Começou pesado

E enfim estreou o Fluminense.

Há quem consiga ver o copo um pouco mais cheio, defendendo ter visto uma equipe mais organizada dentro de campo. E há também os que dizem que o time piorou, que o elenco é ainda mais triste do que a versão 2018. O tal do copo mais vazio.

Eu confesso que não vi nada de diferente que seja de fato relevante. Nem para melhor, nem para pior. O copo que eu vejo não está nem cheio nem vazio. Esta quebrado, e precisa de remendo.

A pergunta é se isso será possível.

Bom, antes de escrever isso ou aquilo, quero dizer que o que vi de diferente nos noventa infinitos minutos contra o Volta Redonda foi apenas a recusa em dar chutão para frente no nosso campo de defesa. Legal, é pitoresco ver um time no futebol brasileiro tentando de todo jeito fazer a bola rodar lá atrás sem lançar mão do bico para frente. É bacana ver a tentativa de não jogar pela segunda bola, invariavelmente rifada para a cabeça de um grandalhão lá na frente. Mas convenhamos, o jogo não é um treino de bobinho. O futebol é muito mais que isso.

Tem que sair lá de trás com a bola? É o ideal, né? Mas quando ela chega limpa no nosso meio de campo é preciso fazer com que ela chegue envolvendo o adversário no terço final do gramado. Em outras palavras, se quisermos propor o jogo (o que é ótimo), precisamos pensar mais lá na frente do que naquelas trocas de bolas entre laterais, zagueiros e goleiro, que foi o que vimos acontecer.

A criação do Fluminense continua uma piada. Porque o time tem peças muito fracas. Desculpem-me a sinceridade, mas qualquer coisa fora disso é devaneio. Os atacantes não conseguem pensar o jogo e têm características de carregar a bola esperando o contato adversário até que tenha que recuá-la para um meia ou lateral. O Fluminense pensa pouco o jogo. E lamentavelmente eu não vi variação tática alguma. Vi repetição do drama que nos assola há vários anos e treinadores.

Acho que o Diniz é um nome bacana para treinar o time. Precisa de muito tempo e é nosso dever ter mais paciência com ele do que com treinadores adeptos do “mais do mesmo”. Eu sou fã de gente corajosa, e convenhamos que o cabra tem que ter muita coragem para propor o jogo com zagueiros limitados, laterais limitados e um meio de campo com um jogador tangenciando a obesidade, um garoto que faz seu primeiro jogo nos profissionais e um meia franzino que não marca, não cria, não finaliza, não aparece.

Alias, por falar em obesidade, como é triste ver o Airton dessa maneira. Numa boa. O clube tem que zelar por sua imagem. Vocês conseguem conceber um time de ponta, no Brasil ou na Europa, que entre em campo com um jogador daquele tamanho? Airton teve as férias para cuidar do peso. Como pode se reapresentar daquela forma? É desleixo, amigos. O cara é jogador profissional. Ganha um salário maior do que 99,99% dos tricolores. Tem que ter um mínimo de responsabilidade. É um escárnio que se apresente daquele jeito. E é um escárnio ainda maior que um clube como o Fluminense permita que ele coloque a camisa e entre em campo. Airton é bom jogador, mesmo gordo foi um dos melhores do time no sábado, mas a única coisa a ser feita é afastá-lo da equipe até que ele se apresente em condições de entrar em campo.

Aliás, isso também vale para o tal do Agenor, contratado com muitos quilos a mais, numa dessas negociações para lá de estranhas que são feitas pelo Fluminense.

Adiposidade à parte, Diniz terá que cortar um dobrado para viabilizar seu estilo de jogo. Muitos jogadores ainda serão incorporados ao time, isso quando a direção do clube conseguir inscrevê-los na FERJ. Dizem que ainda não o foram por conta de decisões judiciais que impedem os registros até que dívidas sejam pagas.

Como dívida é o sobrenome da gestão Flusócio, é possível que tenhamos que esperar mais um tempinho para ver todo mundo em campo.

Quinta tem mais, e na recalibragem do jogo a jogo, já estou tranquilo com minhas expectativas. Vamos sofrer. Porque futebol é o esporte mais imprevisível do mundo, mas até para imprevisibilidade há limites. E o nosso está escancarado na fragilidade de um onze principal, maximizada pela carência de bons jogadores no restante do elenco. Isso sem considerar o caos administrativo e financeiro que assola o clube.

Não foi a toa, inclusive, que a torcida começou 2019 como terminou 2018, mandando Abad e sua turma para aquele lugar.

Abraços tricolores!

CURTAS

– Ezequiel? Façam-me o favor. Eu só pergunto o porquê de uma contratação dessas. Terceiro reserva do Cruzeiro. Jogador limitadíssimo. Da série contratações esquisitas.

– Mascarenhas me pareceu o melhor do Fluminense. Não é veloz, o que é ruim para um lateral, mas errou pouco, mostrou boa consciência tática e algo que falta a quase todo mundo no time: intimidade com a bola.

– Ganso no Flu? Ainda tenho alguma esperança. Está sem mercado e só por isso ainda pode pintar. Acho uma ótima, mas já estive mais animado.