a gente saiu tocando desde a nossa área? Zero.

O relato acima, fruto de anotações minhas nesses jogos, mostra que, de fato, não está valendo a pena correr esse tipo de risco, ainda mais e, principalmente, quando se joga fora de casa, em gramados que os jogadores não estão acostumados e que, muitas vezes, dificultam a execução desse tipo de modalidade de saída de bola.

E ainda há o fator não surpresa. Todo mundo sabe que o Fluminense vai sair jogando assim, todo mundo sabe os movimentos que são feitos.

Num cenário de gramado difícil, início dos jogos, quando os times estão descansados, uma pressão frenética na saída precisa gerar uma resposta mais adequada do Fluminense.

Dez minutos usando bola longa e o adversário não vai mais pressionar tão em cima.

Aí sai tocando, com posse, passe, como o time gosta.

A bola longa, inclusive, pode servir para, em vez de você sofrer essa marcação no seu campo, se utilizar da bola no campo adversário pra que o Fluminense mesmo exerça essa pressão frenética pela posse de bola (algo que, aliás, vem faltando no Flu).

Termino afirmando, pra quem leu, que não estou propagando que o Fluminense rife todas as bolas, não saia tocando, não é isso que está escrito.

O protagonismo nos jogos, o toque de bola, o controle são fundamentos dos quais eu jamais abriria mão.

Mas é necessário um pragmatismo maior quando o adversário começa a colocar todo mundo dentro da nossa área. O Barcelona faz, o City faz, o Betis e todos que utilizam um modelo de protagonismo fazem quando são apertados. Mais que isso, usam a bola longa pra pegar segunda bola e sair de frente pra defesa adversária.

O futebol também é análise de risco em muitos momentos. E, nesse caso específico, não está valendo a pena.